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Como a crise no Brasil afeta toda a América do Sul

Crise política e econômica faz o país voltar toda sua atenção ao ambiente doméstico, deixando um vácuo no posto de potência regional

Como a crise no Brasil afeta toda a América do Sul
Front mais decisivo será Buenos Aires, com apostas altas para os governos da Argentina e do Brasil (Foto: EBC)

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Até poucos anos atrás o Brasil tinha uma das mais ativas políticas externas entre os emergentes. O país abriu um número expressivo de embaixadas e consulados. Somente na África e na Ásia foram abertos mais de 60 postos a partir dos anos 2000.

O Brasil também esteve ativo em debates como a intervenção na Líbia, o remodelamento da ajuda humanitária, a relações sul-sul e a integração regional.

Porém, consumido por uma forte crise política e econômica, o país voltou toda sua atenção ao ambiente doméstico. Isso criou um vácuo no poder regional e uma sensação de paralisia na elaboração de políticas para os problemas mais agudos da América do Sul.

Por exemplo, o flagrante desrespeito do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, às questões mais básicas dos direitos tem recebido uma reação regional menos intensa por conta dos problemas enfrentados pelo Brasil.

Dada a posição dominante do Brasil na América do Sul, representando metade do PIB, população local e território da região, as agruras do país são, inevitavelmente, uma notícia ruim para todo o continente.

A crise na política externa do país é anterior à crise iniciada em 2014. Desde 2011, a política externa brasileira é marcada pela impressionante indiferença da presidente Dilma Rousseff em relação aos assuntos internacionais. O Itamaraty não conseguiu convencer a presidente de que a política externa pode ser usada para promover os objetivos nacionais.

Paradoxalmente, em pleno auge da crise gerada pelo processo de impeachment, a presidente finalmente reconheceu a importância das questões internacionais.

Dilma viajou para Nova York, onde denunciou o “golpe” contra seu governo em um evento da ONU, levou sua luta a líderes regionais do continente sul-americano e anunciou que pretende evocar a cláusula democrática do Mercosul, com o argumento de que a ruptura da democracia no Brasil está próxima.

Mas o front mais decisivo será Buenos Aires, com apostas altas para os governos da Argentina e do Brasil. Embora tenha demonstrado boa vontade, o presidente argentino Mauricio Macri sabe que o prolongamento da crise no Brasil vai minar sua capacidade de reavivar a economia argentina antes das próximas eleições.

Fontes:
Americas Quarterly-How Brazil’s Crisis Is Bleeding into the Rest of South America

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1 Opinião

  1. Ludwig Von Drake disse:

    De novo a Monarquia: o Brasil era potência regional no tempo do Império, quando se discutiram nossas relações com os vizinhos na diplomacia e nas armas.

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