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Direitos Humanos

Como Brasil e EUA encaram a tortura

Enquanto no Brasil, as Forças Armadas ficam em silêncio sobre o relatório da Comissão Nacional da Verdade, os Estados Unidos assumem abusos no documento sobre programa de interrogatórios

Como Brasil e EUA encaram a tortura
Comissão Nacional da Verdade (CNV) apresenta documento sobre os abusos cometidos contra os direitos humanos

Geralmente, Comissões da Verdade são feitas logo após que seus regimes políticos entram em colapso. Teoricamente, a verdade é o primeiro passo para a reconciliação. Entretanto, a situação foi bem diferente no Brasil. Afinal, essa investigação só foi feita anos depois do regime e concluída na última quarta-feira, 10, com a apresentação de um relatório final sobre os abusos cometidos no Brasil entre 1946 a 1988. O Brasil demorou a “tocar na ferida” de um de seus capítulos mais marcantes da história.

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Enquanto isso, nos Estados Unidos, um braço do governo, o Senado americano, se empenhou durante cinco anos para trazer a público os métodos de tortura usado pela CIA contra suspeitos de terrorismo nos últimos 13 anos. O relatório americano divulgado na última terça-feira, 9, aborda o programa realizado na época que o então presidente George W. Bush declarara guerra ao terrorismo, após os ataques de 11 de setembro.

Essa diferença de comportamentos entre os Estados Unidos e o Brasil provavelmente se deve a uma diferença cultural. Nos Estados Unidos, uma palavra deve ser inscrita no DNA de qualquer instituição, a chamada “accountability”. Já no Brasil, essa palavra, cuja melhor tradução é “prestação de contas”, é vista como um favor que os agentes públicos ou privados prestam à sociedade. Situação esta que fica bem clara, por exemplo, na relutância e nas omissões de prestações de contas da Petrobras no escândalo atual.

Nos Estado Unidos, a senadora Dianne Feinstein assume que torturas praticadas durante a chamada guerra ao terror representam “uma mancha em nossos valores e em nossa história”. Já no Brasil, o silêncio das Forças Armadas diante do relatório, elaborado pela CNV, recebe críticas do próprio coordenador da Comissão, Pedro Dallari.

“Esse silêncio vai significar que as Forças Armadas não têm convicção de que não fizeram algo certo, e que isso possa ser uma alternativa no futuro”, afirmou, em audiência no Senado, segundo matéria divulgada na última quinta-feira, 11, na Folha de S. Paulo.

Fontes:
Economist - The final reckoning
Folha de S. Paulo-Silêncio de militares traz dúvida sobre volta da tortura, diz Dallari
Folha de S. paulo-Tortura, Brasil e Estados Unidos

1 Opinião

  1. Roberto1776 disse:

    “Já no Brasil, o silêncio das Forças Armadas diante do relatório, elaborado pela CNV, recebe críticas do próprio coordenador da Comissão, Pedro Dallari”.
    Esse parágrafo não faz o menor sentido.
    Quem mais, além desse kamarada, teria o maior interesse em desmoralizar as já desmoralizadas (pelo PT e esquerdas em geral) Forças Armadas brasileiras???
    Repito, se hoje não somos uma cubinha de araque, devemos aos militares de 1964.
    Só não enxerga quem não quer, ou não sentiu na carne os efeitos dos desmandos de Jango e Brizola no início da década de 60.

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