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‘Celso Daniel Política, corrupção e morte no coração do PT’, por Silvio Navarro

O mistério da morte de Celso Daniel, prefeito de Santo André, é tão rico em continuações e complexidades que daria um bom seriado de televisão

‘Celso Daniel Política, corrupção e morte no coração do PT’, por Silvio Navarro
Não existem provas de quem ordenou a morte de Celso Daniel (Foto: Editora Record)

O jornalista Silvio Navarro, que segundo informa o livro trabalha na revista Veja, publicou recentemente um corajoso livro com o título acima. Digo “corajoso” porque ele fala desde o assassinato do prefeito de Santo André, em 2002, até a continuação do mistério nos dias de hoje. Esse caso é tão rico em continuações e complexidades que daria um bom seriado de televisão. Depois do assassinato original foram mortos, entre outros, o homem que dirigia o carro em que ele estava; o garçom que o serviu no restaurante antes da morte; o médico legista que fez a autópsia no cadáver.

Este último caso é especialmente interessante: o legista deixou registrado que a vítima foi torturada cruelmente durante horas. Ora, a polícia, querendo evitar um escândalo político, tentou vender a teoria de um “assalto comum”. Pergunta-se: que espécie de assaltante passa horas torturando o assaltado? Em todos os assaltos de que ouvi falar o assaltante assalta e se manda rapidamente. Solução para essa dúvida: mate-se o legista e destrua-se o relatório dele. Acontece que havia uma cópia do relatório, e está tudo registrado. Tudo leva a crer que a morte foi ordem do PT.

O PT sempre se financiou através das prefeituras que conseguia. Acho que começou com Antonio Palocci em Ribeirão Preto. A técnica era sempre a mesma: a prefeitura dava concessão de serviços públicos a empresas, por exemplo coleta de lixo, e cobrava uma comissão, que servia para financiar o partido. Acontece que em Santo André,  onde Celso era prefeito, ele descobriu que o dinheiro estava indo para o bolso dos colegas, e ameaçou denunciar. Jantando com um amigo, apelidado de “Sombra”, ele contou o que pretendia fazer. Resultado: morte a todos, até ao garçom que talvez tivesse ouvido parte da conversa.

Não existem provas de quem ordenou a morte de Celso, mas ele era da cúpula do partido, gerente de campanha de Lula. É claro que a ordem veio de cima, provavelmente Lula ou José Dirceu. Daí eu admirar a coragem do autor: ele está mexendo num vespeiro, e nem todas as vespas estão no xadrez. Tem muita gente da turma solta por aí. A revista devia dar proteção de segurança a ele.

2 Opiniões

  1. Narizinho disse:

    Há tempos escuto falar em assassinato. Ainda bem que o assunto volta à baila

  2. Natanael Ferraz disse:

    Quando o PT começou a ganhar prefeituras, o esquema era fazer o caminhão do lixo passar pelo menos duas vezes na balança, e dividir meio-a-meio com a empresa de coleta.
    “É que lixo ninguém confere” confidenciou-me certa vez um petista.

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