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OCDE

Brasil gasta bem menos do que a média global em educação básica

Em contraponto, no ensino superior, o Brasil faz investimento ‘europeu’

Brasil gasta bem menos do que a média global em educação básica
Apenas seis entre os países analisados gastam menos que o Brasil com alunos na faixa de dez anos de idade (Foto: Pixabay)

Na última terça-feira, 12, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou os resultados do estudo “Education at a Glance 2017”, que analisou os sistemas de educação dos seus 35 países-membros. A grande maioria deles tem economias desenvolvidas, mas há dez em desenvolvimento como o Brasil, a Argentina, a China e a África do Sul.

Segundo o documento, o Brasil gasta anualmente US$ 3,8 mil (R$ 11,7 mil) com um aluno do primeiro ciclo do ensino fundamental (até o 6° ano). O valor em dólar é calculado com base na Paridade do Poder de Compra (PPC) para comparação internacional. Enquanto isso, a média desembolsada por ano para cada aluno na mesma fase escolar nos países da OCDE é de US$ 8,7 mil. O país que lidera este ranking é Luxemburgo, que gasta US$ 21,2 mil por ano para cada aluno.

Apenas seis entre os países analisados gastam menos com alunos na faixa de dez anos de idade do que no Brasil, entre eles a Argentina (US$ 3,4 mil), o México (US$ 2,9 mil) e a Colômbia (US$ 2,5 mil). A Indonésia está em último lugar com apenas US$ 1,5 mil.

Nos anos finais do ensino fundamental e no médio, o Brasil gasta anualmente o mesmo valor de um aluno do primeiro ciclo do fundamental: US$ 3,8 mil. A média dos países da OCDE nos anos finais do ensino fundamental e médio é de R$ 10,5 mil por aluno. Esse valor é 176% maior que o do Brasil. Para piorar, o Brasil está entre os últimos na lista dos 39 países que forneceram dados a respeito.

No entanto, quando falamos sobre estudantes universitários, a quantia brasileira pula para quase US$ 11,7 mil (R$ 36 mil), mais do que o triplo das despesas do ensino fundamental e médio. E nesta fase da educação, que o Brasil se aproxima de países europeus como Portugal (US$ 11,8 mil), Estônia (US$ 12,3 mil) e Espanha (US$ 12,5 mil) e até ultrapassa países como a Itália (US$ 11,5 mil), República Checa (US$ 10,5 mil) e Polônia (US$ 9,7 MIL). A média do valor gasto pelos países da OCDE para cada aluno universitário por ano é de US$ 16,1 mil. Este valor é elevado por conta de países como Estados Unidos, Noruega, Luxemburgo e Reino Unido que gastam mais.

Nos últimos estudos, a OCDE tem destacado que o Brasil vem aumentando seus investimentos em educação. Para se ter uma ideia, os gastos em educação totalizaram 4,9% do PIB brasileiro, segundo o último dado disponível, enquanto a média dos países da OCDE é de 5,2% do PIB. A OCDE, entretanto, vem afirmando que é preciso aumentar os gastos por aluno do ensino fundamental e médio, que estão bem abaixo do considerado ideal pela organização.

Fontes:
BBC-OCDE: Brasil está entre os que menos gastam com ensino primário, mas tem investimento ‘europeu’ em universidade

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4 Opiniões

  1. Daniela Villa disse:

    Esses valores poderiam ser dados diretamente aos alunos para que eles pagassem a instituição particular de sua escolha; o ganho em horas/aula seria imediato, os outros viriam em seguida.

  2. Markut disse:

    O grande x da questão parece ser a inversão total na alocação dos recursos destinados à Educação.
    Universidades Federais, sem base escolar básica adequada, que é o que está acontecendo, equivale à apetitosa cereja sobre um bolo murcho.
    E base escolar básica adequada é dever de Estado e não de gestões , sucessivamente empoleiradas no poder, graças, em grande parte,exatamente, à falta de preparo do eleitor ,incapaz de discernir o joio do trigo.
    O resultado está aí: muito joio e pouco trigo,nos poderes constituidos, neste arremedo democrático deste populismo predador que nos cerca.
    Vale insistir na experiência bem sucedida da Coreia do Sul que, em algo como 60 anos, conseguiu transformar uma cultura medieval em um dos bem sucedidos tigres asiáticos, em franco confronto com o atraso da ditadura insana da vizinha Coreia do Norte.

  3. laercio disse:

    O Brasil joga dinheiro no lixo quando gasta com educação. Faça uma entrevista com um garoto de 13 anos que seja da periferia, não sabem interpretar textos, tabuadas, e detém pouco conhecimento sobre questões gerais.
    Nosso modelo de educação pública é falido sob vários aspectos, e isto é proposital, tem muita gente lucrando com a desgraça no Brasil.
    A militarização das escolas e menos regalias para jovens infratores é o mínimo que o Brasil deve fazer para guardar a honra de cada um.

  4. Hani Camille Yehia disse:

    Se o Brasil dobrar o piso salarial do ensino fundamental e médio, que hoje está em torno de 2200 reais, em um período historicamente curto de 10 ou 20 anos terá atraído um corpo docente bem mais qualificado que o atual. A melhora da qualidade surgirá naturalmente como consequência. O preço disso é de algo em torno de 40 bilhões de reais por ano, nada absurdo para um país que arrecada mais de 2 trilhões de reais por ano. Sem tal medida, não há reforma de ensino médio ou fundamental que venha a ser realmente efetiva para melhorar a qualidade do ensino. Hoje, o corpo docente dos ensinos fundamental e médio é formado por professores cuja renda complementa a renda da família, por professores que trabalham 3 turnos e por professores que não encontraram outra posição de trabalho.

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