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Conferência UE-Celac

Cautela argentina no acordo entre Mercosul e UE divide governo brasileiro

Após mais de 15 anos de negociação, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia pode finalmente avançar este ano

Cautela argentina no acordo entre Mercosul e UE divide governo brasileiro
A presidente Cristina Kirchner tem como prioridade proteger a indústria nacional (Foto: Wikimedia)

Na última quarta-feira, 10, ocorreu a reunião entre a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) e a União Europeia (UE), em Bruxelas, feita para marcar uma data para a troca de ofertas do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a UE. O acordo pode finalmente avançar este ano depois de mais de 15 anos de negociação.  No entanto, a cautela argentina divide o governo brasileiro.

Para que o acordo seja fechado, é preciso que os países digam quais áreas podem ser incluídas. Enquanto a agricultura sempre foi um tema sensível para a União Europeia, setor que o bloco tentava proteger, para os países do Mercosul, o problema era a entrada de produtos industrializados europeus. O país sul-americano que mais resistia ao processo era a Argentina. A presidente Cristina Kirchner, por sua vez, tem como prioridade proteger a indústria nacional.

Mas os governos brasileiro e uruguaio fizeram pressão para que o acordo saísse, chegando a mencionar a possibilidade de uma negociação com “velocidades diferentes”. Ou seja, negociariam sem a Argentina, que poderia entrar depois. A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, chegou a dizer que “seria ideal” a Argentina aceitar o acordo, “mas se não quiser aceitar ou vem ou vai ficar”. Na cúpula da Celac, entretanto, o chanceler da Argentina, Héctor Timerman, negou que os países pudessem negociar separadamente e disse que a proposta do Mercosul está pronta. Mas ele acrescentou que “é a favor do acordo sempre que seja favorável para ambas as partes e que não sacrifique nem um posto de trabalho na Argentina”, de acordo com a imprensa do país.

As eleições presidenciais na Argentina ocorrem em outubro. Enquanto membros do governo brasileiro, mais ligados à esquerda, defendem que o acordo seja feito após as eleições, outros querem que as negociações ocorram o mais rápido possível. Mas, até agora, não há definição sobre quando o acordo pode sair. Os europeus ainda não tem uma proposta fechada. Após um dia de cúpula, espera-se agora que a troca de propostas seja feita até outubro.

 

Fontes:
BBC-Cautela argentina em acordo com UE divide governo brasileiro

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