Início » Brasil » Brasil muda política de acolhimento de refugiados
CRISE DOS REFUGIADOS

Brasil muda política de acolhimento de refugiados

Enquanto o governo da presidente afastada negociava para receber mais refugiados sírios, o governo interino resolveu suspender as negociações

Brasil muda política de acolhimento de refugiados
Michel Temer e Alexandre de Moraes (Foto: Flickr/Beto Barata /PR)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

O governo brasileiro mudou a política de “braços abertos” para o acolhimento de refugiados. Em 2013, o governo passou a facilitar o ingresso de sírios ao permitir que eles viajassem ao Brasil com um visto especial, que é mais fácil de obter. Além disso, em março, o então ministro da Justiça Eugênio Aragão disse a jornalistas que o país poderia acolher cerca de 100 mil refugiados nos próximos cinco anos e que a negociação tinha o respaldo da presidente, agora afastada, Dilma Rousseff. No entanto, o governo interino de Temer resolveu suspender as negociações com a União Europeia para receber famílias refugiadas da guerra na Síria.

Leia mais: Brasil se oferece para receber parte dos refugiados sírios da Alemanha

Durante a gestão do ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão, o Brasil buscava obter recursos internacionais para alojar cerca de 100 mil pessoas que fugiram do conflito. O Brasil e União Europeia ainda não haviam definido valores nem de onde os refugiados viriam, já que muitos estão vivendo em condições precárias em acampamentos no Líbano, Jordânia e Turquia.

A iniciativa do ex-ministro tinha sido recebida com reserva pelo Itamaraty. Em conversas internas, o órgão dizia que, em vez de facilitar a vida dos europeus, que estavam recebendo um enorme número de refugiados, o Brasil deveria pressionar a União Europeia a ser mais generosa com refugiados e imigrantes.

Segundo fontes da BBC Brasil, a suspensão das negociações foi ordenada pelo novo ministro da Justiça, Alexandre de Moraes. A decisão segue uma nova postura do governo quanto à recepção de estrangeiros e à segurança das fronteiras. Para Camila Asano, coordenadora de relações internacionais da ONG Conectas, “embora o país passe por restrições econômicas, ainda somos uma das principais economias do mundo e não há nenhuma desculpa para que o governo interino reduza os esforços para acolher refugiados”.

De acordo com o governo, a estratégia busca coibir a entrada de armas e drogas e combater a violência dentro do país. Para Asano, entretanto, “as fronteiras também são espaços onde as pessoas passam, e a imigração é um direito humano. Uma política de securitização intensa pode violar direitos humanos e sobretudo os direitos de imigrantes”.

O deslocamento de sírios ocasionou a maior crise humanitária dos últimos 70 anos e tem gerado discussões internacionais sobre a violação dos direitos humanos dos refugiados. Muitos acabam morrendo afogados ao tentar chegar à Europa em barcos superlotados. A iniciativa brasileira era considerada exemplar pelo Acnur, agência da ONU para refugiados. Além disso, a postura brasileira contrastava com a de várias nações que vêm endurecendo suas políticas migratórias por conta das preocupações com a segurança.

 

Fontes:
BBC-Governo Temer suspende negociação com Europa para receber refugiados sírios

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

3 Opiniões

  1. Rafael disse:

    Essa matéria está tendenciosa.
    A opinião do entrevistado é parcial, só visa o benefício dos (refugiados).
    Não leva em conta que nossa própria casa está uma bagunça. Como poderemos receber visitantes nessa situação?
    Quem garante que essas pessoas são mesmo refugiados da Síria?
    Suas atitudes na Europa, mostra o contrário.
    Parecem mais invasores do que necessitados.

  2. Lusmar disse:

    Estou de pleno acordo com a nova medida adotada pelo governo.
    Vivo em uma região de fronteiras com a Bolívia e quero aqui ressaltar que se dever proibir não somente a entrada de Sírios ou pessoas oriundas de campos de refugiados mas se dever freia a entrada de todo tipo de estrangeiros que tem migrado para o Brasil .
    Esta migração descontrolada tem tirado postos de trabalho do profissional nacional o qual vem sofrendo duras perdas em praticamente todos os níveis de formação.
    Em Rondonia , Acre e outros estados do norte os postos de trabalhos na construção civil na limpeza publica realizada por empresas que terceirização junto as prefeituras hoje são ocupados praticamente somente por Haitianos.
    Já se soma mais de onze milhões de desempregados Brasileiros que agora precisam lutar por uma vaga com os imigrantes que na maioria das vezes tem mas vantagens que o Brasileiro

  3. Dedé Penha disse:

    Um problema muito sério. E nós fomos invasores históricos no Oriente Médio. Primeiro com as Cruzadas, depois pelo petróleo. Nada mais justo do que nossa ajuda depois de interferirmos tanto no País deles. Afinal onde fica a solidariedade e caridade humana?

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *