Início » Brasil » Coronel que assumiu torturas no governo militar é encontrado morto
Queima de arquivo?

Coronel que assumiu torturas no governo militar é encontrado morto

Paulo Malhães foi assassinado por asfixia em sua casa em Nova Iguaçú. Membros da Comissão Estadual da Verdade no Rio falam em ‘queima de arquivo’

Coronel que assumiu torturas no governo militar é encontrado morto
A mulher de Paulo Malhães foi amarrada e ele, morto por asfixia (Reprodução/Folhapress)

O coronel da reserva Paulo Malhães, 74, foi encontrado morto nesta sexta-feira, 25, em sua residência no Rio. Conforme relatos iniciais, o ex-agente do Centro de Informações do Exército, que revelou como funcionava o centro de tortura clandestino do governo militar em Petrópolis, foi assassinado por asfixia. Há suspeitas de queima de arquivo.

Segundo Nadine Borges, membro da Comissão Estadual da Verdade no Rio que falou com uma das filhas do militar, a casa de Malhães, em Nova Iguaçu (Baixada Fluminense), foi invadida por três homens. A mulher do coronel foi amarrada, e  ele asfixiado até a morte. Todas as armas encontradas na casa do coronel foram roubadas. A informação foi confirmada pelos investigadores da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que realizaram uma perícia no local.

“A princípio, ele foi morto por asfixia. O corpo estava deitado no chão do quarto, de bruços, com o rosto prensado a um travesseiro. Ao que tudo indica ele foi morto com a obstrução das vias aéreas”, informou a polícia. Paulo Malhães esteve em poder dos bandidos das 13 às 22h. O caseiro e a mulher do militar foram conduzidos à DHBF para prestar depoimento.

Queima de arquivo

Para Wadih Damous, presidente da Comissão da Verdade no Rio, tudo indica que o crime foi queima de arquivo: “Ele [Malhães] foi um agente importante da repressão política na época do governo militar e era detentor de muitas informações sobre fatos que ocorreram nos bastidores daquela época”, disse.

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) quer que a Polícia Federal investigue o caso. Em nota, a CNV informou que o coordenador da comissão, Pedro Dallari, já solicitou ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a participação da PF na apuração do assassinato. “Por se tratar de uma situação que envolve investigação conduzida pela CNV, que é órgão federal, pedi que a Polícia Federal fosse acionada para acompanhar as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Rio”, explicou Dallari.

 

Fontes:
O Globo-Coronel Paulo Malhães é assassinado na Baixada
Folha de S. Paulo-Coronel Paulo Malhães, que assumiu torturas, é encontrado morto no Rio
O Globo-Comissão da Verdade quer que PF participe da investigação sobre a morte de coronel

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

3 Opiniões

  1. Epaminondas Taveira da Silva disse:

    Queima de arquivo? O próprio coronel reconheceu que alguns nomes citados em depoimento ele nem sabia de quem se tratava. O Exército nos anos de chumbo, realmente acreditava que estava travando uma guerra irregular (contra uma força beligerante não declarada) e assimétrica (financiada por um inimigo mais poderoso, a URSS\Cuba), o que de fato era. Sendo assim, do ponto de vista militar, saiu-se bem. Faltou criar uma lei para legalizar as execuções.

  2. Benedito Lacerda disse:

    Queima de arquivo ou vingança dos adversários. Pode ser que a turma da Dilma é que tenha matado.

    Em tempo: ele é a cara do S. Hussein!

  3. Mauricio Fernandez disse:

    A tal Comissão da Verdade investiga torturas e mortes que ocorreram no tempo da ditadura militar. Muito bem. Por qual razão não se investiga a tortura e as mortes que ocorrem hoje no país? Nunca se torturou e se matou tanto desde a última ditadura. Não sou eu que estou dizendo simplesmente. São os meios de comunicações que nos mostram de forma inequívoca todos os dias. Uma guerra civil mataria menos segundo especialistas, antropólogos e sociólogos.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *