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CASO CACHOEIRA

Cassação de Demóstenes: não há muito a se comemorar

Despediu-se uma andorinha, mas uma andorinha não faz verão, e quem assume no lugar de Demóstenes é o suplente, ex-marido da atual mulher de Cachoeira

Cassação de Demóstenes: não há muito a se comemorar
Sai uma andorinha e provavelmente entrará outra de piado semelhante (Reprodução/ABr)

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Cassado o senador Demóstenes. E?

É, realmente não há muito a se comemorar. Publicamente desmoralizado com base em fartas fontes probatórias, despediu-se uma andorinha, mas como uma andorinha não faz verão…

Leia também: Demóstenes perde o mandato

Interessante informar que sai uma andorinha e provavelmente entrará outra de piado semelhante. Assumirá o suplente Wilder Pedro de Moraes, empresário, sócio majoritário de empresas do ramo da construção civil, secretário de Infraestrutura de Goiás e ex-marido da atual mulher de Carlos Cachoeira.

Não seria demais dizer que está tudo em casa? Enquanto isso Demóstenes deverá retornar ao cargo de procurador do estado de Goiás. Pergunto: para esse cargo concursado,  moralidade pública não se exige?

Essa andorinha que restou “massacrada” em plenário e que tentou piar alto pela última vez, mas que pelo seu desgaste não logrou produzir eco muito além de 19  mais cinco pares. Dezenove mais cinco pares protegidos pelo famigerado voto secreto, de caráter antidemocrático e da mais profunda opacidade republicana.

Uma das perguntas que nesse momento está a encabular-me consiste em saber qual seria o fundamento dessas 19 mais cinco andorinhas que inocentariam Demóstenes da cassação. Laços de amizade? Serem feitos da mesma substância? Terem seus “rabos”unidos pelo mesmo nó?

Certo, que nesse episódio a imprensa cumpriu seu fundamental e foi implacável! Tão implacável, que nem mesmo o voto secreto foi capaz de vencer a imoralidade que se respirava a cada voto desferido naquele plenário. Pela contagem percebemos que a grande maioria acredita piamente na máxima de que ladrão que rouba ladrão tem cem anos de prisão, ops, perdão, como que em respeito à lógica de que trair traidor não é traição, é sobrevivência (em uma adaptação).

Na situação moral que o ex-senador esteve não peco pelo exagero se afirmar que a maior parte dos que votaram pela “ética no Senado” (expressão um tanto excludente, devo confessar) se encontra em situação de isonomia com seu par cassado. A diferença? Parte ainda não foi desvendado e parte falta divulgação. Sabemos que a  Justiça exige pedido de autorização para se gravar imoralidades, para que essas sejam divulgadas com valor probante.

Ainda assim lançarei a sementinha da discórdia: até onde uma figura pública,  paga com o erário público, tem legitimidade para arguir que sua intimidade foi violada e que uma eventual escuta, por não autorizada pela Justiça, revelar-se-ia prova ilícita, e, portanto, imprestável a um eventual processo? A Justiça, com base em nossa legislação vigente, ainda protege e muito essas figuras notórias de nossa política, para mim um dos grandes empecilhos no combate à corrupção, aos desvios do erário e à maioria dos crimes contra a Administração Pública.

É provável que neste momento, alguém que esteja lendo esse parágrafo, questione: O que o autor  pretende? A criação de um “Estado policial”? Dar azo a “denuncismos”? Bom, minha vida é um livro aberto, embora não tenha acesso a dinheiro público para ser fiscalizado, meu travesseiro é meu companheiro… E você? Pode dizer o mesmo?

Sem mais.

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1 Opinião

  1. Gell Castro disse:

    Vão-se os anéis…..

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