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ELEIÇÕES 2018

CEO da Riachuelo quer disputar a presidência

Flávio Rocha confirmou que pretende disputar o cargo. Ainda sem partido, ele tem até o dia 7 de abril para se filiar a uma legenda

CEO da Riachuelo quer disputar a presidência
Flávio Rocha já foi pré-candidato à presidência da República em 1994 (Foto: Wikimedia)

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O presidente-executivo (CEO) da Riachuelo, Flávio Rocha, confirmou na última quarta-feira, 21, que pretende se candidatar à presidência da República nas eleições de 2018. Apesar de ainda não ser filiado a nenhum partido político, Rocha já conversa com algumas legendas, como MDB, PRB, PP e PTB, e tem até o próximo dia 7 de abril para se filiar.

Com uma posição neoliberal na economia e conservadora nos costumes, Flávio Rocha quer disputar apenas a presidência, rejeitando a possibilidade de se filiar a um partido para ocupar o cargo de vice-presidente.

“Não seria candidato só para firmar posição e estamos tendo indícios de que é uma candidatura para valer e competitiva. Quero ser um cabeça de chapa para que as nossas ideias sejam protagonistas. A vice [candidatura] não dá protagonismo às ideias”, afirmou o CEO da Riachuelo à agência Reuters.

Em fevereiro, em entrevista à Exame, Rocha havia descartado a possibilidade de ser candidato à presidência por considerar que já estava muito tarde para se filiar a algum partido. Porém, no início deste mês, em um evento no Rio Grande do Norte, o executivo voltou a comentar a possibilidade de ser presidente do Brasil, e revelou o interesse em ser candidato ao cargo ainda este ano.

Quem é Flávio Rocha

Flávio Rocha, antes de confirmar a sua candidatura, já contava com o apoio do Movimento Brasil Livre (MBL). Como experiência política, o CEO da Riachuelo foi eleito em duas eleições seguidas, em 1986 e 1990, pelo PFL (atual DEM) e PL (atual PR), respectivamente, para o cargo de deputado federal. Em 1994 chegou a ser pré-candidato à presidência, mas deixou a disputa para apoiar a candidatura de Fernando Henrique Cardoso.

Quando foi deputado federal, durante o processo de elaboração da Constituição de 1988, Flávio Rocha “votou contra o rompimento de relações diplomáticas com países que praticassem políticas de discriminação racial, a pena de morte, a limitação do direito de propriedade, o turno ininterrupto de seis horas, a jornada semanal de 40 horas, a demissão sem justa causa e a proibição do comércio de sangue. E a favor do mandado de segurança coletivo, da pluralidade sindical, do presidencialismo, do voto facultativo aos 16 anos, do mandato de cinco anos para o então presidente José Sarney, da anistia aos micro e pequenos empresários e da legalização do jogo do bicho”, conforme aponta a sua biografia publicada pela Fundação Getúlio Vargas.

Com uma fortuna avaliada em US$ 1,3 bilhão, Rocha é um dos homens mais ricos do Brasil, ocupando a 39ª posição numa lista dos brasileiros mais abastados elaborada pela revista Forbes. Defensor da redução do Estado e da diminuição na cobrança de impostos, Flávio Rocha acredita que os empresários brasileiros deveriam ser mais ativos na política.

“Há décadas que o Brasil optou por odiar os empreendedores, os investidores, os inovadores e os resultados falam por si. Agora é hora de mostrar que é possível um outro caminho”, afirmava um texto divulgado em Nova York, nos Estados Unidos, em janeiro deste ano, no lançamento do movimento Brasil 200, que foi fundado por diferentes empresários brasileiros, entre eles, Flávio Rocha.

Grande crítico do governo do PT, dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, Rocha acredita que uma das melhores opções para se combater a pobreza é a política do livre mercado – princípio capitalista que defende a livre concorrência -, apoiando-se em uma agenda econômica liberal.

Em março, em uma entrevista à Folha de São Paulo, Rocha celebrou a decisão da Justiça de condenar um homem a pagar R$ 750 mil a sua antiga empresa. “O único direito que o trabalhador, o mau trabalhador, perdeu foi o de mentir, porque era o que acontecia, principalmente da parte do advogado, que puxava um cardápio e colocava [na ação trabalhista] mais 30 demandas mentirosas”, afirmou Rocha.

No âmbito dos direitos humanos, Flávio Rocha é contrário à legalização do aborto e promoção dos direitos dos homossexuais, como o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O seu posicionamento fez com que a Riachuelo recebesse um boicote no início de 2018. No entanto, o CEO da marca afirmou que a Riachuelo é uma das empresas que mais emprega transexuais, permitindo o uso do nome social, e tem 57% dos cargos de liderança nas mãos das mulheres.

Fontes:
Reuters-CEO da Riachuelo diz que vai disputar Presidência com plataforma liberal na economia e conservadora nos costumes
O Globo-Com jingle de dupla sertaneja, dono da Riachuelo tenta emplacar candidatura
Huffpost Brasil-Quem é Flávio Rocha, o candidato a presidente do MBL e dono da Riachuelo

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