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MANDATO EM XEQUE

Câmara vota cassação de Eduardo Cunha nesta segunda

Sessão de votação sobre a cassação do mandato de Eduardo Cunha está prevista para as 19h, na Câmara dos Deputados

Câmara vota cassação de Eduardo Cunha nesta segunda
Votação encerrará o processo mais longo da história do Conselho de Ética (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

O destino político de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) deve ser selado nesta segunda-feira, 12. A votação sobre a cassação do mandato do parlamentar está prevista para as 19h, caso haja quórum no plenário da Câmara dos Deputados. A ação contra Cunha já se arrasta há 355 dias, o que fez dela o processo mais longo da história do Conselho de Ética da Câmara.

Ao que tudo indica, a ausência de parlamentares na sessão não será problema. Oito partidos já confirmaram 100% de presença na votação: PCdoB, PDT, PPS, PSB, PSDB, Psol, PT e Rede.

Cunha é julgado por quebra de decoro parlamentar, por ter mentido na Câmara durante a CPI da Petrobras. Na época, ele negou possuir contas no exterior, fato que foi desmentido por investigações da Operação Lava Jato. Diante disso, o Conselho de Ética da Câmara aprovou o parecer a favor da cassação do mandato, de autoria do deputado Marcos Rogério (DEM-RO).

Para que o mandato de Cunha seja cassado, são necessários 257 votos favoráveis dos 511 parlamentares. Os únicos deputados da Câmara excluídos da votação são Cunha e o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Enquetes feitas até o momento pelos principais jornais do país dão como certa a perda do mandato. Entre 280 e 300 deputados já se declararam a favor da cassação. Apenas quatro parlamentares se posicionaram publicamente contra: Mauro Lopes (PMDB-MG), João Carlos Bacelar (PR-BA), Arthur Lira (PP-AL) e Carlos Marun (PMDB-MS).

Um dos mais fiéis aliados de Cunha, Marun foi um dos que mais trabalhou para adiar a votação. Sua missão era fazer de tudo para que a votação ocorresse somente após o impeachment definitivo de Dilma Rousseff.

Na sessão desta segunda-feira, ele tentará transformar o parecer do Conselho de Ética em um projeto de resolução, que possibilitaria a aplicação de penas mais brandas, como a suspensão do mandato ao invés da cassação. “O regimento é claro. O que vai a voto é o projeto de resolução. Espero que o presidente [da Câmara] já decida neste sentido, mas, se não o fizer, vamos recorrer”, disse Marun.

Cunha está cada vez mais isolado e até seus mais próximos aliados querem desvincular seus nomes do parlamentar. Até mesmo os partidos que compunham o chamado “centrão” (PSD, PR, PP, PRB, PTB e PSC), bloco responsável por levar Cunha à presidência da Câmara em fevereiro do ano passado, pretendem votar a favor da cassação.

Segundo o deputado Marcos Rogério, ao marcar presença na sessão, os parlamentares estão protegendo seus próprios mandatos, já que toda a sociedade cobra a cassação. “O parlamentar estará julgando e está sendo julgado com uma posição ou outra. Em algum momento da vida política será cobrado. Votar contra ou a favor é justificável, Ausentar-se não”.

Além do julgamento na Câmara, Cunha responde a outros processos. No Supremo Tribunal Federal (STF), ele é acusado de receber US$ 5 milhões em propina pela compra de navios-sonda da Petrobras e de ter mantido contas secretas na Suíça. Ele também responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Fontes:
El País-Pivô do impeachment, Eduardo Cunha deve ser cassado nesta segunda-feira
G1-Cunha vai a julgamento na Câmara, depois de 11 meses e vários recursos
Congresso em Foco-Oito bancadas na Câmara confirmam 100% de presença no #JulgamentoDeCunha

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