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SISTEMA INEFICIENTE

Brasil necessita de uma reforma política, diz ‘Economist’

Revista afirma que o atual sistema político brasileiro se exauriu e que o país necessita urgentemente de uma profunda reforma

Brasil necessita de uma reforma política, diz ‘Economist’
Revista critica coalizões partidárias e o grande número de partidos (Foto: Rodolfo Stuckert/Câmara dos Deputados)

O sistema político brasileiro necessita urgentemente de uma reforma. É o que conclui um artigo publicado nesta quinta-feira, 30, pela revista Economist. No texto, a revista chama atenção para o número de políticos em exercício envolvidos em casos de corrupção, sendo alguns deles do ministério do presidente Michel Temer.

“’Decência já!’. A frase, escrita em um cartaz em um protesto em São Paulo no dia 26 de março, resume o que os brasileiros querem de seus políticos. Eles podem esperar o oposto. Rodrigo Janot, o procurador-geral da República, pediu ao STF a abertura de 83 inquéritos referentes a parlamentares suspeitos de receber bilhões de dólares em propina de empreiteiras. […] Oito ministros de Michel Temer, presidentes das duas Casas do Congresso e nomes de alto escalão dos principais partidos aparentemente estão na lista. Somam-se a isso as dezenas de parlamentares cujo envolvimento na Lava Jato já foi descoberto”, diz o texto.

O artigo afirma que as revelações de corrupção levaram a população a discutir formas de eleger políticos mais honestos. Segundo a revista, é aí que está o problema. Isso porque o sistema político vigente preza pela diversidade em detrimento da qualidade. “Qualquer partido que consiga 486 mil assinaturas (em um eleitorado de 143 milhões) tem direito a fundo partidário e tempo de propaganda na televisão. […] Deputados e senadores representam estados inteiros, em vez de distritos, o que torna as campanhas caras, encoraja a corrupção e enfraquece os laços entre eleitores e seus representantes”, diz a revista.

Segundo texto, a Constituição de 1988 foi criada de forma a dar voz a todos em um país de proporções continentais. Porém, resultou em cacofonia. “A maioria dos 28 partidos políticos não tem uma ideologia ou programa de governo detalhado. Quase metade dos eleitores brasileiros esquece o candidato que escolheu poucos meses após as eleições”.

A revista cita ainda a coalizão partidária e a troca de favores como a forma encontrada pelos presidentes do país para obter a lealdade dos parlamentares em votações no Congresso. Segundo o texto, esse modelo se exauriu e precisa ser revisto. No entanto, apenas o Judiciário vem tomando ações para isso.

“A maioria das inovações na política tem vindo do Judiciário. Em 2007, o STF decidiu que parlamentares devem abdicar do cargo para trocar de partido. Em 2015, o tribunal baniu doações de empresas a partidos”, diz o texto.

O artigo finaliza afirmando que o STF não pode fazer tudo sozinho, e que os parlamentares devem “reformar a si mesmos”. No entanto, o fato de o pedido por reforma política ter chegado às ruas já é uma boa notícia. “Isso significa que ela pode, de fato, acontecer”, diz a revista.

Fontes:
The Economist-Upgrading Brazil’s political class

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1 Opinião

  1. laercio disse:

    Precisamos de uma reforma política mas existem forças ocultas de grupos interessados na manutenção do atual estado de partifárias em que vivemos…
    Não é possível que um pequeno grupo fique dominando os interesses do povo!

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