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Estiagem

Brasil precisa buscar novas formas de captação de água, diz especialista

Para Glauco Kimura de Freitas, governo precisa fazer investimentos diversificados para suprir a demanda durante momentos de crise

Brasil precisa buscar novas formas de captação de água, diz especialista
Governo de São Paulo foi avisado em 2004 que o sistema Cantareira estava sobrecarregado e nada fez para solucionar o problema (Foto: Reprodução/Internet)

Segundo o biólogo e Coordenador do Programa Água para a Vida do WWF-Brasil, Glauco Kimura de Freitas, os governantes foram negligentes em relação à questão do abastecimento. Agora, é preciso que o país busque novas fontes de captação de água, como proteger os mananciais e as nascentes do entorno das cidades e reutilizar água da chuva para necessidades secundárias.

Glauco Kimura de Freitas, Coordenador do Programa Água para a Vida do WWF-Brasil. (Foto: Reprodução/Internet)

Glauco Kimura de Freitas, Coordenador do Programa Água para a Vida do WWF-Brasil. (Foto: Reprodução/Internet)

Em entrevista ao Opinião e Notícia nesta sexta-feira, 30, Kimura revelou  que a atual crise hídrica que afeta as principais cidades da região Sudeste do país está anunciada há mais de uma década. Já em 2004, o Plano Diretor da Macrometrópole de Recursos Hídricos alertou que o sistema Cantareira estava sobrecarregado. No mesmo ano, o governo federal requisitou que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) buscasse novas formas de captação de água durante a renovação da outorga de direito de uso de recursos hídricos do Sistema Cantareira.

“Houve negligência do governo federal também. Em 2011, a Agência Nacional de Águas (ANA) lançou o Atlas de Abastecimento Urbano, que sugeriu um investimento de R$ 22 bilhões para reduzir o risco de falta de abastecimento em mais de 3 mil cidades do país e nada foi feito”, disse Kimura.

O pesquisador defende que é necessário iniciar imediatamente as medidas de proteção aos mananciais, que podem significar uma economia no tratamento de água e um aumento na disponibilidade de recurso. Em Nova York esse método reduziu os custos de tratamento de US$ 8 bilhões para US$ 1,5 bilhão no período de uma década.

Medidas de crise são corretas

A falta de planejamento tornou as medidas de emergência necessárias no curto prazo, diz Kimura. Em São Paulo, por exemplo, medidas de racionamento foram oficialmente adotadas e uma multa de 30% aplicada a quem exceder a média de consumo do mesmo período do ano passado. Há também bônus de para quem gastar menos. Apesar do racionamento, Kimura defende que é necessário diminuir o desperdício de água com vazamentos na rede de distribuição, que representa 37% do total da água tratada no país.

“Não é possível aumentar a captação de água em curto prazo”,explica, “mas como medida individual, a reutilização de chuvas pode ser usada para suprir as necessidades de condomínios por alguns dias. Em São Paulo caíram chuvas que alagaram as ruas. Essa água precisa ser utilizada”.

Sistema hídrico ultrapassado

Apesar da situação de seca anormal — a pior em quase 100 anos –, o ponto que precisa ser abordado, segundo o especialista, é a falta de capacidade do sistema brasileiro em se sustentar durante períodos de estiagem. Para Kimura, é preciso fazer investimentos diversificados para suprir a demanda durante os momentos de seca.

“Só construir reservatórios não resolve o problema, apenas teremos mais represas sem água. É como os economistas aconselham, não se deve utilizar todo o capital em um só investimento, pois um momento de crise pode fazer você perder todo o dinheiro. O mesmo vale para a água. É preciso ter os reservatórios, mas também é necessário ter outras formas de captação de água”, explicou.

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