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Caso Pasadena

Cerveró contradiz Foster e afirma que Pasadena envolveu ‘planejamento estratégico’

Em audiência pública no Senado, ex-diretor da Petrobras se defende e afirma que cláusulas omitidas de relatório não teriam importância

Cerveró contradiz Foster e afirma que Pasadena envolveu ‘planejamento estratégico’
Cerveró disse que cláusulas omitidas de relatório não teriam importância (Reprodução/Alan Marques/Folhapress)

Apontado pela presidente, Dilma Rousseff, e pela chefe da Petrobras, Graça Foster, como o responsável pelo “relatório falho” que levou à compra superfaturada da refinaria de Pasadena, nos EUA, o ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, participou nesta quarta-feira, 15, de uma audiência pública no Senado, onde contradisse o depoimento da presidente da estatal no dia anterior.

Enquanto Graça Foster reconheceu na terça-feira que a compra foi um “mau negócio”, Cerveró afirmou que a aquisição da refinaria em 2006 “estava perfeitamente enquadrada dentro do planejamento estratégico da Petrobras”. Ele também acrescentou que é comum o conselho administrativo da estatal aprovar projetos baseados em relatórios resumidos e que cláusulas “put option” e “marlin” omitidas do relatório usado por Dilma para embasar a compra não teriam importância “do ponto de vista negocial”. Pasadena gerou um prejuízo de US$530 milhões à estatal.

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“Não posso aceitar que seja utilizada, em repetidas vezes, essa expressão que foi uma malfadada operação. Essa operação não foi malfadada ou desastrosa. O projeto não foi completado como estava previsto e foi aprovado pela diretoria e pelo próprio conselho de administração. A rentabilidade se daria, quando se concluísse o projeto para o qual foi aprovado”, afirmou.

Cerveró disse que a compra fazia parte dos planos da estatal de aumentar o refino de petróleo no mercado internacional, uma estratégia de internacionalização da empresa da qual o ex-presidente Lula “era entusiasta”.

O ex-diretor contou que, em 2007, o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli viajou com o ex-presidente Lula para a Escandinávia, com o objetivo de conversar com o CEO da Astra Oil. Naquela época, foi definido que a estatal brasileira teria que comprar 50% da refinaria ou vendê-la. Pouco depois, Cerveró negou que Lula tenha participado da suposta reunião, alegando apenas que os diretores da Petrobras acompanharam o ex-presidente na viagem.

Em março, a presidente Dilma Rousseff criticou Cerveró por omitir as clásulas “put option” e “marlim”. A primeira estabelece que, em caso de desacordo com os sócios, uma parte compraria a outra. Já a segunda estipulava uma garantia de rentabilidade mínima de 6,9% ao ano. Essa crítica foi endossada por Graça Foster na terça-feira.

Cerveró argumentou que nunca teve “intenção de enganar” ninguém e afirmou que as cláusulas citadas não eram relevantes. “Elas não têm representatividade no negócio. Tanto que não eram importantes nem uma, nem a outra.” Ele completou dizendo que todas as decisões feitas durante as negociações foram alcançadas em consenso comum. “A posição não é só minha, mas da diretoria que aprovou a compra. Não existem decisões individuais, nem na diretoria, nem no conselho. Foi tudo baseado em uma série de consultorias por mais de um ano.”

 

 

Fontes:
O Globo-Ao contrário de Graça Foster, Cerveró afirma que compra de Pasadena não foi um mau negócio
Folha-Nestor Cerveró rebate Dilma e diz que cláusula omitida não era importante

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