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BASE ESPACIAL

Brasil volta a negociar base espacial de Alcântara com os EUA

Após quase 15 anos e fracasso em acordo com a Ucrânia, governo retoma conversas para permitir o uso americano da base espacial no Maranhão

Brasil volta a negociar base espacial de Alcântara com os EUA
A ideia é oferecer aos americanos acesso ao centro de lançamento para poder, em troca, utilizar equipamentos fabricados por eles (Foto: Wikipedia)

Após o fracasso nas negociações com a Ucrânia para o uso comercial do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, o governo do presidente Michel Temer retomou as conversas com os Estados Unidos para o uso da base espacial. A ideia é oferecer aos americanos acesso ao centro de lançamento para poder, em troca, utilizar equipamentos fabricados por eles.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores, José Serra, o acordo espacial será uma das primeiras providências nas relações diplomáticas com o novo presidente americano, Donald Trump. “Vamos tomar a iniciativa de propor a reabertura de negociação em torno de vários acordos e tratados que não se concretizaram. Um deles se refere à base de Alcântara. O assunto foi muito debatido no passado e, agora, vamos tentar uma parceria” afirmou Serra.

O Ministério das Relações Exteriores segue avaliando junto aos ministérios da Defesa, da Ciência e Tecnologia e a Agência Espacial Brasileira quais termos podem ser oferecidos aos americanos.

Para que a negociação avance, o Brasil terá que aprovar uma lei que indique como será feita a proteção dada a todo componente tecnológico que será manipulado no país. Dessa forma, a tecnologia espacial americana que será operada em solo brasileiro não deve ser transferida ao setor privado brasileiro. O texto precisa ser avaliado pelo Congresso americano e qualquer alteração nas exigências brasileiras inviabilizará o negócio.

A base de Alcântara é considerada uma das mais bem localizadas do mundo. Por estar rente à linha do Equador, foguetes conseguem colocar satélites em órbita em menos tempo, o que representa uma economia de combustível em cada viagem espacial.

Negociações anteriores

As negociações com os Estados Unidos foram retomadas quase 15 anos depois de terem sido encerradas pelo governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A proposta anterior, elaborada ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso, não avançou no Congresso na época por conta de conflitos com as leis brasileiras.

Segundo o ex-ministro de Ciência e Tecnologia e atualmente colunista da revista Carta Capital, Roberto Amaral, a proposta anterior trazia várias restrições que ameaçavam a soberania nacional, já que o governo dos EUA manteria controle sobre áreas segregadas em território brasileiro e apenas técnicos americanos teriam acesso às instalações.

Com isso, o governo Lula optou por encerrar as conversas e escolheu a Ucrânia como parceiro para um futuro acordo. Os termos previam a transferência de tecnologia ucraniana para o Brasil, em troca do desenvolvimento de foguetes em território nacional. Entretanto, o governo brasileiro desfez a parceria em 2015, gerando um prejuízo de pelo menos meio bilhão de reais.

Fontes:
O Globo-Brasil assume de vez negociação espacial com americanos
CartaCapital-Em segredo, Brasil volta a negociar Base de Alcântara com os EUA

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4 Opiniões

  1. Rogerio Faria disse:

    Negociar com norte americanos é como namorar com crocodilo.
    Quando ele abre a boca não sabemos se ele está com sono ou se ele vai te devorar.
    Porém, como agora se trata de um governo entreguista, vamos lá.

  2. Beraldo disse:

    Caso típico e vulgar de puxa saquismo.

    Um acordo deste tipo tem de passar pelo Congresso e ser amplamente discutido, mas como foi o atual Congresso, que encastelou a corte golpista de Sua Alteza Michel M. E. Temer em Brasília, a ocupação da Base de Alcântara pelos EEUU já é fato consumado.

    Bandidos, corruptos, traidores, golpistas e covardes, ajoelhados aos pés dos EEUU, sem uma legítima autorização do Povo Brasileiro.

  3. Natanael Ferraz disse:

    Prefiro negociar com a China, eu me coloco entre aqueles que acreditam que os USA sabotaram Alcântara em 1997, 1999 e 2003.

  4. Fraancisco Taborda disse:

    A base de lançamento de Alcântara é um bem extremamente valioso para o Brasil e para quem tiver possibilidade de utilizá-lo. Alugar, ceder ou arrendar um pedaço dela, apenas, como uma operação mercantil parece muito pobre. Essa operação, se e quando for feita, deve atender a um objetivo tecnológico estratégico do país. Dinheiro e possibilidade de uso de equipamentos darão um retorno, apenas, medíocre. Tem de nos dar acesso ao conhecimento dentro de um programa de desenvolvimento de tecnologia estratégico com objetivos bem definidos e prazos acordados.

    Isto é para ser coordenado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (que hoje cuida, também, das Telecomunicações) e tem de envolver a indústria, a academia, além de órgãos do governo da área de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação e, indubitavelmente, o Ministério da Defesa. O Itamaraty, sem dúvida, pode ajudar nas negociações, mas não me parece que deva ter o papel principal desse filme. Isto, sem falar na necessária aprovação do congresso. Tudo isto é bastante complicado, e é, quando não se tem um planejamento estratégico definido e sedimentado. E tem de ser rápido, pois a tecnologia caminha a passos muito rápidos. Não há tempo a perder e precisamos colocar gente competente à frente disto.

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