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Patrimônio ambiental

Construção de hidrelétricas e desvio de rios ameaçam bioma do Pantanal

Segundo levantamento, 154 barragens ameaçam um dos biomas mais frágeis do país

Construção de hidrelétricas e desvio de rios ameaçam bioma do Pantanal
A ausência de definição judicial gera críticas de ambientalistas (Reprodução/National Geographic/Mike Bueno)

Em 2012, estavam previstas 126 barragens para a construção de hidrelétricas ao longo dos rios que abastecem o Pantanal. Mas devido à falta de estudos de impacto ambiental, o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Mato Grosso do Sul obtiveram uma liminar que suspendeu todas as construções na região.

Contudo, dez meses após a decisão, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região autorizou a retomada das obras. Atualmente, conforme o levantamento da pesquisadora Débora Calheiros, da Embrapa Pantanal e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, o número de projetos já chega a 154. As usinas que serão construídas na região – de variadas potências – se concentram na Bacia do Alto Paraguai.

A ausência de definição judicial gerou críticas de ambientalistas e outros especialistas, que alertam para o futuro da fauna e flora da região. A Bacia do Alto Paraguai irriga toda a planície pantaneira. Nas áreas de planalto estão as cabeceiras dos principais rios. Embora os mais conhecidos sejam os rios Paraguai e Cuiabá, a bacia inclui também os rios Manso, Correntes, Itiquira, Taquari e Miranda. Eles se somam aos rios Uruguai e Paraná e formam a Bacia do Prata, que drena quase 20% das águas doces do continente sul-americano.

“O Pantanal não vive sem os rios que o cercam. As barragens feitas alteram todo o sistema de inundação. Com elas, não há mais funcionamento ecológico. O nível de água nos rios passa a variar de acordo com a demanda de energia, com o horário de pico de consumo. Isso altera a biodiversidade da planície e toda a cadeia alimentar”, diz Débora Calheiros.

Uma pesquisa realizada em 2013 por de Edvard Elias Souza Filho, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia de Ambientes Aquáticos da Universidade Estadual de Maringá (PR), mostrou que apenas na sub-bacia do Rio Cuiabá, havia 14 barragens já construídas e outras 41 planejadas, um total de 55 projetos para um mesmo rio. A análise mostrou também que inexistiam estudos sobre as condições dos rios antes e depois das obras, o que gera incertezas quanto ao futuro do bioma.

Fontes:
O Globo-Obras de hidrelétricas e desvio de curso de rios alarmam ambientalistas no Pantanal

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