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Farra dos Benefícios

Como assim, por conta da Câmara dos Deputados?

Quem paga a conta do benefício das passagens aéreas compradas para esposas de deputados na cota parlamentar somos nós

Como assim, por conta da Câmara dos Deputados?
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB) restabeleceu o privilégio (Foto: Reprodução/G1)

Registre-se que a iniciativa não foi dos parlamentares. A demanda foi apresentada pelas esposas dos membros da Casa, durante a campanha para eleição de Eduardo Cunha. Elas pleitearam ao então candidato o retorno de seu suposto direito a obter passagens aéreas dentro da cota parlamentar dos maridos (benefício que fora anteriormente suspenso em decorrência de abusos como os caracterizados pelo uso de tais passagens para viagens de férias).

Eleito, Eduardo Cunha cumpriu o que prometera. Foi restabelecido o privilégio. Segundo o noticiário, a decisão foi tomada por maioria de votos na Mesa da Câmara e a Casa assumirá os ônus decorrentes. Ah! Agora entendi. Quem vai pagar essa conta é a Câmara dos Deputados. Eu pensei que a despesa fosse assumida por nós, pagadores de impostos. Ora que tolice a minha!

Sarcasmo à parte, é muita desfaçatez de quem declara isso e muita ignorância de quem o noticia sem esclarecer que a Câmara dos Deputados não gera um único centavo de receita. Tudo que ela consome, do grampo para papeis às passagens aéreas das esposas dos deputados é custeado com o dinheiro dos impostos que pagamos. A Casa não produz nada que tenha valor econômico. Atribuir à pagadoria da Câmara o dever de honrar um benefício descabido corresponde, em escala agigantada, à atitude do moleque que pleiteia o direito de “viajar de graça” no transporte coletivo. Não há passagem grátis. Todo bilhete que alguém deixa de custear por meios próprios será pago com meios alheios, seja no ônibus, no metrô, seja num voo nacional ou internacional.

A ignorância sobre noções tão elementares favorece a cultura do abuso e contribui para a deformação do caráter não apenas de quem se julga no direito de pleitear ou de conceder privilégios. Deforma, também, o caráter de quem fica sabendo e deduz que, quando tiver a oportunidade, deve fazer a mesma coisa. Isso para não falar nos que transformam o ingresso no círculo dos privilegiados em objetivo da própria vida. Quando enfermidades morais dessa natureza infectam os espaços de poder, eles se vão afastando, gradualmente, de sua finalidade essencial que é o serviço ao bem comum. E aí, acontecem coisas como um magistrado dar-se o direito de usar viaturas apreendidas de um réu.

 

Percival Puggina é arquiteto, escritor e  titular do site www.puggina.org

10 Opiniões

  1. Revoltado disse:

    Henrique, sua decepção é minha também. Esperava mais do Eduardo Cunha, mas… volto minha esperança de uma intervenção militar (o que é um sonho é claro)…

  2. Revoltado disse:

    Concordo com Prof Silvio!! Um país desse tamanho, totalmente heterogêneo em capacidade, cultura, e consciência ética, não há como properar. A população do Sul do país é muito mais evoluída do que, por exemplo, os nativos do Nordeste. E tudo deveria ocorrer sem ódio, qual o drama? Cada região tem que se beneficiar do mérito de seu trabalho, resguardando o bem comum – por exemplo, recursos naturais devem ser compartilhados mais proporcionalmente com todos, mas aquilo que advém do mérito, da capacidade, deveria ser mais concentrado na aplicação de onde foi gerado. Óbvio, não? Mas, sabemos que isso nunca virá, pois o bicho homem é estúpido e irracional…

  3. Henrique de Almeida Lara disse:

    É hora das duas casas do Congresso lerem o artigo de Ricardo Vélez-Rodríguez, intitulado “Crise política e falência de valores”. Diz ele no referido artigo: “Nosso modelo social entrou em parafuso por falta de sustentação AXIOLÓGICA” (grifo meu). E continua: “O modelo de sociedade pautada por um Estado patrimonialista está em crise. Mas não apenas pela ação dos políticos larápios e dos empresários cooptados por eles…. A crise vem de baixo, da grande massa das famílias…. O Brasil é campeão mundial em mau comportamento em sala de aula…” . Essa realidade se reflete na postura dos cidadãos e se estende a todas as esferas sociais e de modo enfático nos políticos e autoridades que sabem que pelo poder que têm a punição pela quebra da lei e da moral (ética) não lhes atinge.
    Daí, a grande surpresa que o Sr. Deputado Eduardo Cunha me causou pelo seu ato que se traduz em espantoso aumento de despesas na Câmara. Esperei que, por ser evangélico, ele daria contundente exemplo ético na sua administração. Esperei que até mesmo o número de assossores dos Gabinetes seria cortado pelo menos pela metade. Isso, pensando na situação econômica caótica em que se encontra o País.

  4. Prof. Silvio Campos disse:

    VAMOS CRIAR UM NOVO PAÍS:
    Melhor juntar os Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, transformando-nos num novo país.
    Livre e independente da União.
    Seremos uma nação de primeiro mundo, pois temos mais recursos financeiros, mais cultura, melhores universidades, mais água, melhores indústrias, comércio mais forte, solo mais fértil e forças armadas com grande contingente.
    Só nos falta acordar para essa realidade e arregaçarmos as mangas, ao invés de ficarmos à espera do milagre que
    (pelo visto) está cada vez mais impossível de acontecer.
    Estamos cansados de carregar o Brasil nas costas e enojados de falsas e falidas ideologias.
    E não me venham com cobranças “patriotadas”, pois há muito tempo os governantes e governados se esqueceram do que isso significa.
    “Oh Pátria amada e idolatrada…” tornou-se apenas uma citação vaga na letra do Hino Nacional Brasileiro, que poucos sabem cantar do início ao fim.
    Como paulista, amo o meu rincão e amarei meu novo país, que continuará sendo o mesmo chão onde nasci.
    Vamos pensar no assunto ou estarei inventando a roda?

  5. ney disse:

    DIA A DIA ESTOU MAIS DESCRENTE DESTE PAÍS, a administração publica desta nação age como se fosse deus, primeiro o aumento abusivo dos parlamentares, segundo o aumento abusivo de benefícios dos parlamentares mineiros, terceiro o aumento sem explicação do combustível, quarto aumento da energia elétrica. milésimo….

  6. ney disse:

    Esse presidente é um péssimo exemplo para quem quer ser honesto.

  7. Vitafer disse:

    Um roubinho mais, um roubinho menos, que diferença faz!?

  8. helo disse:

    Vale a pena assinar nessa questão a petição da avazz

  9. Isam disse:

    Mais uma vergonha nacional e o povo que se dane, pagando esses abusos. Tem que acabar com autonomia para legislar em benefício próprio, afinal eles são funcionários do povo, portanto tem ter aprovação pela maioria do povão que os sustenta com altos impostos extorsivos.

  10. Miguel disse:

    “A Casa não produz nada que tenha valor econômico” e de qualquer outro tipo.
    A Câmara só produz lixo que não é reciclável pois só produz coisas burras, condizente, por sinal, com os autores.
    A única passagem permissível e sem volta seria para o inferno ou para o seio do Estado Islâmico.

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