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Crise de refugiados

Brasil poderia receber 50 mil refugiados, diz professor da FGV

Em artigo publicado no 'New York Times', professor Oliver Stuenkel afirma que medida beneficiaria a economia e ajudaria o país em sua busca por proeminência global

Brasil poderia receber 50 mil refugiados, diz professor da FGV
Em 1990, os imigrantes eram 7,3% da população. Atualmente esse percentual caiu para 0,3% e continua a descer (Foto: ACNUR)

O Brasil poderia acolher 50 mil refugiados, sem gerar uma onda de xenofobia, e a medida ainda teria um impacto benéfico na economia do país.

A conclusão é de uma artigo publicado no New York Times nesta terça-feira, 15, por Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. Segundo Stuenkel, a crise de refugiados é uma oportunidade para países emergentes, como Brasil, se tornarem atores globais.

O texto lembra que Líbano, Turquia e Jordânia são os países mais afetados pela crise, com mais de 3,6 milhões de refugiados. O número é muito mais alto do que o registrado pela Europa, onde o número de pedidos de asilo representa apenas 0,2% do total de habitantes do continente.

Segundo Stuenkel, países ricos deveriam fazer mais para solucionar a crise de refugiados, “mas os países em desenvolvimento, especialmente os que têm ambições globais, também deveriam dar uma contribuição significante para a segurança global, ao acolher um grande número de refugiados”.

“Governos latino-americanos anunciaram que vão acolher mais refugiados sírios, mas o número ainda é insignificante. Considerando a população brasileira de 200 milhões de habitantes, mesmo dobrando o número de refugiados que o país já aceitou (menos de 8 mil) teremos menos do que o esperado de  um país que tem o  objetivo de assumir um papel de liderança em questões internacionais – e que é o lar de 10 milhões de pessoas de ascendência árabe”, diz Stuenkel.

O artigo mostra que em 1990 os imigrantes eram 7,3% da população. Atualmente, esse percentual caiu para 0,3% e continua a descer. “O Brasil poderia receber 50 mil refugiados, sem gerar uma onda de xenofobia; e ainda ajudaria a economia ao reduzir o problema crônico do Brasil da falta de profissionais qualificados e estimularia a inovação. O apoio financeiro poderia ser requisitado aos países ricos que não querem acolher refugiados, como Japão, China e Arábia Saudita.”

Stuenkel finaliza o texto afirmando que outros países do continente, como Argentina e México, deveriam reconhecer que a crise de refugiados no Oriente Médio não é regional, mas sim global, e pede uma resposta mais ampla. “À medida que o mundo enfrenta a maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial, nunca houve um melhor momento para assumir a liderança na questão e reforçar suas demandas por um papel global mais proeminente.”

Fontes:
The New York Times-The Refugee Crisis Presents a Chance for Emerging Countries Like Brazil to Be Players

2 Opiniões

  1. carlos alberto martins disse:

    caro professor Oliver.não sou contra receber refugiados ,pois os mesmos iriam repartir com o nosso povo,a falta de moradias,segurança,educação escolar,saude ,entre tantos outros sofrimentos que o brasileiro vem sofrendo.quanto a sua afirmação de que eles viriam suprir a nossa falta de profissionais é que o sr desconhece o grande número de excelentes profissionais que estão até vendendo pipoca e salgadinhos nas ruas para poderem sobreviver a crise que estamos vivendo.por favor tenha maior empenho em poder resolver nossos problemas internos,para depois ajudar-mos aqueles que sofrem sob o jugo de seus carrascos ditadores.

  2. Isaias Ortolan disse:

    Quem deveria pagar essa conta é Inglaterra, espanha, Italia e,França e principalmente Alemanha + EUA e Canada. Foram eles que arrebentaram com a Libia, Egito, Iraque por ultimo Síria. Criaram o problema ,estão roubando esses paises, agora que embalem a “criança”!!!

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