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RIO DE JANEIRO

Colaborador de vereador ouvido no caso Marielle é executado

Carlos Alexandre Pereira foi encontrado morto a tiros no Rio de Janeiro. Ele trabalhava para um dos oito vereadores chamados a depor no caso Marielle

Colaborador de vereador ouvido no caso Marielle é executado
Segundo testemunhas, autores do crime falaram em ‘calar a boca’ da vítima (Foto: Facebook)

A execução de um colaborador do vereador carioca Marcello Siciliano (PHS-RJ) jogou nova luz sobre a atuação de milícias no Rio de Janeiro. Carlos Alexandre Pereira, de 37 anos, foi encontrado morto a tiros, por volta das 22h do último domingo, 8, dentro de um carro abandonado na estrada Curumau, no bairro da Taquara, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio.

A execução ocorreu dois dias após o vereador Siciliano comparecer à Delegacia de Homicídios para depor como testemunha na investigação da execução da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ) e seu motorista, Anderson Gomes. Siciliano foi um dos oito vereadores da Câmara do Rio chamados para depor na condição de testemunhas.

De acordo com relatos de testemunhas a policiais do 18º BPM (Jacarepaguá), o crime ocorreu por volta das 20h45. Carlos Alexandre Pereira teria sido abordado por um grupo. Antes de abrir fogo contra a vítima, um dos integrantes teria dito: “Chega para lá que a gente tem que calar a boca dele”, algo que indica queima de arquivo. Uma das linhas de investigação apura a relação do colaborador com grupos milicianos e com o vereador Siciliano.

Em seu perfil nas redes sociais, Alexandre informava ter iniciado o trabalho como assessor parlamentar no dia 3 deste mês. Ele costumava postar fotos do que chamava “fiscalização” de obras feitas a pedido de Siciliano. A assessoria do vereador, no entanto, informou ao jornal Extra que Alexandre não era assessor, mas sim colaborador de Siciliano.

Desde o início da investigação da morte de Marielle Franco, pelo menos seis vereadores já prestaram depoimento. Uma parte das testemunhas ouvidas é do mesmo grupo político de Marielle, outra parte é composta de adversários políticos da vereadora executada.

Milicianos e o caso Marielle

Marielle Franco e Anderson Gomes foram executados no dia 14 de março deste ano, quando o carro em que estavam foi alvo de uma emboscada. A suspeita do envolvimento de milicianos na execução está ligada à atuação da vereadora no combate a milícias. Em 2008, Marielle trabalhou ao lado do deputado Marcelo Freixo (Psol-RJ) na CPI das Milícias, que resultou no indiciamento de 226 pessoas por envolvimento com grupos milicianos nas comunidades do Rio.

Além disso, uma reportagem do site Intercept revelou que a polícia descobriu o celular do motorista que dirigia o carro de onde partiram os disparos que executaram Marielle. De posse dessa informação, os agentes quebraram o sigilo de outros aparelhos telefônicos, dentre eles, os celulares de alguns vereadores. Ainda segundo a reportagem do Intercept, vários milicianos estiveram no prédio da Câmara do Rio na semana que antecedeu a execução da vereadora, sendo alguns deles indiciados na CPI das Milícias que tinham terminado de cumprir sentença. Outro ponto que indica a atuação de milicianos foram os disparos que atingiram Marielle, que foram dados com precisão profissional.

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