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PRECONCEITO

Brasil vive epidemia anti-gay

Apesar de passar uma imagem de nação tolerante, o país registra inúmeros casos suspeitos de homofobia

Brasil vive epidemia anti-gay
Diego Vieira Machado, aluno da UFRJ encontrado morto com marcas de agressão (Foto: Instagram)

No último sábado, 2, o aluno Diego Vieira Machado, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi encontrado morto com marcas de agressão. Na última segunda-feira, 4, o Rio Sem Homofobia recebeu e-mails anônimos que foram enviados a alguns estudantes da UFRJ.

Os emails eram agressivos e traziam ameaças. “Vamos começar por um certo aluno que se diz minoria e oprimido por ser homossexual, que gosta de fumar maconha e outras coisitas mais (cocaína, chá de amanita) às vezes com o dinheiro da bolsa ou da família opressora. (…) Que gosta de mandar e receber nudes de seus amiguinhos pederastas”. Em uma das mensagens, os anônimos dizem estar infiltrados na faculdade. “Nenhuma vez o socialismo deu certo e não é com vocês que isso vai dar, aguardem os próximos capítulos. (…) Como descobrimos vocês? Conhecemos vocês, estamos nos CAs (Centros Acadêmicos), DCEs (Diretórios Centrais Estudantis) e instituições de ensino e pesquisa. (…) Estamos infiltrados!”. O texto é assinado pela Juventude Revolucionária Liberal Brasileira e diz ainda: “Nós somos muitos, somos a maioria, somos unidos e somos anônimos!”.

Em junho, os corpos carbonizados de Edivaldo Silva de Oliveira e Jeovan Bandeira, dois professores da Bahia,  foram encontrados em um porta-malas de um carro.  O corpo do jovem Wellington Júlio de Castro Mendonça foi encontrado com sinais de apedrejamento em Olaria, no Rio de Janeiro, também em junho.

Estes são apenas alguns exemplos dos vários casos de crimes brutais que acontecem no Brasil e que têm algumas semelhanças entre si. As vítimas não são roubadas, a polícia não identifica suspeitos e os alvos são gays ou transgêneros.

Num momento em que os Estados Unidos debatem como lidar com o massacre numa boate gay em Orlando, o Brasil vive sua própria epidemia de violência anti-gay. Segundo o Grupo Gay da Bahia, cerca de 1.600 pessoas morreram por ataques motivados pelo ódio nos últimos quatro anos e meio.

Apesar de o Brasil passar a imagem de nação tolerante, principalmente, por conta da expressão sexual durante o Carnaval e da maior parada do Orgulho Gay do mundo, que ocorre em São Paulo, os casos impressionam e provam o contrário.

É possível observar a intolerância até em discursos políticos. Eduardo Cunha, presidente afastado da Câmara, se revoltou no Twitter após uma novela mostrar um beijo gay. Durante um debate presidencial em 2014, um dos candidatos, Levy Fidelix, disse que os homossexuais não foram feitos para serem pais. O deputado Jair Bolsonaro já recomendou punição corporal como uma forma de converter gays em heterossexuais.

Enquanto isso, gays e transgêneros são vítimas de violência e muitas autoridades são hostis quando as vítimas querem dar parte de um crime como este. Até mesmo quando os agressores são presos, eles são logo soltos mediante uma fiança. Enquanto isso, o medo entre as possíveis novas vítimas é constante e real.

Fontes:
The New York Times-Brazil Is Confronting an Epidemic of Anti-Gay Violence
Extra-'Vamos começar por um certo aluno', diz e-mail com ameaças a estudantes da UFRJ
BBC-Professores gays carbonizados em carro levam cidade do sertão baiano às ruas
O Dia-Coordenador da Diversidade Sexual da prefeitura do Rio defende criação de delegacia LGBT

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3 Opiniões

  1. Roberto1776 disse:

    O que causa incômodo é o proselitismo desbragado da comunidade gay (outra expressão inadequada). A pergunta que fica é se essas pessoas não conseguem viver sem promover, a toda hora, movimentos como se fossem religiosos do tipo testemunhas de alguma divindade do velho testamento ou adventistas do sexto dia. “Viver e deixar viver” seria um bom mantra para esses movimentos. “Don’t ask & don’t tell” funcionava razoavelmente bem. O que nos interessa as preferências sexuais de nossos próximos? Nada. O que é aquela peça fantasiada de Jesus Cristo desfilando pelas ruas de São Paulo?

  2. Ludwig Von Drake disse:

    Os gays não deviam culpar os héteros pelas dissidências que ocorrem dentro do seu movimento gaizista. Os héteros estão preocupados com o sexo oposto. Quem agride gay são a variante metida a macho do movimento, estilo Village People.

  3. Áureo Ramos de Souza disse:

    Estou com 70 anos e nunca vi quando criança tanta coisa que DEUS não criou. Se desejam ser assim, que sejam e deixem, (como diz nós nordestinos) amostramento, oxém, visse.

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