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POLÊMICA

Carlos Bolsonaro será denunciado por apologia à tortura

Vereador se envolveu em polêmica após compartilhar em rede social uma imagem que remetia à tortura

Carlos Bolsonaro será denunciado por apologia à tortura
O vereador, filho de Jair Bolsonaro, está sendo acusado por apologia à tortura (Foto: Caio César/CMRJ)

O vereador David Miranda (Psol-RJ), anunciou que vai apresentar uma denúncia ao Conselho de Ética da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro contra o seu colega Carlos Bolsonaro (PSC-RJ). O vereador, filho do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), está sendo acusado pela oposição por apologia à tortura.

Isso porque na última quarta-feira, 26, Carlos Bolsonaro compartilhou na ferramenta Stories, do Instagram, uma imagem de um militante do movimento “#EleNão”, em referência ao pai do vereador. Na imagem, o jovem simula uma tortura, com saco plástico na cabeça, sangue no nariz, amarrado e escrito “#EleNão” no peito. Na postagem original, feita há cerca de dois dias, o jovem escreveu na legenda: “Para que não se esqueça. Para que nunca mais aconteça”. Em crítica a postagem, o perfil @direitapvh, que, segundo o El País, é oposição ao PT e pró-Trump, compartilhou a imagem com a frase “sobre pais que choram no chuveiro”.

Carlos Bolsonaro, por sua vez, compartilhou a imagem no Stories, parafraseando o perfil @direitapvh, e marcando o usuário na postagem. A publicação não foi bem vista por militantes e políticos da oposição, com milhares de críticas sendo feitas pelas redes sociais e a hashtag “#TorturaNuncaMais” se tornando um dos assuntos mais comentados do Twitter no Brasil.

Diante das críticas, o vereador do PSC se defendeu. Usando as contas nas redes sociais, Carlos Bolsonaro escreveu: “Novamente inventam como se eu tivesse divulgado uma foto dizendo que quem escreve a hashtag #elenao mereceria alguma maldade. Não, canalhas! Foi apenas a replicação da foto de alguém que considera isso uma arte”, disse Carlos Bolsonaro, negando ter feito qualquer tipo de apologia à tortura.

O vereador continuou e explicou que a frase “pais que choram no chuveiro” é uma expressão “relativa à vergonha que um pai deve sentir ao ver um filho postar uma m* de imagem dessas e achar que é arte ou o que é pior, relacionar com a imagem do candidato”.

Os militantes e políticos da esquerda, por sua vez, afirmam que essa frase é usada comumente para atacar membros da população LGBT. Ademais, afirmam que Carlos Bolsonaro teria compartilhado a imagem como forma de ironizar a “arte” feita pelo militante. Em seu perfil, Ronaldo Creative, autor da foto, deixa claro que usa a “arte como forma de protesto”.

Denúncia

O vereador David Miranda, que está concorrendo ao cargo de deputado federal, fez duras críticas à atitude de Carlos Bolsonaro. Em um pronunciamento na Câmara dos Vereadores, Miranda se disse “muito chocado”, apontando a postagem como “um absurdo” e acusando o parlamentar do PSC de “quebra de decoro”.

“Sábado [29] a gente tem o maior movimento contra ele [Carlos Bolsonaro], ele não, contra o pai dele [Jair Bolsonaro]. Um dos maiores movimentos desse país. Isso aqui [a postagem] é uma ameaça a todo mundo que vai para a rua no sábado”, destacou em um vídeo compartilhado nas redes sociais. Ademais, David Miranda relembrou ainda uma agressão sofrida por uma organizadora do movimento “Mulheres Contra Bolsonaro”, que teria, supostamente, sido cometida por apoiadores do presidenciável.

Segundo uma matéria do jornal Estadão, do último dia 25 de setembro, Maria, como foi identificada por medidas de segurança, relatou que três homens não identificados esperavam na porta de sua casa, na Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro. Um deles estava no volante de um táxi e os outros dois do lado de fora do veículo.

Através de seu site, Miranda começou a recolher assinaturas para a “representação contra Bolsonaro no Conselho de Ética”. Na chamada para o abaixo-assinado, o vereador afirma que “quem é abertamente LGBTfóbico, racista, machista e defende a tortura não pode governar! #EleNão #EleNunca”.

Debate nas redes sociais

Não demorou muito para que o caso ganhasse notoriedade. Eleitores de todos os campos políticos se posicionaram contra ou a favor de Carlos Bolsonaro. As principais críticas eram sobre a “ironia” e a “apologia à tortura”. Enquanto isso, os defensores de Bolsonaro afirmavam que ele apenas tinha compartilhado a imagem como uma crítica a uma suposta “arte”, não fazendo nenhum direcionamento à agressão.

Ademais, os apoiadores lembravam ainda que Carlos Bolsonaro já havia se pronunciado pelas redes sociais para explicar todo o episódio. Pelo Twitter, o Movimento Brasil Livre, que ganhou força na época do impeachment de Dilma Rousseff, compartilhou um “passo a passo da criação da mais nova fake news da grande imprensa”.

O presidenciável Ciro Gomes (PDT) usou as redes sociais para criticar a postagem de Carlos Bolsonaro. O candidato afirmou que “Bolsonaro defende o torturador Brilhante Ustra. Seu vice, Mourão, também defende torturadores” e destacou que o vereador do Rio de Janeiro fez “apologia à tortura”. “Nós temos que encerrar essa cultura de ódio”, ressaltou Ciro.

Os candidatos Guilherme Boulos (Psol) e Vera Lúcia (PSTU) também se posicionaram contrários a postagem de Carlos Bolsonaro. Boulos usou o Twitter e afirmou que o vereador do PSC “incita a violência e tenta intimidar quem apoia o movimento protagonizado pelas mulheres”. Já Vera Lúcia convocou a população às ruas no próximo dia 29 de setembro, quando ocorrerá um movimento contra Jair Bolsonaro.

Quem é Carlos Bolsonaro

Carlos Bolsonaro, vereador pelo Rio de Janeiro em seu quinto mandato, foi eleito pela primeira vez aos 17 anos de idade, se tornando o vereador mais jovem da história em todo o Brasil. Para o seu quinto mandato na Câmara Municipal, ele recebeu 106.657 votos, sendo o vereador mais votado da cidade.

Filho do presidenciável Jair Bolsonaro e irmão do deputado estadual Flávio Bolsonaro, que concorre ao Senado, e do deputado federal Eduardo Bolsonaro, Carlos exerceu o seu primeiro mandato em 2001, sendo reeleito em todas as eleições desde então. O vereador já passou pelos partidos Trabalhista Brasileiro (PTB) e Progressista (PP), antes de chegar ao Partido Social Cristão (PSC).

Atualmente, Carlos é vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal do Rio de Janeiro – cargo que já ocupou entre 2005 e 2007 e 2011 e 2013-, e, pela sua página oficial no Facebook, afirma que tem como principais bandeiras o combate “à violência, a miséria e a degradação ambiental, a redução da maioridade penal e o planejamento familiar”.

Carlos Bolsonaro é formado em Ciências Aeronáuticas pela Universidade Estácio de Sá, tendo concluído o curso em 2005, quando já era vereador, em seu segundo mandato. Logo em seus primeiros anos na Casa, ele foi vice-presidente da Comissão de Esportes e Lazer e, mais tarde, da Comissão de Turismo.

Em seu site oficial, Carlos Bolsonaro chama a atenção para as suas lutas contra o “Kit Gay”, pela “Escola Sem Partido”, pela “proibição de contratação de médicos estrangeiros sem prova de capacidade (em referência ao programa Mais Médicos) no Rio de Janeiro” e pelo transplante de medula óssea – autor da Lei 5304/11.

Segundo o site da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro tem, ao todo, seis Emendas à Lei Orgânica, duas Leis Complementares, 27 Leis Ordinárias, 2 Decretos Legislativos e 5 Resoluções, totalizando um número de 42 atividades parlamentares nesse quesito.

Em 2016, no entanto, ele se envolveu em uma das maiores polêmicas de sua vida política: o Projeto de Lei 1442/2015, que garantiria salário vitalício para alguns vereadores do Rio de Janeiro. Apesar de não ter sido autor do documento, o nome de Carlos Bolsonaro aparece como um dos apoiadores do projeto. Ao Estadão, o vereador do PSC se defendeu, afirmando que era “só coautor” da proposta.

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