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Brasil, o país dos desastres evitáveis

Além das vidas perdidas, todas estas tragédias têm em comum a impunidade dos eventuais responsáveis

Não é preciso grande esforço de memória para listar um inventário de tragédias ocorridas no país que afligiram nossos corações nos últimos 50 anos. Mesmo que o leitor não tenha idade suficiente, certamente já deve ter ouvido falar do desabamento do pavilhão da Gameleira, em Belo Horizonte – que matou 65 operários, em fevereiro de 1971 -, ou da queda do elevado da Avenida Paulo de Frontin, no Rio de Janeiro, em novembro daquele mesmo ano, deixando um saldo de 29 mortos – esmagados em seus carros por um vão de concreto. Em 1974, em São Paulo, 187 pessoas morreriam no incêndio do Edifício Joelma.

Dando um salto no tempo – e já neste século –, foi marcante o naufrágio da plataforma de petróleo P-36 na costa Norte do estado do Rio de Janeiro – levando para o fundo do mar 11 profissionais da Petrobras. Em 2015, a histórica cidade mineira de Mariana entraria no catálogo de catástrofes com os 19 mortos devido ao rompimento da barragem de rejeitos de mineração da Samarco. Já em 2019, os 339 entre desaparecidos e mortos do rompimento da barragem de rejeitos da Vale, na também mineira Brumadinho, poderiam sinalizar um respiro na cota anual de acontecimentos em que a incompetência colide com o infortúnio. Mas não. Duas semanas depois, a morte de dez meninos no Centro de Treinamentos do Flamengo mostra que somos mesmo um país inconsequente – incapaz de prevenir desastres e evitar sinistros.

A voz e a vez de Raquel Dodge

Além das vidas perdidas, todas estas tragédias têm em comum a impunidade dos eventuais responsáveis. Ninguém foi preso ou condenado e as famílias das vítimas ainda aguardam por indenizações. Vez por outra, uma voz oficial se levanta, mas, logo adiante, o silêncio prevalece diante da perspectiva de que um próximo acontecimento sensacional – para o bem ou para o mal – roube os holofotes e o interesse do evento anterior. Na última sexta-feira (8), foi a vez – e a voz – da procuradora-geral da República representar esse papel.

Em discurso durante sessão do Conselho Superior do Ministério Público, Raquel Dodge disse que “o país passa por uma sucessão de fatos e desastres evitáveis e preveníveis”. Após o desabafo e as condolências, a PGR sugeriu que precisamos estar atentos a estes episódios para que as instituições de controle, fiscalização e punição realmente funcionem no Brasil.

Desta vez, no entanto, ela foi um pouco além. Dodge acelerou na defesa de medidas para a prevenção de desastres e apontou que a Justiça deve funcionar para obter a reparação do dano às vítimas. Mais adiante, no entanto, a procuradora esbarrou na cantilena de que é necessário que “o Ministério Público Federal se estruture de forma adequada a resolver problemas antigos, problemas de alta complexidade, problemas crônicos que pendem de solução”.

É fato que a procuradora-geral da República busca uma Justiça brasileira mais eficaz. Mas a morosidade em fazer cumprir a lei, bem sabemos, integra a lista de nossas maiores calamidades.

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3 Opiniões

  1. Almanakut Brasil disse:

    O pior, são os desastres inexplicáveis ou que tem um desfecho que o povo tem que engolir!

  2. BS disse:

    Lembro da chuva que destruiu a serra fluminense e muito tempo depois nada tinha sido reparado.

  3. carlos alberto martins disse:

    considerando que toda a fiscalização tem seu suborno,nada será evitado.voltaremos a ter muitas tragédias.enquanto imperar a trambicagem oficial,o Brasil será sempre vítima de tragédias,sempre com o beneplácito olhar de nóssas autoridades.

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