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Morosidade brasileira

Brasil perdeu 112 estudos de novos remédios no ano passado

Pesquisas clínicas são canceladas pela morosidade dos órgãos federais. Em média país leva um ano para aprovar o estudo de uma nova droga

Brasil perdeu 112 estudos de novos remédios no ano passado
Entre as razões da lentidão está o reduzido contingente de técnicos nas áreas competentes (Reprodução/internet)

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A demora na aprovação de pesquisas clínicas pelas autoridades federais deixou o país fora de 112 estudos de novos medicamentos em 2013, de acordo com dados anunciados durante evento de lançamento da Aliança Pesquisa Clínica Brasil, entidade que reúne profissionais, pacientes e a indústria do setor para debater e aprimorar os processos de pesquisa no Brasil.

Segundo a entidade, o tempo médio para aprovação do estudo de uma nova droga por aqui é de aproximadamente um ano, contra 60 dias, em média, em países como Austrália, Estados Unidos e nações europeias. Para ser aprovado no país o estudo precisa passar pelo crivo da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Membro do comitê, Vitor Harada explica que pelo volume da população e da economia, o Brasil costuma ser convidado a participar de grandes pesquisas, porém, como estas ocorrem simultaneamente em diversos países “nós acabamos perdendo o prazo e a nossa participação é cancelada”, conta.

Para Sérgio Nishioka, coordenador de pesquisa clínica do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, entre as razões da lentidão está o reduzido contingente de técnicos nas áreas competentes. “Na Anvisa, são seis ou sete técnicos para avaliar todos os pedidos. Na Conep, são 26 membros, mas todos são voluntários”, explica.

 

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5 Opiniões

  1. Mauricio Fernandez disse:

    Uma CPI que o país pede a décadas é a da ANVISA. É necessário que se abra a “caixa preta” da ANVISA pois envolve ações que representam bilhões de dólares.

  2. Mauricio Fernandez disse:

    Em tempo; inacreditável, com número tão reduzido de técnicos e demais funcionários a ANVISA faz verdadeiros milagres. Consegue identificar e tirar do mercado em questão de dias um simples xarope caseiro em qualquer ponto do país. Faz milagres pela saúde do brasileiro. Então já sabem; se adoecerem uma simples oração apelando para os milagres da ANVISA resolve o problema.

  3. helo disse:

    Tantos ministérios e faltam técnicos nas pesquisas? Na Conep são só 23 que trabalham voluntariamente? Que triste!

  4. Miguel Meira disse:

    Porquê eu não consigo mais encaminhar uma notícia publicada no O&N para uma pessoa que possui e-mail.
    O envio por e-mail deixou de funcionar. O que aparece é: Bookmark & Share. Não sei como isto funciona para quem só pode receber por e-mail. Por e-mail já reenviei centenas de notícias do O&N

  5. GREYCE LOUSANA disse:

    AUDIÊNCIA PÚBLICA DEBATEU DEMORA NA LIBERAÇÃO DE PESQUISA CLÍNICA , por Greyce Lousana*

    Em Audiência Pública realizada dia 28/4 pelo Fórum Permanente dos Membros de Comitês de Ética e Profissionais em Pesquisa do Município de São Paulo foi amplamente discutida a demora na liberação de pesquisas clínicas no Brasil. Os membros do Comitê devem encaminhar um ofício ao Senado Federal e à Comissão de Ética em Pesquisa com uma revisão da resolução 466/12 que regulamenta pesquisas em seres humanos. Para o Vereador Paulo Frange, que abraça a causa e conduziu os trabalhos, é muito importante a criação de um marco regulatório para o setor, que já está sendo discutido em Brasília.

    A SBPPC – Sociedade Brasileira de Profissionais em Pesquisa Clínica – entidade que tem participado ativamente e apoiado mobilizações como esta, espera que as autoridades competentes se sensibilizem e atendam aos apelos frenéticos de quem depende das pesquisas para viver. É preciso parar com o jogo de empurra que só aumenta a burocracia e a morosidade. Nossa grande expectativa é fazer com que as pessoas que têm competência para legislar e promover Normas entendam que o processo de condução de pesquisas é muito abrangente e interministerial. Conduzir pesquisa significa desenvolver novos medicamentos, vacinas, cosméticos, alimentos, próteses e também pesquisas nas áreas de ciências sociais, humanas etc. Então, esperamos que as autoridades presentes saiam daqui sensíveis ao problema e entendam que estamos bastante preocupados com esse “imbroglio” administrativo.

    O Brasil está engessado para pesquisas, perdendo competitividade, divisas, pacientes vítimas de inúmeras doenças, principalmente o câncer e oportunidades de registros de patentes nacionais. É uma bola de neve. As dificuldades só aumentam e os incentivos governamentais só diminuem. Menos treinamento diminuem as chances de qualificações de outras instituições brasileiras. O país conduz pesquisas com seres humanos há bastante tempo, mas ainda tem uma série de gargalos que fazem com que o país hoje perca uma série de projetos; as universidades, às vezes, deixam de cumprir algumas regras que não foram pensadas para certos estudos acadêmicos; perdemos empregos, pois a indústria farmacêutica não quer se instalar no Brasil; perdemos pesquisas em que há a intenção de incluir pacientes brasileiros; perdem os pesquisadores que não conseguem trazer tecnologia inovadora, mas principalmente perde o paciente que fica sem a opção de um tratamento de ponta.

    Nesse sentido nos cabem algumas reflexões importantes: a população brasileira corre risco de saúde, já que são feitas pesquisas sem referências do biotipo dos brasileiros para a produção de medicamentos e tratamentos? Qual o reflexo disso nas próximas gerações?

    *Dra. Greyce Lousana é Presidente Executiva da SBPPC e diretora da INVITARE Pesquisa Clínica.

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