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INCERTEZA

Caminhoneiros: quando e onde a greve vai parar?

É tensa a situação nesta quarta em trecho da Via Dutra no sul fluminense. Piquetes no local seguem grandes e agitados

Caminhoneiros: quando e onde a greve vai parar?
Ordem que transborda de piquetes caminhoneiros é: 'Intervenção Militar Já' (Foto: Hugo Souza)

Na manhã da última segunda-feira, 28 de maio, horas depois de Michel Temer em pessoa anunciar as derradeiras concessões do governo federal aos caminhoneiros em greve, nada havia mudado em um dos maiores piquetes da região sul do estado do Rio de Janeiro. Trata-se do piquete do posto da rede Olá na localidade de Floriano, divisa entre os municípios de Barra Mansa e Porto Real. Este último, Porto Real, integra o grupo de cidades reunidas na sigla RIP (Resende, Itatiaia e Porto Real), que é o nome do pólo industrial instalado nas margens de 30 quilômetros da Via Dutra no Vale do Paraíba Fluminense, a meio caminho entre as duas maiores cidades do país, Rio e São Paulo. É, portanto, uma região nevrálgica para o transporte de cargas no Brasil.

Apesar do anúncio de Temer na noite de domingo, 27, de cinco novas medidas para tentar pôr fim à greve (na segunda rodada de anúncios pelo governo de concessões à categoria), cerca de 100 caminhões permaneciam no piquete. Entre as medidas anunciadas estão: isenção da cobrança do eixo suspenso (caminhão sem carga) nos pedágios em todo o território nacional; redução de R$ 0,46 no litro do diesel (o equivalente à incidência da PIS/Cofins) por 60 dias; e reserva para caminhoneiros autônomos de 30% dos fretes da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Na segunda pela manhã, muitos caminhoneiros do piquete de Floriano desconheciam o anúncio das novas medidas, confirmando a informação de que a direção de sindicatos passava à imprensa naquela altura, de que não havia dado tempo de avisar os acostamentos. Avisados por esta reportagem, deram de ombros. A pergunta mais importante já começava a deixar de ser, portanto, quando, mas sim onde a greve dos caminhoneiros iria parar. Às duas perguntas, quando e onde, a resposta dos caminhoneiros parados no piquete de Floriano era quase consensual: “quando o Temer cair”.

Ainda é. Nesta quarta-feira, 30, pela manhã, o número de caminhões espremidos no posto Olá de Floriano parecia não ter se alterado. Sobre se aumentou, se diminuiu, funcionários do posto confirmam: “está a mesma coisa”. Só saem, reiteram os caminhoneiros, quando o governo cair. As imensas lonas viradas para a Via Dutra com a palavra de ordem “Intervenção Militar Já” também continuam lá, como estavam e como estão desde o início da greve. Na segunda-feira, duas senhoras de uma diocese da região apareceram para rezar com os grevistas. Rezaram dezenas de Ave Marias à sombra de uma cabine de carreta com aquela palavra de ordem escrita no parabrisa.

A ‘Casa do General’

Na segunda, mais que diesel, eixos, pedágios e impostos, em vez de informes sindicais, o que dominava as várias rodas de conversa eram vídeos e áudios que circulavam pelo WhatsApp sobre o avivamento dos ânimos no sentido de uma intervenção militar. Na manhã desta quarta, uma das mudanças na situação da Via Dutra no Vale do Paraíba Fluminense era que, em vez de reunidos em pequenos grupos entre os caminhões, centenas de caminhoneiros estavam agrupados nos canteiros à beira das estradas. Os piquetes estavam claramente maiores, ao contrário dos informes por parte do governo e da mídia de “desmobilização” do movimento.

Uma outra diferença em relação a domingo e segunda era, nesta quarta, a quantidade de caminhões circulando pela estrada. No domingo, como na segunda, era zero. Hoje, havia vários. A maioria era de caminhões tanque. Um ou outro caminhão baú passava sem escolta. Um comboio de dezenas de caminhões passou no sentido São Paulo da Dutra “puxados” por uma única viatura da Polícia Rodoviária Federal.

Em outro piquete, na altura da cidade de Barra Mansa, ainda no sul fluminense, dezenas de caminhoneiros estavam agitados à beira da pista sentido Rio. Do outro lado, sentido São Paulo, cerca de 20 soldados do Exército estavam a postos na beira da estrada, com fuzis nas mãos.

No último fim de semana, a região Sul Fluminense teve passeatas e carreatas ecoando a palavra de ordem que transborda de piquetes caminhoneiros para as ruas das cidades: “Intervenção Militar Já”. Há vários relatos na região de motoristas enfrentando hostilidades por enfrentarem as filas de espera para abastecer com o combustível que começa a chegar, porque estariam “enfraquecendo a greve”.

No domingo, no fim do dia, houve manifestação de não poucas pessoas na frente do portão monumental da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), a maior academia militar da América Latina. Pediam “intervenção”. Pouco depois, uma multidão rumou para a residência do comandante da Aman, na região central de Resende. Cantaram o Hino Nacional e repetiram aquele pedido na frente daquela que na cidade é conhecida como a “Casa do General”. No fim da manhã desta quarta, a Petrobras anunciou que sobe o preço da gasolina nas refinarias.

Posted by Hugo Souza on Monday, May 28, 2018

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