Início » Brasil » Brasil tem 200 mil desaparecidos por ano e 60 por dia em SP
BRASIL

Brasil tem 200 mil desaparecidos por ano e 60 por dia em SP

A cada 11 minutos uma pessoa desaparece no Brasil

Brasil tem 200 mil desaparecidos por ano e 60 por dia em SP
A maior ocorrência de desaparecidos é na faixa entre 15 e 28 anos de idade (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

“Nós estamos tão perto dos seus olhos que você mal podia nos ver”. Este antigo slogan da publicidade de uma ótica cai como luva no drama quase invisível, mas que aflige pessoas no mundo inteiro. Não somente os números de desaparecimentos são tão expressivos – quanto silenciosos – mas também é provável que convivamos com pessoas que – em algum lugar do passado – simplesmente sumiram, sem deixar vestígios, e ressurgiram em outras famílias, reingressadas que foram na sociedade por força de registros forjados ou por mera falha do Estado. Também pode estar próximo de nós alguém que – de uma hora para outra – nunca mais viu um ente querido.

Embora nem todos os casos de desaparecimento no Brasil sejam registrados – no ano passado foram lavrados 82.684 boletins de ocorrência –, é possível que este número atinja a marca anual de 200 mil, como revela a série “Desaparecidos”, documentário dirigido por Anderson Jesus, – que pode ser visto na Netflix. A obra começa informando que a cada 11 minutos uma pessoa desaparece no Brasil e que 60 pessoas somem por dia somente no estado de São Paulo. Não existe um perfil do desaparecido. Ele pode ser de ambos os sexos, de qualquer faixa etária ou classe social. Pesquisa do Ministério Público, no entanto, aponta maior ocorrência na faixa entre 15 e 28 anos.

A falta de integração entre os estados e o governo federal sempre foi a principal razão para o mau funcionamento de um cadastro de desaparecidos. Ainda assim, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2018, o estado de São Paulo lidera a estatística nacional de ocorrências, com 25.200 pessoas desaparecidas. Minas Gerais vem em segundo, com 8.878 desaparecidos, e Santa Catarina em terceiro, com 7.752 ausentes. Em números relativos, no entanto, o Distrito Federal concentra o maior número de registros: são 106 desaparecidos por 100 mil habitantes. O Rio de Janeiro tem cerca de 500 ocorrências mensais.

As diferentes formas de sumir do mapa

A abdução – o termo não está somente associado ao rapto por extraterrestres – pode se dar de três diferentes modos. A primeira delas ocorre de forma voluntária – por desentendimento familiar ou quando a pessoa decide mudar os rumos da própria vida. A segunda, de maneira involuntária – por acidente – como ocorreu, por exemplo, no recente acidente de Brumadinho. E a terceira, de forma forçada, como em raptos ou sequestros.

Como o desaparecimento em si não é considerado um crime, a delegacia lavra um boletim de ocorrência, sem qualquer investigação subsequente. A inexistência de um banco de dados nacional e unificado permite uma estatística tão elástica quanto imprecisa. Não há qualquer serviço, aparato ou departamento que atenda a uma demanda tão expressiva – com os números impressionantes apresentados nos parágrafos anteriores.

O site da delegacia do Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD), de antemão, já alerta que o serviço foi criado com o mero intuito “de auxiliar, procurar e ajudar pessoas nas áreas de Pessoas Desaparecidas, Lei Maria da Penha e Combate a exploração sexual infantil”. Retirado diversas vezes do ar – por sete meses em 2018 –, o serviço genérico e sem qualquer especificidade foi removido em definitivo pelo governo federal no início de 2019.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, decidiu intervir no assunto para que se cumpra um acordo de cooperação técnica, firmado em 2017, entre o Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (Plid) e o Conselho Nacional do Ministério Público para a efetivação do Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos. Com base em números compilados entre 2007 e 2016 – pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e entregues ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha -, Dodge afirmou: “São cerca de 700 mil pessoas desaparecidas no Brasil nos últimos dez anos”.

Luto sem fim

No documentário “Desaparecidos”, um homem de meia-idade leva o pai – muito idoso e com demência – para passear num parque em São Paulo. O instrutor de remo – tendo o pai a seu lado no banco – dorme por alguns minutos e quando acorda não o acha mais. As buscas de bombeiros e policiais foram inúteis. Passados oito anos, o filho vive a culpa da perda.

O Opinião e Notícia buscou uma personagem. Mesmo protegida pelo off, ela acabou recusando dar seu depoimento sobre o avô a quem nunca conheceu – desaparecido em 1941. Como se vê, é um luto sem fim que o tempo não suaviza.

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

6 Opiniões

  1. Dinarte da Costa Passos disse:

    Seria a Ditadura Bolsonaro que está consumindo com as pessoas? Por que se for na Venezuela vão dizer que é o Maduro que está desaparecendo com o povo.

  2. Almanakut Brasil disse:

    Pior é quem finge que desaparece, mas depois surge lá fora para bancar o lesa-pátria junto com PEÇONHENTOS gringos.

    Pena que o Brasil nunca teve algo como uma KGB, que ainda age até hoje em territórios alheios.

  3. BS disse:

    200 mil é muita gente! Que desespero para as famílias…

  4. Regina disse:

    Lembrei de casos famosos de crianças roubadas de suas famílias. Todo cuidado é pouco.

  5. Flávio disse:

    Pois é. Impressionante os números, nos levando a pensar que não sabemos nada a esse respeito.

  6. Roberta disse:

    Para as famílias, deve ser um luto sem fim, como diz o texto. E uma luta sem fim para localizar alguma pista de quem desapareceu. Triste demais.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *