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Falsos eleitores

Candidatos usam fotos de arquivo estrangeiras em campanha política

Fotos usadas na campanha de alguns candidatos mostram modelos como se fossem eleitores, pedindo votos e elogiando serviços

Candidatos usam fotos de arquivo estrangeiras em campanha política
Foto usada na campanha de Paulo Souto (DEM), candidato ao governo baiano, mostra 'uma eleitora sendo atendida em uma clínica construída durante sua gestão' (Reprodução/Folha)

Candidatos em campanha vêm usando fotos retiradas do arquivo de uma empresa de imagens americana, a Shutterstock, para fazer propaganda política falsa. Fotos veiculadas na campanha de alguns candidatos mostram modelos como se fossem eleitores, pedindo votos e elogiando serviços. Tudo alterado via Photoshop, um programa de tratamento de imagens.

Exemplo disso é a foto de uma “eleitora” que pede votos para Rui Costa (PT) o candidato ao governo da Bahia. Na foto, a legenda da “eleitora” diz que “o candidato está na cabeça e no coração do povo”. Porém, a mesma foto também foi usada em uma campanha publicitária na Índia.

Outro candidato ao governo baiano, Paulo Souto (DEM) usou em sua campanha uma foto onde uma mulher aparece fazendo um exame de ultrassom ao lado do marido. A legenda da foto diz que trata-se de uma cliente sendo atendida em um hospital construído durante a gestão de Souto como governados do estado (entre 2003 e 2007). Porém, a imagem também faz parte do acervo da Shutterstock, que tem em seus arquivos mais de 40 milhões de fotos.

A campanha de Gleisi Hoffmann usou a foto de um homem cuja legenda diz “sou pedreiro, voto Gleisi”. Na verdade, a foto também fez propaganda de firmas do Canadá, EUA e Nigéria.

O uso de fotos de arquivo é considerado pelas equipes de campanhas uma forma natural de cortar custos. Uma foto retirada de um banco de imagens custa entre R$ 1 e R$ 24, ao passo que produzir uma foto eleitoral custa pelo menos R$ 1 mil, fora a comissão do fotógrafo.

Contudo, alguns especialistas em publicidade acreditam que a economia pode custar caro para o candidato. “O benefício é irrisório frente ao custo político de usar imagens falsas. Só consigo ver prejuízo para a campanha e o candidato, que perde credibilidade”, diz Afonso de Albuquerque, professor de Comunicação da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Veja baixo alguns exemplos de fotos de arquivo usadas nas campanhas deste ano:

Imagem de arquivo usada na campanha de Rui Costa (PT), candidato ao governo baiano (Reprodução/Folha)

Imagem de arquivo usada na campanha de Gleisi Hoffmann (PT), candidata ao governo do Paraná (Reprodução/Folha)

Imagem de arquivo usada na campanha de Geddel Vieira Lima (PMDB), candidato ao Senado (Reprodução/Folha)

Imagem de arquivo usada na campanha de Geddel Vieira Lima (PMDB), candidato ao Senado (Reprodução/Folha)

Imagem de arquivo usada na campanha de Beto Richa (PSDB), candidato ao governo do Paraná (Reprodução/Folha)

Fontes:
Folha-Candidatos mostram modelos estrangeiros como se fossem eleitores

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