Início » Brasil » Brasil tem 11,8 milhões de analfabetos
EDUCAÇÃO

Brasil tem 11,8 milhões de analfabetos

Número de analfabetos negros e pardos é duas vezes maior que o número de analfabetos brancos

Brasil tem 11,8 milhões de analfabetos
O nível de analfabetismo se mostra mais alto em pessoas com mais de 60 anos (Foto: Flickr)

Quase 12 milhões de brasileiros são analfabetos. A conclusão é de uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 21, com dados de 2016. Os números representam 7,2% de toda a população do país, com a taxa sendo ainda pior entre negros e pardos (9,9%), enquanto entre pessoas brancas não chega a 5% (4,2%).

A pesquisa integra o módulo de educação da Pnad Contínua, do IBGE. Os dados compilaram novas informações e ampliaram a área de cobertura em relação a pesquisas anteriores. A análise por raça é inédita, e mostra que as pessoas brancas têm mais acesso à educação.

Quando o foco é a faixa etária, o nível de analfabetismo se mostra mais alto em pessoas com mais de 60 anos, com mais de 6 milhões de brasileiros não sabendo ler ou escrever, cerca de 20,4%. Já somando o quesito racial, 30,7% dos negros e pardos acima dos 60 anos são analfabetos, enquanto brancos são apenas 11,7% da população nessa mesma faixa etária.

Enquanto o analfabetismo dos mais velhos faz alusão a um problema na educação do século XX, a diferença no quesito racial mostra que os brancos têm mais acesso à educação do que negros e pardos. O fato também pode ser explicado por haver mais negros vivendo em áreas com pouco acesso à educação.

As diferencias regionais também se mostraram grandes, com 14,8% da população de pessoas de 15 anos ou mais sendo analfabetas e residindo no nordeste. Enquanto isso, a taxa no sul ficou em 3,6% e 3,8% na região sudeste do país.

No tópico de níveis de ensino, a Pnad Contínua verificou que mais da metade da população de mais de 24 anos estudou até o ensino fundamental completo – incluindo ensino médio incompleto. Enquanto isso, outros 29,7% terminaram o ensino médio ou têm ensino superior incompleto. Já 15,3% dos brasileiros nessa faixa etária contam com um diploma de nível superior. Por outro lado, 11,2% dos brasileiros não têm instrução alguma.

Em média, o brasileiro tem oito anos de estudo, o que equivale ao ensino fundamental incompleto, sendo que os brancos possuem, em média, nove anos de educação, enquanto os negros e pardos contam com apenas sete anos de estudo.

“Não é surpresa alguma [a diferença na escolarização de negros e brancos]. Em todos os direitos básicos há discrepância no acesso entre raças. Jovens negros da periferia, por exemplo, morrem quatro vezes mais que brancos. Isso já explica muita coisa”, explicou a professora da Faculdade de Educação da USP, Sônia Krupa.

Quando são analisadas por sexo, as mulheres são mais escolarizadas do que os homens, com as pessoas do sexo feminino tendo, em média, 8,2 anos de estudo, enquanto as do sexo masculino contam apenas com 7,8 anos de educação. Porém, 26% das mulheres explicaram que não frequentam as aulas por afazeres domésticos ou por cuidados com algum parente, enquanto apenas 0,8% dos homens deram a mesma justificativa.

Plano Nacional de Educação

Mesmo com o alto número de analfabetismo, o Brasil atingiu a meta do Plano Nacional de Educação (PNE) de universalização do acesso à educação de crianças entre 6 a 14 anos até 2016. De acordo com o IBGE, 99,2% das crianças nessa faixa de idade estavam na escola no ano passado.

Por outro lado, o Brasil não teve o mesmo êxito com crianças de 4 e 5 anos de idade, quando a educação já é obrigatória por lei. Apenas 90,2% das crianças nessa faixa etária estavam na escola em 2016, sendo um decréscimo de 0,3 ponto percentual em relação ao ano de 2015. Entre crianças de 0 a 3 anos, o resultado foi ainda pior, pois apenas 30,4% frequentam a creche, o mesmo índice de 2015.

O IBGE também investigou se os alunos estavam frequentando a série correta na escola. Dessa forma, notou que 96,5% das crianças entre 6 e 14 anos estavam na série certa no ensino fundamental. No entanto, nos anos finais, na faixa etária entre 11 e 14 anos, apenas 84,4% estavam na série adequada. No ensino médio, com jovens entre 15 e 17 anos, só 68% estavam na série correta.

Ao adicionar o quesito racial, 75,5% dos brancos ocupavam as séries corretas para a sua idade, enquanto apenas 63% dos negros e pardos estavam no ano adequado. Já no ensino superior, 23,8% dos jovens entre 18 e 24 anos estão cursando a universidade, sendo 33,5% brancos e 16,8% negros.

Rede de ensino

De acordo com o IBGE, 73,5% dos estudantes brasileiros frequentam a rede pública de ensino, enquanto 26,5% estudam em escolas e universidades privadas, tendo variações a respeito do curso estudado. O ensino superior privado é maioria, representando 74,3% das instituições, assim como o pós-superior, sejam especializações, mestrados ou doutorados, com 67,1% dos centros acadêmicos.

No ensino de base, tanto fundamental, quanto médio, são 83,4% e 85,8%, respectivamente, frequentando colégios públicos. Na creche, 73% das crianças frequentam instituições da rede pública.

Porém, a ausência de creches atinge diretamente as regiões mais pobres do Brasil, com apenas 30,4% das crianças de 0 a 3 anos de idade frequentando as instituições de ensino. No norte do país apenas 14,4% das crianças estavam na creche, contra 25% no centro-oeste, 27,2% no nordeste, 35,9% no sudeste e 38% no sul.

Em relação a cursos de Alfabetização de Jovens e Adultos e Educação de Jovens Adultos (EJA) – que normalmente são ministrados a noite para pessoas atrasadas em seu nível escolar, substituindo os antigos supletivos -, estima-se que 1,7 milhão de pessoas usem esse método de ensino.

Ao todo, 89,5% dos estudantes de ensino superior cursavam bacharelado ou licenciatura, enquanto 10,5% frequentavam a graduação tecnológica, que oferece o diploma de ensino superior em menos tempo.

Fontes:
Folha de São Paulo - País tem 11,8 milhões de analfabetos; taxa entre negros dobra ante brancos

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *