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Operação Lava Jato

Camargo Corrêa vai ressarcir R$ 700 milhões para estatais

Soma é a maior já devolvida em um acordo do gênero e garantirá imunidade a alguns executivos da empresa que poderiam ser acusados de corrupção

Camargo Corrêa vai ressarcir R$ 700 milhões para estatais
O presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, confessou o pagamento de propina e a prática de cartel (Foto: ABr)

A empreiteira Camargo Corrêa fechou um acordo com procuradores da Operação Lava Jato se comprometendo a ressarcir R$ 700 milhões às estatais Eletrobras, Petrobras e Eletronuclear, prejudicadas pelo esquema de cartel e corrupção.

O acordo é o maior do gênero já firmado na história do país e garantirá imunidade a outros executivos da empreiteira que corriam o risco de serem denunciados por prática de cartel, corrupção, improbidade administrativa, entre outros crimes.

Em delação premiada, três executivos da Camargo Corrêa, entre eles o presidente da empreiteira Dalton Avancini, confessaram o pagamento de propina e a prática de cartel em obras como a refinaria Abreu e Lima, a hidrelétrica de Belo Monte e a usina de Angra 3.

Em sua delação, Avancini afirmou que no caso da Petrobras a propina paga foi de R$ 110 milhões. Em Belo Monte foi pago um suborno de R$ 20 milhões. Já em Angra 3, a negociação do suborno foi iniciada, mas não foi concluída. Por isso, a propina não chegou a ser repassada.

O acordo foi assinado pelo procurador da Operação Lava Jato, Carlos Fernando de Lima e pelo advogado da Camargo Corrêa, Celso Vilardi. Uma de suas cláusulas prevê a implantação de um sistema de compliance, uma espécie de controle interno feito para evitar corrupção dentro da empresa.

No entanto, não é a primeira vez que a Camargo Corrêa se compromete a eliminar a corrupção dentro da empresa. A empreiteira foi alvo da Operação Castelo de Areia, feita entre 2009 e 2011, que investigou um esquema de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e pagamento de propina a políticos por executivos da empresa. A investigação foi arquivada após o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar ilegais as provas contra a empresa porque foram produzidas a partir grampos telefônicos não autorizados.

As escutas mostraram o envolvimento de membros dos partidos PSDB, PDT, DEM, PP, PPS, PMDB e PSB. Em fevereiro deste ano, o ministro do STF Luis Roberto Barroso negou dois recursos do Ministério Público Federal para reabrir a investigação. O ministro justificou sua posição afirmando que para reabrir a investigação seria necessário fazer o reexame de provas, o que não é permitido em recurso extraordinário.

Fontes:
Folha-Camargo Corrêa faz acordoe devolverá R$ 700 milhões
Estadão-STF nega reabertura da Castelo de Areia

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