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ELEIÇÕES 2018

Ciro Gomes em 2019?

Segundo o presidenciável, o país não cabe na classificação entre 'coxinhas e mortadelas' e tudo está 'estruturalmente errado no Brasil'

Ciro Gomes em 2019?
Segundo o presidenciável, o país não cabe na classificação entre ‘coxinhas e mortadelas’ (Foto: Flickr)

Dando continuidade aos nossos comentários sobre os candidatos para a eleição de 7 de outubro, nesta semana acompanhamos o ex-governador Ciro Gomes em sua palestra a empresários no Rio de Janeiro.

Experiência não falta a Ciro Gomes: ministro dos governos Itamar e Lula, governador, prefeito, deputado estadual e federal, desde 1980 filiou-se e desligou-se sete vezes, e está atualmente no PDT, sendo campeão em trocas partidárias.

Dize-me com quem andas, e eu te direi quem és… será que se aplica? Na plateia, tradicionais políticos do Rio de Janeiro e, neste caso, tradicional não é exatamente um mérito, ao contrário; capitaneando o programa do candidato, estava presente ainda o professor Mangabeira Unger, o que também é uma referência, pois passou duas vezes pela Secretaria de Assuntos Estratégicos dos ex-presidentes do PT.

Segundo o presidenciável, o país não cabe na classificação entre “coxinhas e mortadelas” e tudo está “estruturalmente errado no Brasil”, pois “quem assumir a presidência, não pode ser destruído no dia seguinte pelo candidato derrotado”.

Abordando o tema da reforma da previdência, Ciro destaca que não há sistema previdenciário que possa funcionar se metade da população economicamente ativa está na informalidade, sem carteira assinada: “a previdência está quebrada e quem vai pagar a falência é o povo, e o povo é contra”, mostrando a inconsistência, mas não sugerindo o que deveria ser feito.

Ciro destaca que, em 1980, a produção industrial brasileira era um terço da produção dos tigres asiáticos, inclusive Coréia do Sul e China: hoje, a produção chinesa é seis vezes a brasileira. O palestrante salta de um assunto para outro e aproveita para dizer que Fernando Henrique Cardoso era o “príncipe dos coxinhas” e Lula, seu querido amigo, o “rei dos mortadelas”, insistindo nas mesmas metáforas.

Para Ciro, a recessão não acabou: Brasil desceu 10 degraus e agora está apenas subindo dois degraus. “Não tenho nada contra ricos, talvez só inveja”, afirma, mas no Brasil há cinco pessoas que detém renda equivalente a de 100 milhões de pessoas.

Segundo Ciro, o Brasil vai mal por três motivos, que impedem a retomada do crescimento:

1) O inédito endividamento das famílias e das empresas, com 60 milhões de brasileiros “negativados”, observando que há somente cinco grandes bancos no Brasil que concentram a atividade bancária: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander.

2) O mais grave colapso fiscal da história, no qual o país precisa crescer para diminuir o endividamento; a dívida é de R$ 4 trilhões, 80% do PIB, sendo que 25% vencem em quatro dias, fato inédito no mundo, nunca estudado e não compreendido nas melhores universidades.

3) O potencial explosivo das relações comerciais com o exterior, que apontam para um superávit comercial de US$ 60 bilhões pelo Brasil, mas isso pode virar, pois o país exporta petróleo bruto e importa diesel. Afirma ainda que Fernando Henrique Cardoso teria sido reeleito com o câmbio controlado e quando assumiu levou o valor do dólar para o dobro, enganando a população. No início do governo Lula, ao contrário, a taxa de câmbio era altíssima e ele entregou o governo à Dilma com o dólar muito baixo.

Ao mesmo tempo que o candidato indica a necessidade de desvalorizar o real para incentivar as exportações e a indústria brasileira, explica que a taxa de câmbio mais alta afeta o pãozinho da manhã e a pizza que comemos à noite, pois ambos tem como ingrediente a farinha de trigo importada; assim, como em outros temas, levanta questões com as quais a plateia concorda, “boas tiradas”, mas não explica como vai conseguir os dois proveitos que são em si contrários: sensibiliza a audiência, mas não convence, pois não indica a solução.

No assunto segurança, o candidato informa que o Brasil teve 64 mil homicídios nos últimos 12 meses, e não há mudança institucional em curso para alterar esta condição de insegurança, devida à guerra de facções do narcotráfico.

Já que citou o ex-presidente Lula, afirma que sua condenação e possível prisão pelos motivos alegados “é muito constrangedora, comparando-se os políticos do PSDB que mantém suas riquezas no exterior”. Quando se refere à ex-presidente Dilma Rousseff, afirma que esta foi vítima de um golpe, apesar de idônea e honesta. Aproveita para nomear como seu amigo o deputado estadual Marcelo Freixo.

Se o leitor chegou até aqui, pode ter achada a descrição da palestra meio confusa, mas foi isso mesmo, alternando de um tema para outro e, sempre que possível, nomeando à esquerda e à direita amigos e inimigos. Aguardamos com grande expectativa uma apresentação de seu programa de governo, de forma menos improvisada.

 

* Artigo originalmente publicado no site ProFit

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8 Opiniões

  1. Gustavo disse:

    Eu venho acompanhando os principais pré candidatos a presidente, sobretudo os do campo progressista, do qual Ciro é um exemplo. Não me parece também que Ciro esteja improvisando seus discursos. Vejo a escolha da economia, somado o apelo pela mínima união do povo brasileiro em torno de um plano nacional de desenvolvimento, como eixo central de sua futura plataforma de campanha.

    Percebo também, é bem verdade, uma busca por um discurso e por uma forma de abordagem mais palatável à diversidade do público brasileiro, e a isto atribuo duas razões: A primeira é voto. Ele quer ser presidente e precisa convencer e agradar a maioria dos brasileiros para tal. A segunda é o respeito à diversidade do povo brasileiro que a democracia impõe a quem dela é partidário.

    Embora respeite, discordo da análise dos fatos do autor do texto. Talvez seja necessário observar e analisar Ciro, assim como os demais pré candidatos, por mais tempo. Ter uma amostra maior.

  2. Marcelo dos Santos disse:

    Assisti a palestra. De improvisada a palestra não tem nada. Ele vem falando as mesmas coisas há muito tempo, se adaptando às transformações do país. As pessoas podem não concordar, mas ele aponta muitas de suas soluções e quando não as tem, deixa isso claro.
    Aliás, pra quase tudo ele aponta caminhos. Muitos deles consideravelmente consistentes.
    Quanto a questão de querer desvalorizar o real ou, o contrário… Onde ele fala isso? Ouvi a mesma coisa num comentário na Rádio Bandeirantes e não vejo nada além dele falar sobre os problemas do câmbio para o consumo interno e a percepção da população. Não que ele dissesse que este deveria ser assim ou assado. Sério, posso ter perdido, mas quando ele diz isso?

  3. Nilson Bennoti disse:

    O problema não são as baboseiras que o Ciro Gomes fala, porque políticos brasileiros falam bobagens o tempo todo, mas sim o fato de que ele demonstra acreditar nelas.

  4. albrechet disse:

    Precisamos de um Roosevelt Brasileiro! E esse cara que vejo é o Ciro Gomes, Nem Lula, Nem Bolsonaro e como todos sabem nenhum Psdebista terá essa articulação toda… Brasileiros são muito mais que essa briga odienta de esquerda e direita. A China e Comunista de um sistema capitalista, os EUA com Trump e Republicano com modelo de governo Protecionista de esquerda. Ficou claro que isso pregado hj em dia são apenas rótulos que o mundo já superou, menos o brasil.

  5. Markut disse:

    Poucas esperanças de que, daí ,resulte o Estadista (com E maiúsculo) de que o país necessita, desesperadamente, para sair deste lamentavel terceiro mundismo em que estamos mergulhados.

  6. Everton disse:

    Um jornalista não conseguir entender o raciocínio de Ciro Gomes? Que novidade! Deve ser porque está acostumado com os discursos da Dilma.

  7. Carlos Valoir Simões disse:

    Ciro Gomes, na linha 17, informa que o governo militar foi o melhor até agora; mas eu receio que ele – na sua esperteza de defensor do Lula e da Dilma – nem tenha se dado conta que disse isso.

  8. Francisco Taborda disse:

    Ciro Gomes é assim mesmo: confuso. Desconfio que muitas vezes nem ele entende o que fala. Não chega a ser uma exceção. Se for eleito teremos um presidente meio Lula e meio Collor. E a culpa de tudo será sempre de FHC, só para variar um pouco. Mais uma tempestade perfeita se formando no horizonte

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