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Brasil perde mais de R$ 6,5 bilhões por ano por mudanças climáticas

Apesar de não sofrer tanto com os eventos climáticos, país registra grandes prejuízos e alto número de mortes devido às mudanças climáticas

Brasil perde mais de R$ 6,5 bilhões por ano por mudanças climáticas
Em média, mais de 145 mil pessoas morrem devido aos eventos no Brasil (Foto: Agência Brasil)

O Brasil é o 18º país que mais registra prejuízos anuais ligados às mudanças climáticas. Em média, anualmente, nos últimos 20 anos, o país perdeu mais de R$ 6,5 bilhões (US$ 1,71 bilhões). Os dados são de um estudo da Germanwatch, apresentado durante a 24ª Conferência do Clima (COP-24), que acontece em Katowice, no sul da Polônia.

Apesar dos grandes prejuízos, o Brasil não está nem entre os 70 países que mais sofreram com mudanças climáticas em 2017. Neste ranking, o país ocupa apenas a 79ª posição. Se contabilizados os óbitos ligados a esse tipo de evento, o Brasil ocupa a 24ª posição do ranking referente, com uma média de 145,6 mil mortes por ano, nos últimos 20 anos, uma média de 0,077 para cada 100 mil habitantes.

Mesmo assim, o Brasil não sofreu com mudanças climáticas extremas – como tempestades, inundações, ciclones, furacões e ondas de calor – ao longo de 2017. No ano em questão, o país registrou apenas 30 mortes, cerca de 0,014 para cada 100 mil habitantes, com prejuízos de pouco mais de R$ 1 bilhão (US$ 264,46 milhões).

No entanto, de acordo com David Eckstein, principal autor do estudo da Germanwatch, em entrevista à Folha de São Paulo, a situação do Brasil pode ser ainda mais grave do que a pesquisa sugere. Isso porque a instituição só contabilizou perdas diretamente ligadas às mudanças climáticas extremas, não contabilizando os dados da seca, por exemplo.

“A seca afeta a macroeconomia: o agronegócio, a segurança alimentar, o abastecimento hídrico e geração de energia elétrica. […] Mas o que causa mais mortes é o excesso de chuvas, com deslizamentos de terra e inundações”, explicou o climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), à Folha, destacando ainda que os eventos climáticos se acentuaram no Brasil nos últimos 12 anos.

Segundo Nobre, o Sudeste viveu a sua pior seca histórica em 2014, enquanto a Brasília registrou o mesmo fenômeno, também a mais grave, em 2016. Já na Amazônia foram registradas três grandes secas, em 2005, 2010 e 2015. Por outro lado, a região teve intensas inundações em 2009 e 2012. O Nordeste, por sua vez, teve o seu pior ciclo de chuvas da história entre 2012 e 2017.

Números totais

Os que registraram maiores prejuízos em 2017 foram os Estados Unidos (US$ 177,98 bilhões), China (US$ 36,60 bilhões), Índia (US$ 12,82), Tailândia (US$ 7,89 bilhões) e Porto Rico (US$ 5,03 bilhões). Porto Rico, que é território dos EUA, também lidera o ranking dos que mais sofreram com as mudanças climáticas em 2017, seguido por Sri Lanka, Dominica, Nepal e Peru.

O ano de 2017 totalizou uma perda global de US$ 375 bilhões, sendo o principal período com as maiores perdas econômicas já registradas. Ao todo, de 1998 a 2017, foi registrado um prejuízo de cerca de US$ 3,47 trilhões. No mesmo período, foram registradas 526 mil mortes ligadas a 11,5 mil eventos climáticos extremos.

“Países como Haiti, Filipinas, Sri Lanka e Paquistão são repetidamente atingidos por eventos climáticos extremos e não têm tempo para se recuperar totalmente. É importante apoiar esses países na adaptação às mudanças climáticas – mas isso não é suficiente. Eles precisam de apoio financeiro confiável para lidar com a perda e os danos induzidos pelo clima”, conclui Eckstein.

Cúpula da ONU

Já pensando no próximo ano, os participantes da COP-24 já falam sobre a Convenção das Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (UNFCCC, na sigla em inglês), prevista para o dia 23 de setembro de 2019, em Nova York, nos Estados Unidos. O evento tem como objetivo tratar das mudanças climáticas com políticos do alto escalão.

“Estamos realizando o evento durante a semana de alto nível da Assembleia Geral da ONU para garantir que tenhamos tantos chefes de Estado e chefes de governo quanto possível”, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. São aguardados mais de 100 líderes nacionais no evento.

A cúpula vai focar suas ações em seis áreas principais: investimento em energia renovável; redução da emissão de indústrias; utilizar a natureza como solução para eventos climáticos; criação de cidades sustentáveis e ação local; resiliência às mudanças climáticas; e financiamento de ações climáticas.

 

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