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ELEIÇÕES ARGENTINAS

Com Kirchner, Argentina pode virar uma Venezuela, diz Bolsonaro

Bolsonaro alerta para a eventual volta de Cristina Kirchner à presidência argentina. Ex-presidente lidera intenções de voto e pode vencer Macri no 2º turno

Com Kirchner, Argentina pode virar uma Venezuela, diz Bolsonaro
Bolsonaro pediu aos argentinos para ter 'paciência' com Macri (Foto: Alan Santos/PR)

O presidente Jair Bolsonaro vê com preocupação um eventual retorno de Cristina Kirchner à presidência da Argentina. Em sua transmissão de vídeo semanal, feita na noite da última quinta-feira, 2, Bolsonaro comparou Kirchner ao PT e afirmou que a ex-presidente pode transformar o país em uma Venezuela.

Em 2018, durante a campanha presidencial, Bolsonaro usava o mesmo discurso ao falar sobre uma possível eleição do petista Fernando Haddad. De acordo com uma pesquisa recente, divulgada pela consultora Isonomia, Kirchner venceria o atual presidente argentino, Mauricio Macri, no segundo turno. As intenções de voto revelam 45% dos votos para Kirchner e 36% para Macri.

“Ninguém aqui vai se envolver em questões fora do país. Mas, eu como cidadão, todos aqui como cidadãos, têm uma preocupação que volte o governo anterior ao Macri. A presidente anterior era ligada com Dilma, com Lula, com a Venezuela de Maduro e de Chávez, com Cuba. Se isso voltar, com toda certeza, a Argentina vai entrar em uma situação semelhante com a da Venezuela. Nós falávamos isso durante a nossa campanha. Se desse o PT aqui, nós seríamos a Venezuela”, afirmou Bolsonaro.

A Argentina não tem, até o momento, nenhum candidato oficial para a eleição presidencial, que ocorre em outubro deste ano. No país, as candidaturas são formalizadas apenas em junho. Preocupado com uma possível ascensão de Kirchner, Bolsonaro pediu aos argentinos que tenham “paciência” com Macri, que assumiu a presidência do país em dezembro de 2015.

“Eu espero que nossos irmãos argentinos se conscientizem disso. Se o Macri não está indo bem, paciência até, vai lutar para melhorar. Ou alguém da linha dele. O que não pode é voltar Cristina Kirchner lá que, no meu entender, os reflexos serão para todos. Para o povo argentino e para todos nós. Poderemos sim, com a volta de Cristina Kirchner, a possível volta, peço a Deus que não aconteça, [ver] nossa querida Argentina se transformar na Venezuela, e não queremos isso”, concluiu Bolsonaro.

Envolvimento com escândalos

Apesar de ainda não ter a candidatura oficializada, Cristina Kirchner já é vista como uma provável – e bastante forte – candidata à presidência da Argentina. No entanto, a ex-presidente tem outros assuntos com que se preocupar. Isso porque, Kirchner responde a processos judiciais, e é investigada por lavagem de dinheiro e corrupção.

Atual senadora, Kirchner já foi indiciada, pelo menos, em cinco inquéritos. Além disso, a ex-presidente já teve prisão preventiva decretada pela Justiça argentina, sendo a última delas em setembro de 2018.

Uma das principais investigações contra Kirchner é sobre o caso Hotersur. Segundo a denúncia, entre 2007 e 2015, Kirchner, então presidente do país, teria usado hotéis na Patagônia, administrados pela empresa familiar Hotesur, com participação de Kirchner e seus dois filhos, para receber pagamentos de empresários do setor de obras públicas, através do aluguel de quartos do estabelecimento.

As investigações sobre o caso tiveram início em 2014, a partir da denúncia feita pela deputada Margarita Stolzbier. Cristina Kirchner nega todas as acusações, afirmando que toda a atividade empresarial é feita legalmente.

No entanto, o caso mais avançado contra Kirchner é sobre irregularidades em obras públicas na Província de Santa Cruz. O caso vai a julgamento no próximo dia 21 de maio. A senadora é acusada de beneficiar o grupo Austral em mais de 50 contratos de obras públicas.

Macri criticado

Enquanto contra Kirchner pesam os escândalos, contra Macri pesa a crescente rejeição da população argentina. Uma das principais bases eleitorais de Macri em 2015, os agricultores, por exemplo, entraram em confronto com o atual presidente no último mês de abril.

Poucos dias antes, Macri havia anunciado o congelamento do preço de 60 produtos da cesta básica até o dia 22 de outubro. A medida teria sido tomada para conter a inflação. No entanto, em ano eleitoral, a iniciativa foi vista por alguns como uma forma de campanha eleitoral.

“O pacote é um ‘band-aid’ que não resolve os problemas, uma ponte para tentar chegar às eleições com tranquilidade. Não há um programa econômico, mas medidas emergenciais que postergam a crise para depois de 10 de dezembro [data em que o presidente eleito no pleito tomará posse]”, disse o ex-presidente do Banco Central argentino Martín Redrado, segundo noticiou o jornal Estado de S.Paulo.

A rejeição a Macri, no entanto, não é recente. Em abril de 2017 o presidente argentino enfrentou a sua primeira greve geral. Em agosto de 2018, pesquisas apontaram que a popularidade de Macri continuava em queda, enquanto sua imagem negativa aumentou. Ademais, a crise no país já fez a pobreza atingir 32% da população, enquanto a oposição usa os empréstimos solicitados ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para atacar Macri.

Leia também: O que está acontecendo na Argentina?

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Fontes:
Folha de São Paulo-Com julgamento marcado, Cristina Kirchner lidera pesquisa de voto
Valor-Argentina: Pesquisas eleitorais mostram Cristina à frente de Macri

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1 Opinião

  1. Almanakut Brasil disse:

    Depois, é só não espalhar imigrantes e refugiados para os países vizinhos, para a violência não aumentar.

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