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Chacina em Altamira foi a maior em presídios do Brasil desde o Carandiru

Com 57 mortos, chacina em Altamira expõe confrontos, diretos e indiretos, entre facções do crime organizado do Rio e de São Paulo

Chacina em Altamira foi a maior em presídios do Brasil desde o Carandiru
Ao todo, 46 detentos serão transferidos, sendo dez para presídios federais (Foto: Reprodução/Google Maps)

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A rebelião no Centro de Recuperação Regional de Altamira, no Pará, que deixou 57 mortos na última segunda-feira, 29, foi a maior chacina em um presídio brasileiro desde o massacre do Carandiru, em 1992, que resultou em 111 detentos mortos.

Inicialmente, foi divulgado o número de 52 mortes. No entanto, durante a noite, o número foi atualizado para 57. Do total de mortos, 16 foram decapitados e 41 morreram asfixiados pela fumaça devido às chamas no complexo penitenciário. Esta foi a quinta chacina em prisões, desde janeiro de 2017, a contabilizar mais de 25 óbitos.

Anteriormente, a maior chacina desde o Carandiru havia sido registrada em janeiro de 2017, quando 56 pessoas morreram no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus (AM). Já a maior chacina de 2019 havia sido registrada em maio, quando 55 pessoas foram mortas em diferentes presídios do Amazonas.

Diante do ocorrido, o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou, através de uma nota, que disponibilizou vagas em presídios federais para transferências de detentos que estavam em Altamira.

O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), por sua vez, afirmou que 46 presos serão transferidos. Oito dos 16 líderes identificados pelas autoridades serão encaminhados para a gestão federal, enquanto os outros oito para unidades prisionais de Belém, capital do Pará. Outros 30 detentos vão ser distribuídos em cinco prisões.

Pelas redes sociais, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, reafirmou a disponibilização de vagas em presídios federais para detentos de Altamira. Em seguida, Moro destacou que, em sua “opinião”, os detentos “deveriam ficar recolhidos para sempre em presídios federais”, fazendo alusão a uma possível prisão perpétua, que não consta na legislação brasileira.

O Centro de Recuperação Regional de Altamira, que tem capacidade para cerca de 200 detentos, enfrentava um cenário de superlotação, contando com mais de 300 presos.

De acordo com o secretário do Sistema Penitenciário do estado, Jarbas Vasconcelos Carmo, a chacina foi motivada por um confronto entre as facções Comando Vermelho (CV), originária do Rio de Janeiro, e o Comando Classe A (CCA), aliada do Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo.

A ofensiva do CCA teria ocorrido por volta das 7h da última segunda-feira, durante o horário de café da manhã. Detentos da facção invadiram o pavilhão do Comando Vermelho, “em um ataque rápido e dirigido com o objetivo de exterminar os rivais”, explicou o secretário Jarbas Vasconcelos Carmo. Dois agentes penitenciários foram feitos reféns, mas libertados posteriormente. A maior parte dos mortos pertenceria ao Comando Vermelho, segundo o El País.

Conflitos em penitenciárias

A chacina em Altamira expõe um novo capítulo nos confrontos, diretos e indiretos, entre CV e PCC. Apesar de suas “centrais” permanecerem no Rio de Janeiro e em São Paulo, respectivamente, as facções possuem “braços” no Norte e Nordeste do país. As disputas territoriais e em busca do domínio das rotas do tráfico – com drogas vindo da Colômbia, Peru e Bolívia – normalmente terminam em dezenas de mortes.

A violência em presídios no Brasil não é uma novidade, de acordo com Ítalo Lima, do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (UFC). Nas regiões Sudeste e Sul, os confrontos nas penitenciárias já ocorrem há mais de 20 anos. No entanto, a principal diferença é que, atualmente, o PCC tem o domínio das principais rotas do tráfico e de presídios.

“Isso se alastrou para os presídios de outras regiões. As facções mais novas precisam passar o medo e fazer publicidade de suas ações por meio de vídeos. Estamos acompanhando a consequência de escolhas feitas há décadas, tratar o encarceramento como negócio”, explicou em entrevista à rede BBC.

Segundo o mestre em Segurança Pública Roberto Magno Reis Netto, doutorando da Universidade Federal do Pará (UFPA) e pesquisador do Laboratório de Geografia da Violência e do Crime, o Comando Classe A, aliado do PCC, surgiu em Altamira recentemente. A cidade passou por um crescimento econômico e populacional motivado pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte (PA).

O crescimento do município chamou a atenção do tráfico. Facções começaram a atuar com mais ênfase na cidade. Com a expansão do município, o Comando Classe A também cresceu. De acordo com Netto, os massacres em presídios são utilizados para demonstrar força aos rivais, eliminando líderes momentaneamente.

Segundo uma reportagem da BBC, usando como base dados do Atlas da Violência, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o aumento da violência nos presídios também reflete o crescimento da letalidade fora deles. Enquanto Sudeste e Centro-Oeste reduziram o número de homicídios, entre 2007 e 2017, o número de mortos cresceu no Norte e no Nordeste, aumentando 75% e 64%, respectivamente.

Medidas de segurança

Além da transferência dos 46 detentos, a Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe) revelou que outras medidas de segurança serão tomadas. A primeira delas é a posse de 485 novos agentes penitenciários já no próximo sábado, 3.

O governador Barbalho também solicitou ao ministro Moro um reforço de, pelo menos, 40 agentes da Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP), do Departamento Penitenciário Nacional, para atuar no estado do Pará. A previsão é de que dez agentes cheguem ao estado já nesta terça-feira, 30.

Outra medida, anunciada em uma reunião de autoridades da Segurança Pública do Pará na noite da última segunda-feira, é a conclusão do presídio no município de Vitória do Xingu, que fica na mesma região de Altamira. A penitenciária terá capacidade para 306 presos adultos e 200 mulheres no regime fechado. Ademais, vai abrigar outros 200 detentos do regime semiaberto. A previsão é de que a unidade prisional seja entregue em 60 dias.

Por outro lado, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) acenou que não pretende reforçar a segurança no presídio de Altamira. Ao ser questionado por jornalistas na manhã desta terça-feira, em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília, o presidente pediu para que os repórteres perguntassem às “vítimas do que morreram” sobre a questão da segurança.

“Pergunta para as vítimas dos que morreram lá o que que eles acham. Depois que eles responderem, eu respondo vocês”, respondeu Bolsonaro, segundo noticiou o portal G1.

Fontes:
O Globo-Com 57 mortos, chacina em prisão do Pará é a maior desde o Carandiru
Ponte Jornalismo-Facção aliada ao PCC é responsável por 57 mortes em presídio de Altamira (PA)

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2 Opiniões

  1. Almanakut Brasil disse:

    A pena de morte no Brasil aliviaria o sofrimento das famílias das vítimas, o do bandido e os cofres públicos.

  2. José Antonio Alves disse:

    Pelo menos para os líderes das facções criminosas deveria haver pena de morte, tendo em vista suas determinações de assassinatos tando dentro dos presídios como fora deles, o que causa grandes transtornos para as famílias das vítimas.

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