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Crise ecônomica

Brasil está em um buraco econômico, e continua cavando

Após vetar o retorno da CPMF, Congresso terá de encontrar uma forma de pagar os gastos que se recusa a cortar

Brasil está em um buraco econômico, e continua cavando
Se o impasse não for resolvido logo, o país estará fadado a múltiplos anos de recessão (Foto: Carlos Verneque/Flickr)

Muitos países têm déficits fiscais. E quando chega a recessão, afrouxar as amarras dos gastos públicos é uma opção bastante sensata. Mas não para o Brasil. A economia do país está com sérios problemas e a credibilidade na política fiscal do país está se dissolvendo.

O fim do boom das commodities e o escândalo de corrupção que mina a confiança dos investidores, após anos de má gestão econômica, extinguiram o crescimento do país. O PIB do Brasil está previsto para contrair 2,3% este ano. O aumento do desemprego somado a queda na remuneração do setor privado e no consumo estão esmagando as receitas do governo.

Enquanto isso, o aumento da inflação aliado a desvalorização do real significa que o investidor espera um retorno maior da dívida pública. O resultado disso é um desastre orçamentário. Este ano, o superávit primário do país (verba que sobra na conta do governo para pagar os juros da dívida pública) desapareceu e estima-se um déficit de 8% a 9%.

O projeto de Orçamento enviado ao Congresso pela equipe econômica da presidente prevê um déficit de R$ 30,5 bilhões, o maior desde o fim da era da hiperinflação. O orçamento é uma calamidade. Primeiro porque o Brasil precisaria pedir empréstimos para cobrir o pagamento dos juros, um grande risco para um país que tem, de longe, as maiores taxas de juros entre qualquer economia significativa. Segundo porque o déficit primário envia uma mensagem sombria sobre a gestão econômica do país.

E desde a virada do milênio o governo brasileiro guia o país através de três princípios: meta inflacionária realista, câmbio flutuante e superávit primário suficiente para cobrir a dívida pública. Esse chamado tripé econômico permitiu que o país abandonasse os tempos de hiperinflação, garantiu o grau de investimento do país e sustentou um crescimento econômico que, nos últimos anos, tirou milhares de brasileiros da pobreza extrema.

Agora, tudo isso está ameaçado. E Dilma não é a única culpada. Ela tentou aumentar a arrecadação ressuscitando a antiga CPMF, mas sua debilidade política acabou com esse plano. Com apenas 8% de aprovação pública, a presidente tem sua autoridade no Congresso minada.

Agora, os conselheiros próximos à Dilma afirmam que o Congresso terá de encontrar um jeito de pagar os gastos que se recusam a cortar. Mas o Congresso está infestado de parlamentares que pensam em curto prazo e estão mais preocupados em encher os próprios bolsos do que garantir o futuro do país. Muitos deles, tanto da oposição quanto da base aliada, estão gastando as energias tentando viabilizar o impeachment de Dilma, em vez de buscar uma saída para a crise fiscal. Se esse impasse não for resolvido logo, a confiança do mercado e do consumidor cairá ainda mais e os investidores estrangeiros abandonarão o país. O Brasil estará fadado a múltiplos anos de recessão e perda do grau de investimento.

No momento, a melhor solução para o país alcançar o superávit primário é, sem dúvida, cortar os gastos públicos, que chegam a 40% do PIB, muito mais do que em outros países emergentes.

Dilma tem planos de cortar ministérios, mas os planos do governo para 2016 também incluem aumento de salário mínimo e elevação de 10% nos gastos com programa sociais. Com um Congresso problemático e uma Constituição cheia de compromissos com gastos exorbitantes, poucos presidentes do país conseguiram implementar fortes cortes de gastos. E todos eles eram presidentes dotados notável liderança e habilidade política. E Dilma está muito aquém disso.

Tudo isso acabará soltando o “esparadrapo” nas contas do governo. Ressuscitar a CPMF, ou criar outro imposto, não seria algo bom, mas ainda assim seria melhor do que aumentar os gastos sem saber como eles serão pagos. Depois, o próximo passo seria uma reforma no extravagante e ganancioso governo brasileiro.

Fontes:
The Economist-All fall down

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