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Gosto não se discute

Brasília, a cidade à beira da eternidade

Os planejadores, arquitetos e projetistas de Brasília representam o último suspiro de um estilo urbanístico cujas falhas já eram evidentes nos anos 60

Brasília, a cidade à beira da eternidade
Os monumentos de Brasília variam em aparência entre o feio e o horrendo (Reprodução/Internet)

Vivi a maior parte de minha vida em Brasília, cidade criada do nada por decreto governamental. Que o Brasil sempre chega atrasado aos modismos estéticos dos países avançados é uma constante histórica. Brasília evidentemente não escapou dessa regra: seus planejadores, arquitetos e projetistas representam o último suspiro de um estilo urbanístico cujas falhas já eram evidentes nos anos 60. Infelizmente para os milhões que nela vivem ou viveram, vítimas do diletantismo de intelectuais comunistas e da fé totalitária no planejamento central.

Nada surpreendente, portanto, que Brasília tenha sido chamada ao longo das décadas de “cidade sem alma”, “ilha da fantasia”, e muitas vezes pejorativamente de “cidade monumental”, ou seja, cidade onde, contrariamente à norma, não são os monumentos que servem aos cidadãos, mas os cidadãos que servem aos monumentos. Afinal, quem gosta de viver e trabalhar dentro de esculturas? Gosto não se discute, mas é minha opinião que os tais monumentos de Brasília, com poucas exceções, variam em aparência entre o feio e o horrendo.

Com o passar do tempo Brasília assemelha-se cada vez mais a uma daquelas cidades que serviam de cenário para filmes sobre distopias fascistas devastadas por guerras nucleares e regimes tirânicos. Entre todas as cidades que já visitei apenas São Paulo consegue ser mais feia e desumana que Brasília. Difícil concorrer com aquela que é provavelmente a única cidade na história da humanidade a ter sido imortalizada em canção por sua má aparência.

O economista Tyler Cowen, após visitar Brasília, declarou ter apreciado seu exotismo e relativamente boa organização urbana. Cowen não deve ter sido informado sobre o custo elevado dessa relativa organização para o contribuinte brasileiro. Quanto ao exotismo, em suas palavras:

“Seria Brasília a cidade mais estranha que já visitei? Ela me faz pensar em filmes antigos de ficção científica, e eu gosto de filmes antigos de ficção científica”.

Cowen tem razão: Brasília parece e funciona como uma produção barata de ficção científica dos anos 60. Poucos devem ter notado, por exemplo, que uma das pinturas usadas como cenário de fundo na série Jornada nas Estrelas prestava homenagem a Brasília e a Niemeyer, como visto nas duas imagens a seguir:

A primeira imagem mostra a Colônia Penal Tantalus no episódio chamado “O Punhal Imaginário”. A segunda, como bem sabemos, mostra o Palácio da Alvorada, residência oficial do Presidente do Brasil. As similaridades entre os dois edifícios não são coincidentais, e alguns poderiam dizer até mesmo proféticas!

É uma pena que Brasília tenha sido construída durante a era errada e em local impróprio, marcado pela irrelevância geográfica, por uma natureza desinteressante e por uma secura insalubre. Que bela cidade poderia ser se tivesse sido concebida de forma orgânica e descentralizada, por diversas escolas arquitetônicas e em recantos mais agradáveis do país. Que assim seja: Brasília tornou-se então o último monumento a uma era marcada pela sua estética questionável, pelo seu humanismo deturpado e por suas ideologias falidas. Como diz o título de outro episódio de Jornada nas Estrelas, “A Cidade à Beira da Eternidade”.

 

Fontes:
Ordem Livre - Brasília, a cidade à beira da eternidade

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5 Opiniões

  1. Anônimo disse:

    NIEMEYER E A INTERNET

    Que o homem mereça cadernos em sua homenagem na imprensa nacional, entende-se. Marcou o século com sua arquitetura. Daí a transformá-lo em santo vai uma grande distância. Não vamos negar-lhe talento. Mas como ser humano, Niemeyer era vil. E isto a imprensa não diz. Sempre acontece quando morrem ilustres canalhas. Aconteceu com Darcy Ribeiro, aconteceu com Jorge Amado.

    Niemeyer morre em uma época interessante, das comunicações internéticas e das comunidades virtuais. O leitor deve lembra-se de que, há pouco, Chico Buarque dizia ter descoberto que era detestado por muita gente. Só descobriu graças à Internet, onde todo cidadão sem voz adquire voz. Não tivéssemos Internet, até hoje seria um ser angelical para a grande imprensa. O mesmo aconteceu com o arquiteto. Se os jornais insistem em mostrar o gênio, nas comunidades virtuais vemos o homem e sua miséria.

    O arquiteto tem seus altos e baixos. Fez obras de alto valor estético e outras que só são louvadas por seu renome. O grande crime de Niemeyer é, a meu ver, Brasília. Verdade que não foi o único celerado a conceber Brasília. Mas sua mão está lá. Há uns vinte e mais anos, lembro que era heresia não gostar de Brasília. Bastava alguém dizer que não havia gostado e era fulminado por uma avalanche de insultos, que ia desde ignorante a reacionário. Esse culto está terminando – e tinha de terminar um dia – e hoje críticas a Brasília já são permissíveis.

    Niemeyer foi o fiel intérprete dessa visão tacanha do brasileiro, que até hoje cultua o automóvel como símbolo de status. Tivesse Niemeyer uma visão do futuro, que já então se anunciava, teria começado com as fundações de um metrô. Não começou. Hoje, a cidade concebida para o automóvel tem congestionamentos monstruosos de automóveis. Poderia ter pensado na bicicleta. Brasília é plana e parece ter nascido para as bicicletas. Não pensou.

    Pior ainda sua concepção de cidade planejada. Setor residencial, hoteleiro, administrativo, de hospitais, de lazer. Isso não é cidade, mas insanidade. O lazer e o trabalho devem estar onde o ser humano reside. Madri também é uma cidade planejada. Mas foi planejada com inteligência, sem privar o cidadão urbano de seu conforto. Brasília não tem esquinas. Ora, esquinas são o melhor local para bares, restaurantes e outras casas de lazer. Brasília foi concebida não com prédios para viver, mas com máquinas de morar.

    Conheço não poucas cidades no mundo e não conheço nenhuma tão hostil ao ser humano como Brasília. Não por acaso Niemeyer era influenciado por Le Corbusier, que fez um projeto para Paris que destruía tudo que Paris tem de charme. No fundo, uma cidade que não difere muito dos monstruosos blocos residenciais de Moscou, construídos durante o regime comunista. Você vai morar não como você gosta ou gostaria de morar. Você vai morar no que o Estado acha que você gosta de morar.

    E já que tocamos no assunto: costumo falar de duas espécies de inteligência, a inteligência inteligente e a inteligência burra. Inteligência burra, por exemplo, é a de um engenheiro que domina o cálculo infinitesimal mas mata a mulher por uma mesquinha crise de ciúmes. Pode ser um profissional competente, mas não soube gerir a própria vida. Niemeyer pertence a esta estirpe. Durante toda sua vida, foi cúmplice dos maiores criminosos do século passado.

    Que tenha sido comunista, se entende. Quando os bolches tomaram o Palácio de Inverno, tinha dez anos. Criou-se sob a esperança da redenção do proletariado. Para um jovem idealista era difícil, nos primórdios da revolução, resistir aos apelos humanísticos do comunismo. Ocorre que o regime já desde o início mostrou ao que vinha. Lênin revelou-se tirano e assassino. Stalin ampliou sua obra. Até pode-se conceder que os crimes de Lênin permaneceram ocultos durante sua ditadura. Mas os de Stalin se tornaram conhecidos em 35. Foi quando comunistas como Ernesto Sábato, Camus, Koestler, abandonaram o barco. Niemeyer já era crescidinho, tinha 28 anos. Fosse honesto consigo mesmo, faria marcha à ré. Não fez.

    O arquiteto burro atravessou o século e teve mais chances de abrir os olhos. Em 49 – quando tinha 42 anos – ocorreu em Paris a affaire Kravchenko. Há anos venho escrevendo sobre Kravchenko, personagem quase desconhecido no Brasil, e não por acaso.

    Alto funcionário soviético que havia trocado a URSS pelos Estados Unidos, relatou esta opção em Eu escolhi a liberdade, livro em que denunciava a miséria generalizada e os gulags do regime stalinista. O livro foi traduzido ao francês em 1947 e teve um sucesso fulminante. A revista Les Lettres Françaises publicou três artigos difamando Kravchenko, apresentando-o como um pequeno funcionário russo recrutado pelos serviços secretos americanos. Kravchenko processou a revista, no que foi considerado, na época, o julgamento do século. No banco dos réus estava nada menos que a Revolução Comunista. Em seu testemunho, Kravchenko trouxe ao tribunal Margaret Buber-Neumann, esposa do dirigente comunistas alemão Heinz Neumann, como também o ex-guerrilheiro antifranquista El Campesino, ambos aprisionados por Stalin em campos de concentração. Kravchenko, que perdeu toda sua fortuna produzindo provas no processo, teve ganho de causa. Recebeu da revista francesa, como indenização por danos e perdas … um franco simbólico.

    A história de Kravchenko é fascinante, envolve diversos países, desde a finada União Soviética até Estados Unidos, França, Alemanha, Espanha, e até hoje não houve cineasta que ousasse transpor sua odisséia para as telas. Seu livro rendeu-lhe boa fortuna. Levado à falência com os custos do processo, foi morar no Peru, onde investiu em minas de ouro e de novo enriqueceu. Acabou suicidando-se em um hotel em Nova York. A partir de seu processo ninguém mais podia negar o universo concentracionário soviético. 1949 é a data limite para um homem que se pretenda honesto abandonar o marxismo. Niemeyer persistiu, impertérrito, em seu stalinismo.

    Teve outra chance sete anos depois, em 1956, quando Nikita Kruschev denunciou os crimes do stalinismo, no XX Congresso do PCUS. Niemeyer fez que não ouviu. Depois da morte do Paizinho dos povos, o arquiteto não se pejou em afirmar:

    — Stalin era fantástico. A Alemanha acabou por fazer dele uma imagem de que era um monstro, um bandido. Ele não mandou matar os militares soviéticos na guerra. Eles foram julgados, tinham lutado pelos alemães. Era preciso. Estava defendendo a revolução, que é mais importante. Os homens passam, a revolução está aí. Há 23 anos, quando tinha 82 anos e certamente já havia chegado à idade da razão, a história deu a Niemeyer mais uma chance. Com a queda do Muro de Berlim, o comunismo mostra toda sua indigência. Dois anos depois, a União Soviética se desintegrava. Em vão. O arquiteto morreu stalinista.

    É óbvio que Niemeyer teve amplo conhecimento dos crimes do comunismo. Como o teve Jorge Amado. Mas ambos sabiam que, na época em que viviam, ser comunista era altamente rentável. Amado fez fortuna com sua adesão ao stalinismo. E Niemeyer, se não fez fortuna, fez fama. Brasília ou qualquer outra obra de Niemeyer estavam acima de qualquer crítica. E ainda estão. Os grandes jornais, salvo algum jornalista desgarrado cá e lá, silenciaram completamente sobre a adesão do arquiteto à mais formidável tirania do século.

    Ainda bem que nos resta a Internet.

  2. Talita disse:

    O projeto de Brasília é de Lucio Costa, e do Niemeyer são os prédios governamentais, os monumentos. De fato as críticas a Brasília surgiram logo a seguir, como diz o artigo, quando o Modernismo foi ultrapassado e o carro passou a ser o vilão. Mesmo com todas as críticas, Brasília e os primeiros projetos de Niemeyer fizeram com que a cidade fosse tombada como exemplo deste tipo de arquitetura que vigorou até os anos 60.
    Críticas a Brasília, ao Modernismo e a Niemeyer em vida, foram feitas. Próximo à sua morte, e talvez dando um adeus tardio ao Modernismo, elas se tornaram menos intensas. Muito curiosas as imagens tão semelhantes da colônia penal Tântalus e o Palácio da Alvorada.
    Assim como destruímos a arquitetura Neoclássica e Eclética do Rio pela paixão pelo Modernismo, não podemos agora destruir o entorno da cidade como entende o governador de Brasília Agnello Queiróz. A ocasião não poderia ser mais inadequada com a recente despedida do arquiteto.
    Sem uma discussão maior, e sem licitação, se contratou uma empresa de Cingapura para planejar o entorno de Brasília para os próximos 50 anos. Mesmo não sendo arquiteta, me solidarizo com os protestos veementes da classe.

  3. Rodrigo Constantino disse:

    Reproduzimos comentário escrito na época do centenário de Niemeyer:
    “É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda, que admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também coisas que só o capitalismo sabe dar – bons cachês em moeda forte; ausência de censura e consumismo burguês. Trata-se de filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola…” (Roberto Campos).
    O arquiteto Oscar Niemeyer completou um século de vida sob grande reverência da mídia. Ele foi tratado como “gênio” e um “orgulho nacional”, respeitado no mundo todo. Não vem ao caso julgar suas obras em si, em primeiro lugar porque não sou arquiteto e não seria capaz de fazer uma análise técnica, e em segundo lugar porque isso é irrelevante para o que pretendo aqui tratar.
    Entendo perfeitamente que podemos separar as obras do seu autor, e julgá-los independentemente. Alguém pode detestar a pessoa em si, mas respeitar seu trabalho. O problema é que vejo justamente uma grande confusão no caso de Niemeyer e tantos outros “artistas e intelectuais”. O que acaba sendo admirado, quando não idolatrado, é a própria pessoa. E, enquanto figura humana, não há nada admirável num sujeito que defendeu o comunismo a vida inteira.
    Niemeyer, sejamos bem francos, não passa de um hipócrita. Seus inúmeros trabalhos realizados para governos, principalmente o de JK, lhe renderam uma bela fortuna. O arquiteto mamou e muito nas tetas estatais, tornando-se um homem bem rico. No entanto, ele insiste em pregar, da boca para fora, o regime comunista, a “igualdade” material entre todos. Não consta nas minhas informações que ele tenha doado sua fortuna para os pobres. Enquanto isso, o capitalista “egoísta” Bill Gates já doou vários bilhões à caridade. Além disso, a “igualdade” pregada por Niemeyer é aquela existente em Cuba, cuja ditadura cruel o arquiteto até hoje defende.
    Gostaria de entender como alguém que defende Fidel Castro, o maior genocida da América Latina, pode ser uma figura respeitável enquanto ser humano. São coisas completamente contraditórias e impossíveis de se conciliar. Mostre-me alguém que admira Fidel Castro e eu lhe garanto se tratar ou de um perfeito idiota ou de um grande safado. E vamos combinar que a ignorância é cada vez menos possível como desculpa para defender algo tão nefasto como o regime cubano, restando apenas a opção da falta de caráter mesmo. Ainda mais no caso de Niemeyer. Na prática, Niemeyer é um capitalista, não um comunista. Mas um capitalista da pior espécie: o que usa a retórica socialista para enganar os otários. Sua festa do centenário ocorreu em São Conrado, bairro de luxo no Rio, para 400 convidados. Bem ao lado, vivem os milhares de favelados da Rocinha. Artistas de esquerda são assim mesmo: adoram os pobres, de preferência bem longe. Outro aclamado artista socialista é Chico Buarque, mais um que admira Cuba bem de longe, de sua mansão. E cobra caro em seus shows, mantendo os pobres bem afastados de seus eventos. A definição de socialista feita por Roberto Campos nos remete diretamente a estes artistas: “No meu dicionário, ‘socialista’ é o cara que alardeia intenções e dispensa resultados, adora ser generoso com o dinheiro alheio, e prega igualdade social, mas se considera mais igual que os outros”.
    Aquelas pessoas que realmente são admiráveis, como tantos empresários que criam riqueza através de inovações que beneficiam as massas, acabam vítima da inveja esquerdista. O sujeito que ficou rico porque montou um negócio, gerou empregos e criou valor para o mercado, reconhecido através de trocas voluntárias, é tachado de “egoísta”, “insensível” ou mesmo “explorador” por aqueles mordidos pela mosca marxista. Mas quando o ricaço é algum hipócrita que prega aos quatro ventos as “maravilhas” do socialismo, vivendo no maior luxo que apenas o capitalismo pode propiciar, então ele é ovacionado por uma legião de perfeitos idiotas, de preferência se boa parte de sua fortuna for fruto de relações simbióticas com o governo. Em resumo, os esquerdistas costumam invejar aquele que deveria ser admirado, e admirar aquele que deveria ser execrado. É muita inversão de valores!
    Recentemente, mais três cubanos fugiram da ilha-presídio de Fidel Castro. Eles eram artistas, como o cantor Chico Buarque, por exemplo. Aproveitaram a oportunidade e abandonaram o “paraíso” comunista, que faz até o Brasil parecer um lugar decente. Eu gostaria de aproveitar a ocasião para fazer uma proposta: trocar esses três “fugitivos” que buscam a liberdade por Oscar Niemeyer, Chico Buarque e Luiz Fernando Verissimo, três adorados artistas brasileiros, defensores do modelo cubano. Claro que não seria uma troca compulsória, pois estas coisas autoritárias eu deixo com os comunistas, que abominam a liberdade individual. A proposta é uma sugestão, na verdade. Acho que esses três comunistas mostrariam ao mundo que colocam suas ações onde estão suas palavras, provando que realmente admiram Cuba. Veríssimo recentemente chegou a escrever um artigo defendendo Zapata e Che Guevara. Não seria maravilhoso ele demonstrar a todos como de fato adora o resultado dos ideais dessas pitorescas figuras? Enfim, Niemeyer completa cem anos de vida. Um centenário defendendo atrocidades, com incrível incapacidade de mudar as crenças diante dos fatos. O que alguém como Niemeyer tem para ser admirado, enquanto pessoa? Os “heróis” dos brasileiros me dão calafrios! Eu só lamento, nessas horas, não acreditar em inferno. Creio que nada seria mais justo para um Niemeyer quando batesse as botas do que ter de viver eternamente num lugar como Cuba, a visão perfeita de um inferno, muito mais que a de Dante. E claro, sem ser amigo do diabo, pois uma coisa é viver em Cuba fazendo parte da nomenklatura de Fidel, com direito a casas luxuosas e Mercedes na garagem, e outra completamente diferente é ser um pobre coitado qualquer lá. Acredito que esse seria um castigo merecido para esse defensor de Cuba, que completa um século de hipocrisia sendo idolatrado pelos idiotas.

  4. Antonio Campos Monteiro Neto disse:

    Niemeyer era fã declarado do stalinismo e da antiga U.R.S.S., e levou essa predileção ao túmulo. Mas uma coisa é a obra que nos legou e que muito nos honra, outra a ideologia que professava. Infelizmente Rodrigo Costantino, um dos Talibãs do conservadorismo de plantão – e chamá-lo de Talibã é desmerecer esses últimos, pois o termo significa estudante – não faz nenhuma análise estética e artística do legado do mestre, até porque declara não ter conhecimento nem competência para isso. Limita-se a bater na surrada tecla da ideologia, no afã de desmerecê-lo.

    “Muitos consideram que Niemeyer foi um gênio. Não sou da área, não me cabe julgar”.
    – Um arquiteto deve ser lembrado por suas obras, assim como todos os demais profissionais. Se declara apoio a esta ou aquela ideologia, mas não toma parte em atrocidades, é problema dele. Karajan apoiou o nazismo, mas não deixou de ser considerado um dos maiores maestros do século XX. Wernher von Braun também foi nazista, assim como milhões de alemães da sua época, o que não impediu que tomasse parte no programa espacial norte-americano. Desqualificar a obra de Niemeyer por motivo ideológico é uma grande demonstração de ignorância.

    “Tenho dificuldade de entender por que o responsável pelo caríssimo projeto da construção de Brasília, o oásis dos políticos corruptos afastados do escrutínio popular, mereceria um prêmio em vez de um castigo”.
    – O projeto foi de Lúcio Costa, não de Niemeyer. E o verdadeiro responsável pela obra foi Juscelino Kubitscheck, com o objetivo estratégico de desenvolver o interior do País. Na década de 1950, 80% da população brasileira se concentrava a até 100 km do litoral. E a interiorização garantiu a posse efetiva desse vasto território interior, antes praticamente despovoado.

    “No Brasil, você pode ser podre de rico, viver no maior conforto de frente para o mar, mamar nas tetas do governo, desde que adote a retórica socialista”.
    – Acusação sem sentido, basta ver a difusão internacional das obras do arquiteto. E diante dos 80 anos em atividade profissional, nos quais o País teve governos das mais diferentes ideologias, como explicar que Niemeyer conseguiu “mamar nas tetas do governo” esse tempo todo? O atual partido governante só está no poder há 10 anos.

    Poderia ir em frente com a série de erros e impropriedades, mas prefiro parafrasear Sérgio Buarque de Hollanda: Acaso Constantino leu Burke? Se não leu, não é conservador, é só atrasado.

    É inquestionável que um grande partido de cunho conservador, face a virtual ausência de oposição nesse país, é necessário e será muito bem-vindo. Mas quem quer que pretenda fundá-lo, deve ter em mente que o público-alvo, pelo menos no início, será uma elite com amplo acesso a educação, o que desqualifica que pessoas com cultura apenas audiovisual e limitada ao seu período de vida como candidatos a liderança.

    Deve-se ter em vista, ainda, que enquanto a chamada “Classe C” representar mais de 50% da população brasileira, o partido que Constantino chama de “PTralhas”, continuará no governo, pois quem se sente beneficiado continuará votando neles, independente do que ocorra na sua cúpula. Somente com uma recessão o atual estado de coisas poderá ser mudado.

  5. Edson disse:

    Eu só gostaria de saber do Pedro qual seria o lugar ideal para a construção de Brasília.

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