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Em busca da perfeição

Cirurgia plástica no Brasil: a beleza como arma para a inclusão social

Para alguns antropologistas, a obsessão brasileira pela aparência está ligada à crença de que a beleza gera status e mobilidade social

Cirurgia plástica no Brasil: a beleza como arma para a inclusão social
Ascensão da nova classe média e o aumento do acesso ao crédito ajudaram a popularizar as cirurgias plásticas no país (Reprodução/Internet)

No ano passado, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o líder mundial em cirurgias plásticas. Dados revelados pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) mostram que em 2013 o país registrou 1,49 milhão de procedimentos cirúrgicos estéticos, contra 1,45 milhão dos EUA.

O aumento da demanda masculina por tais procedimentos ajudou o país a liderar o ranking mundial. Segundo Carlos Uebel, presidente do ISAPS, cada vez mais homens recorrem à cirurgia para parecer mais jovem e continuar competitivo no mercado de trabalho.

“Atualmente os homens estão trabalhando em áreas onde a aparência é importante. Eles não trabalham mais somente em indústrias, eles são professores de ginástica, vendedores. São profissões onde a imagem conta muito”, diz Uebel.

Mas as mulheres ainda lideram o número de procedimentos. De acordo com o ISAPS, as mulheres brasileiras costumam recorrer aos procedimentos estéticos aos 35 anos, enquanto os homens só o fazem após chegar à meia idade.

Beleza x mobilidade social

Para alguns antropologistas a obsessão brasileira pela aparência está ligada à crença de que a beleza gera status e mobilidade social. “No Brasil, a beleza é vista com uma grande ferramenta para ‘abrir portas’. Para muitos, é uma questão de inclusão social”, diz Alvaro Jarrín, antropologista da Duke University, EUA.

Com a ascensão da nova classe média e o aumento do acesso ao crédito, mais pessoas passaram a recorrer aos procedimentos cirúrgicos estéticos. Além disso, o Brasil tem o maior número de cirurgiões plásticos do mundo. A soma desses dois fatores faz com que uma lipoaspiração no Brasil custe, em média, metade do preço cobrado no Reino Unido.

Fontes:
Financial Times-Cosmetic surgery cuts neatly into Brazil’s psyche

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