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MP 676

Brasil terá de criar idade mínima para aposentadoria, diz economista

Para o economista Fabio Giambiagi, especialista em contas públicas, o país está em uma 'trajetória grega'

Brasil terá de criar idade mínima para aposentadoria, diz economista
O contribuinte que se aposentar com a fórmula 85/95 vai receber a aposentadoria integral (Reprodução/Wikimedia)

O economista Fabio Giambiagi, especialista em contas públicas, disse em entrevista ao jornal Folha de São Paulo que a MP 676 publicada pelo governo na semana passada vai aumentar o impacto nas contas da Previdência de tal forma que, mais cedo ou mais tarde, o governo terá de criar uma idade mínima para a aposentadoria.

A medida provisória 676 cria uma alternativa ao fator previdenciário: o fator 85/95, que leva em conta a idade e o tempo de contribuição – 85 anos para as mulheres e 95 para os homens – e está previsto para aumentar progressivamente até atingir 90/100 em 2012. O contribuinte que se aposentar com a fórmula 85/95 vai receber a aposentadoria integral.

Para o economista, o ideal seria o estabelecimento de uma idade mínima para a aposentadoria combinado ao fator previdenciário. “Essa combinação tentaria acabar com a regra aprovada agora, que é bem mais generosa por parte do Congresso”, afirma, ressaltando que os futuros aposentados vão ganhar mais do que os aposentados atuais.

Giambiagi aponta os altos gastos com a previdência como o maior problema do país. De acordo com o especialista, em 1988 a despesa do INSS era de 2,5% do PIB enquanto a projeção para este ano prevê que o gasto fique perto de 7,5% do PIB. “A classe política não faz nada. Nós estamos em uma trajetória grega”, afirma.

O especialista acredita que com o incentivo da aposentadoria integral através do fator 85/95, as pessoas vão esperar um pouco mais para se aposentar, o que pode ajudar a retardar a crise previdenciária. “Mas lá na frente, o salto vai ser maior também: vamos ter mais aposentados ganhando mais. Com isso, o impacto nas contas também será maior”, alerta.

O economista prevê que as medidas do governo não vão resistir. “Em algum momento vai ter um novo governo que vai precisar ajustar as contas. Temos que mudar as regras porque o sistema não vai aguentar tanta generosidade”, afirma Giambiagi.

 

Fontes:
Folha de São Paulo-País está a caminho de tragédia grega na Previdência, diz Giambiagi

5 Opiniões

  1. wanderlei disse:

    Quem defende a imposição de uma idade mínima para a aposentadoria não costuma carregar sacos de cimento nas costas durante toda uma jornada de trabalho, cortar mais de 12 toneladas de cana de açúcar diariamente e limpar pastos ou colher frutas sob um sol escaldante.
    Normalmente quem defende somos nós, jornalistas, cientistas sociais, economistas, administradores públicos e privados, advogados, políticos. Pessoas que, pelo contrário, acham um absurdo a lei impor um teto para aposentadoria compulsória no momento em que o conhecimento e a experiência reunidos pelo profissional poderia ser útil para toda a sociedade.
    Afinal de contas, o que são 65 anos para nós, que trabalhamos em atividades que nos exigem muito mais intelectualmente?
    Diante da incapacidade de se colocar no lugar do outro, do trabalhador que depende de sua força física para ganhar o pão, no campo e na cidade, esquecemos que seus corpos se degradam a uma velocidade muito maior que a dos nossos. Ou seja, sua expectativa de vida é menor que a nossa.
    Se estamos falando de trabalhadores com baixa qualificação, provavelmente também estamos tratando das mesmas pessoas que não puderam completar os estudos e começaram a trabalhar desde muito cedo para ajudar no sustento de suas casas. Com 14 anos, já estavam na luta e nem sempre apenas como aprendizes, como manda a lei.
    Às vezes, começaram no batente até antes, aos 12, dez ou menos. Afinal de contas vivemos em um país em que acredita-se que o “trabalho molda o caráter de crianças” e no qual “o trabalho liberta”.
    Como a ciência não inventou peças de reposição para todos os órgão que sejam da mesma qualidade que as originais de fábrica para a máquina humana, os corpos desses trabalhadores já estão no limite após 50, 60 anos garantindo lucro para outras pessoas.
    Os sábios que estão discutindo no Ministério da Fazenda a questão da imposição da idade mínima como requisito, além, é claro, do tempo de contribuição e/ou de serviço, deveriam ter que explicar a proposta, cara a cara, para um grupo de cortadores de cana ou de pedreiros. Sem meias palavras, sem enganações. O pessoal que desconfia que essa história de aumento da expectativa de vida não vale para eles (até porque, devido a fila do SUS, uma consulta demora quatro meses para ser marcada) não vai concordar muito com isso – para ser leve com as palavras.
    O ideal seria melhorarmos a qualidade do trabalho no Brasil, melhorando o salário e a formação do trabalhador que vende sua força física, garantindo a eles e elas qualidade de vida – seja através do desenvolvimento da tecnologia, seja através da adoção de limites mais rigorosos para a exploração do trabalho. O que tende a aumentar, é claro, a produtividade. Mas como isso está longe de acontecer (basta ver a “vida” dos empregados de frigoríficos em todo o país, que são aposentados por invalidez aos 30 e poucos anos por sequelas deixadas pelo serviço), a discussão talvez passe por um regime diferenciado para determinas categorias. E, mesmo assim, a discussão não é simples, pois há categorias em que profissionais são levados aos limites e aposentados por danos psicológicos ou chegam aos 60 sem condições de desfrutar o merecido descanso.
    Por isso, a reforma da Previdência Social não pode achar que o Brasil é um grande escritório com ar condicionado. Há milhões de pessoas, fundamentais para o crescimento do país, que se esfolam a vida inteira e não devem ser deixadas na beira da estrada quando deixarem a população economicamente ativa.
    Caso contrário, para que temos um Estado e um país?

  2. Áureo Ramos de Souza disse:

    Quem está lá por cima é bom falar, mais não ver que ao se aposentar só tem mais 5 anos de vida e de fome

  3. jayme endebo disse:

    Mais um economista dando palpite esquecendo que existe uma grande quantidade de beneficiarios que nunca pagaram o inps e muitos outros que tem recebimento igual ao salario da ativa e colocam a culpa nos que sempre pagaram e recebem muito pouco.
    Está na hora do Estado brasileiro dizer à nação qual é a sua finalidade já que em todos os setores há caos seja na saude, previdencia, educação etc.
    Tem acabar com os privilégios e arranjar dinheiro de outro local para aqueles que nunca contribuiram ou na melhor das hipóteses devolvem todo o meu dinheiro que paguei a minha vida toda que eu sei usá-lo muito bem.

  4. Marluizo Pires Cruz disse:

    Brasil terá de criar idade mínima para aposentadoria, diz economista Contribuinte da previdência pública desejaria que os economistas em consenso apresentassem uma formula transparente de proposta de aposentadoria atuaria estável nos moldes dos fundos privados de previdências, porém com os rendimentos totais revertidos aos contribuintes em forma de beneficio compatível com o valor creditado em conta individual destinado ao fundo atuaria de previdência pública contratada previamente pelos cidadãos. Pois o incentivo ao planejamento transparente da aposentadoria promoveria segurança social ao individuo e ao país. Em síntese com despesas mínimas de gestão criaria uma aposentadoria estabelecida previamente no poder aquisitivo de equivalência a uma cesta de produtos necessários a vida diária que atualizaria contribuições e benefícios com equivalência estabilidade e transparência. Fortalecendo o dito popular. “o contratado transparentemente não é caro”.

  5. Joma Bastos disse:

    Temos um estado social falido! É só olhar à nossa volta e verificamos a existência de muita população idosa sem reforma, passando sufoco e miséria.

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