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Chacina da Candelária: o massacre de meninos de rua

Na madrugada de 23 de julho de 1993, policiais à paisana mataram oito crianças e feriram dezenas em frente à igreja da Candelária, no Centro do Rio de Janeiro

Chacina da Candelária: o massacre de meninos de rua
Uma manifestação em 2009 relembra as vítimas mortas na chacina (Foto: Flickr)

A chacina da Candelária aconteceu em 1993 no Rio de Janeiro, em frente à Igreja da Candelária, e chocou o mundo. Na madrugada do dia 23 de julho, policiais à paisana abriram fogo contra mais de 40 meninos de rua que dormiam nas escadarias da igreja, no Centro da cidade. Oito crianças morreram e dezenas ficaram feridas. Três policiais foram condenados pelo crime e dois foram absolvidos.

O relato de um sobrevivente levou à prisão de três dos policiais envolvidos no crime. Wagner dos Santos tinha 21 anos quando foi baleado quatro vezes junto a dois outros adolescentes que dormiam próximo a igreja. Os três foram abandonados perto do Museu de Arte Moderna (MAM), no Aterro. Dos três, apenas Wagner sobreviveu e conseguiu fazer o retrato falado dos criminosos.

As investigações revelaram que o massacre foi uma ação de represália dos policiais após um episódio de vandalismo por parte de alguns meninos de rua que estavam em frente à igreja na tarde anterior ao massacre. Na ocasião, meninos jogaram uma pedra em um carro da polícia, quebrando o vidro e ferindo levemente um dos policiais militares, depois que um deles foi detido.

Os três policiais condenados receberam penas que somavam mais de 200 anos de prisão, mas foram soltos antes de cumprirem 20 anos no regime fechado.

Fontes:
G1 - Chacina da Candelária: sobrevivente ainda tem pesadelos, diz irmã

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3 Opiniões

  1. Rogerio Faria disse:

    Não é melhor o aborto, a vasectomia e a ligadura das trompas? Com as palavra os padres, bispos, papas etc.

  2. Leonora Hermes Luz disse:

    Foi mais do que isso. O “Saara” vivia cheio de meninos que furtavam e o comércio estava sofrendo com isso. Os próprios lojistas do bairro pagaram as famílias dos menores para mantê-los afastados da região apinhada de consumidores. Eles se cotizaram para dar apoio financeiro regular à essas famílias evitando que os menores voltassem a atuar nas cercanias. Os que não se “enquadraram” e continuaram furtando no Saara são o grupo que foi atacado pelos policiais à paisana em frente à Candelária. Os mesmos comerciantes que pagaram pra que os trombadinhas saíssem dali, pagaram pra que estes policiais exterminasse os rebeldes.

  3. Fernando Bastos disse:

    Preso injustamente por participação na chacina da Candelária, que vitimou oito menores de rua, em julho de 1993, o policial militar Luiz Cláudio Andrade dos Santos ganhou na Justiça indenização de R$ 180 mil, por danos morais. Ele foi equivocadamente reconhecido por um sobrevivente da chacina e ficou preso por quase três anos.Pastor evangélico, Santos estava num culto no Méier, zona norte da cidade, quando as oito crianças que dormiam na Praça Pio X, perto da Igreja da Candelária, foram executadas.Segundo o advogado do PM, Ekel de Souza, a pressa do então governo fluminense para encontrar os culpados levou ao erro. “Um dos sobreviventes disse que um policial do 5º Batalhão da PM (onde Santos é lotado) conhecido como Pelé tinha participado. Como ele é negro, foi acusado”, contou Souza, que explicou que seu cliente não pode falar à imprensa porque a PM o proíbe. Indiciado em 1993, Santos foi julgado inocente em maio de 1996.Durante todo o tempo, ele ficou preso no batalhão onde trabalha – hoje, ele só faz serviços internos, com medo de ser reconhecido pela população como um dos assassinos da Candelária e ser hostilizado. “Ainda o apontam na rua. Na época da chacina os filhos dele tiveram de deixar a escola, porque o pai era visto como um matador de crianças”, disse Ekel de Souza.Depois de inocentado, Santos foi reintegrado à PM (ele fora expulso da corporação quando indiciado) e recebeu todos os salários atrasados. O advogado informou que o agora sargento Santos (ele era soldado, mas foi promovido quando inocentado) só pedirá aumento do valor da indenização por danos morais se o Estado recorrer da decisão judicial. “Nenhum dinheiro paga a humilhação que ele sofreu”, ressalvou Souza.Além de Santos, outros dois dos quatro policiais acusados inicialmente não haviam participado da chacina. Três dos sete verdadeiros assassinos, os ex-PMs Nélson Oliveira dos Santos Cunha, Marcus Vinícius Borges Emmanuel e Marcos Aurélio Dias de Alcântara já foram condenados.

    Engraçado esse mesmo advogado na época, recusou a tal indenização oferecida pelo Governador Garotinho. Com olho grande em maior indenização, convenceu o Soldado Claudio e o Tenente Cortes a não aceitarem. hoje 26 anos depois nada de nada e só sofrimento.

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