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DECLARAÇÕES POLÊMICAS

Brasil não terá mudança rápida ‘por vias democráticas’, afirma Carlos Bolsonaro

Simpática ao autoritarismo, a declaração do filho do presidente Jair Bolsonaro foi alvo de repúdio por parte de parlamentares

Brasil não terá mudança rápida ‘por vias democráticas’, afirma Carlos Bolsonaro
Declarações de Carlos Bolsonaro geraram críticas (Fonte: Caio César/CMRJ/Agência Brasil)

Em sua conta no Twitter, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, afirmou nesta segunda-feira, 9, que “a transformação que o Brasil quer” não acontecerá na velocidade almejada “por vias democráticas”.

Em sua conta no Twitter, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, afirmou na última segunda-feira, 9, que “a transformação que o Brasil quer” não acontecerá na velocidade almejada “por vias democráticas”.

A afirmação foi encarada por parlamentares e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) como uma ofensa ao sistema democrático brasileiro.

Foto: Carlos Bolsonaro/Twitter

Em declaração ao jornal Folha de S.Paulo, o presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, afirmou que “não há como aceitar uma família de ditadores […] É hora dos democratas do Brasil darem um basta. Chega”.

O vereador Carlos Bolsonaro também escreveu em sua conta no Twitter que o governo Bolsonaro “tenta nos recolocar nos eixos”, mas que os avanços são “ignorados” e os “malfeitores esquecidos”.

As declarações de Carlos Bolsonaro geraram críticas e o vereador voltou a se manifestar na rede social: “Agora virei ditador? Pqp! Boa noite a todos”.

Uma pesquisa Datafolha feita em agosto revelou que 70% dos entrevistados acreditam que os filhos do presidente Jair Bolsonaro mais atrapalham do que ajudam seu governo.

Críticas

O PSDB manifestou repúdio às declarações de Carlos Bolsonaro, ressaltando que “a democracia é a única opção possível”. Já o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), se afastou de críticas diretas, mas saiu em defesa da democracia.

“Sem entrar na polêmica, eu penso o oposto. Só com a democracia é que nós podemos ter um país soberano, livre e capaz de produzir políticas sociais e políticas econômicas. É só com a democracia, não há nenhum outro caminho possível para o país. E eu estarei ao lado dos democratas”, afirmou, segundo noticiou a Folha de São Paulo.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), por sua vez, também não falou diretamente a Carlos Bolsonaro, mas, através das redes sociais, destacou que apenas através da democracia “conduziremos o Brasil ao crescimento, reduzindo desigualdades sociais e respeitando as liberdades individuais e coletivas”.

Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), destacou que declarações em relação ao enfraquecimento da democracia merecem “desprezo”. Em seguida, o parlamentar reforçou toda a sua confiança na democracia e nas instituições democráticas brasileiras.

O ex-presidenciável Guilherme Boulos (Psol), por sua vez, afirmou que Carlos Bolsonaro “expressa o chorume mais autoritário e doentio”. Já o vice-presidente e presidente em exercício, general Hamilton Mourão, classificou a democracia como “fundamental”. Ao ser questionado diretamente sobre a declaração de Carlos Bolsonaro, Mourão apenas afirmou que é “problema dele”.

Enquanto isso, a vereadora Janaína Lima (Novo-SP) afirmou que “quem troca democracia por velocidade, troca liberdade por autoritarismo”, destacando que “críticas e cobranças fazem parte de todo governo”.

Em defesa do vereador

Diante das inúmeras críticas, Carlos Bolsonaro voltou a usar as redes sociais para se defender. Através de uma postagem feita no início da tarde desta terça-feira, 10, o vereador disse que sua afirmação “é um fato” e acusou a imprensa de estar deturpando sua afirmação.

“O que falei: por vias democráticas as coisas não mudam rapidamente. É um fato. Uma justificativa aos que cobram mudanças urgentes. O que jornalistas espalham: Carlos Bolsonaro defende ditadura. CANALHAS!”, escreveu.

Já o deputado estadual Gil Diniz (PSL-SP) saiu em defesa de Carlos Bolsonaro, destacando que o vereador do Rio de Janeiro “disse o óbvio, mas, estão tentando travestir suas palavras”. O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Filipe G. Martins, reforçou que Carlos Bolsonaro “está coberto de razão”.

“Por isso mesmo, @CarlosBolsonaro está coberto de razão ao soar o alarme contra os falsificadores da realidade, fabricadores de narrativas e vendedores de ilusão que cobram do Governo atual uma celeridade impossível a um governo que não se entrega a esquemas ou conchavos”, escreveu Martins.

Fontes:
Folha de S.Paulo - Carlos Bolsonaro diz que país não terá transformação rápida por vias democráticas

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2 Opiniões

  1. Roberto Henry Ebelt disse:

    As mudanças necessárias, por vias democráticas, não acontecerão nem rapidamente nem lentamente. Sofremos uma ditadura de políticos desonestos e um poder judiciário totalmente apodrecido. Depois de 30 anos de bagunça institucionalizada e com uma Desconstituição como a que temos é muito otimismo almejar mudanças democráticas. Mais de 40.000.000 de pessoas votaram no PT. Bilhões foram tirados da pobreza e enveredaram para os bolsos dos nossos políticos. Alguém acha que eles vão aprovar leis que os prejudiquem??? E se aprovarem, o STF anula o que for capaz de prejudicá-los. ABRAMOS OS OLHOS. A situação agora é de dois poderes (judiciário e legislativo) contra 1 poder (o executivo). Se o quarto poder (a força militar) não ajudar o executivo continuaremos assim eternamente.

  2. Salim disse:

    DEMOCRACIA RÁPIDA?

    “Estão fazendo um alarde por uma declaração mais do que correta do “02”, Carlos Bolsonaro. Quem interpreta esse texto como “defesa de ditadura” é um analfabeto funcional, um estúpido.

    Na democracia brasileira pura, hígida, saudável, as mudanças são lentas. E bastante lentas mesmo. A estrutura do Estado é tão grande, que a engrenagem do sistema democrático, para girar, precisa de muito tempo.

    Vejam por exemplo a PEC da Previdência: estamos indo para o término do 1º ano de Governo e ainda não foi aprovada pelo Parlamento. Vejam os projetos de lei, como demoram para serem convertidos em lei, já que precisam passar por inúmeras comissões, e várias sessões deliberativas, antes de serem votados em plenário. Vejam a implantação de políticas públicas, que muitas vezes são questionadas no Judiciário e ficam em suspenso.

    Assim é o nosso modelo democrático. O reconhecimento de centenas de direitos constitucionalizados, lá no final dos anos 80, deu nisso: Estado inchado, com dezenas de órgãos da Administração Direta e Parlamento com 600 componentes.

    A democracia “rápida” que muitos brasileiros esperam não existe. Ela existiu no passado, nos governos PT e PSDB, e sabemos a que custo ela era veloz: da distribuição de recursos, do loteamento dos cargos governamentais, e do saque ao orçamento do Estado.

    Esse modelo de resultados rápidos não virá, a não ser com uma ruptura institucional, ruptura essa que jamais acontecerá com Jair Bolsonaro, que já demonstrou ser uma pessoa que segue à risca o regime democrático em vigor.

    Com efeito, essa “democracia rápida” (e tudo o que ela envolve) não combina com o método de governar de Jair Bolsonaro, mas sim da própria extrema-esquerda e os seus aliados, que dominaram o cenário político até o final do ano passado.

    A verdade é que, a despeito do que dizem, o Presidente Jair Bolsonaro vem fortalecendo a democracia brasileira, com a separação total entre os Poderes e o fortalecimento das instituições, interrompendo a relação promíscua que existia antes.

    Ele está levando “Montesquieu” ao pé da letra, no Brasil. E o preço que estamos pagando é esse aí, que Carlos Bolsonaro descreveu tão bem: mudanças estruturais muito lentas, e a “roda girando”, a engrenagem funcionando contra nós mesmos.

    Mas é muito melhor um governo como esse que Bolsonaro vem fazendo, sem corrupção inter-poderes, e sem o viés anti-democrático de antes, do que a “democracia rápida” que almejam alguns.

    As mudanças têm que ser graduais e, principalmente, estruturais. Por isso que eu digo: se 4 anos é muito para um Governo ruim, é pouco para um Governo bom.

    Temos que conduzir Bolsonaro a um segundo mandato, para que ele prossiga nas reformas estruturais necessárias ao país.”

    Guillermo Federico Piacesi Ramos,
    10/9/2019

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