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CORTE NO ORÇAMENTO

Crise ameaça satélites e monitoramento da Amazônia

Cortes no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais ameaçam projetos cruciais para que o Brasil deixe de depender de satélites estrangeiros

Crise ameaça satélites e monitoramento da Amazônia
Quadro de funcionários da instituição já encolheu 25% (Foto: Inpe)

A crise econômica que assola o Brasil está colocando em xeque projetos e serviços essenciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Segundo dados obtidos e revelados pelo jornal Estado de S. Paulo, o orçamento real do instituto já encolheu 70% desde 2010, caindo de R$ 326 milhões, naquele ano, para atuais R$ 108 milhões este ano. Além disso, o quadro de funcionários da instituição encolheu 25% no período.

A queda no orçamento ameaça programas como o monitoramento da Amazônia, as “previsões numéricas” do tempo, que são a base de toda a meteorologia nacional, e o CBERS 4, um satélite criado em uma parceira entre Brasil e China, cujo lançamento já foi adiado de dezembro de 2018 para meados de 2019 por conta da crise. “A situação é terrível”, disse o diretor do instituto, Ricardo Galvão, em entrevista ao Estado de S. Paulo.

E a situação ainda pode piorar: o governo pretende cortar no próximo ano 39% do orçamento de todos os institutos e autarquias ligadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o que inclui o Inpe e a Agência Espacial Brasileira.

“Esse corte certamente implicará a descontinuidade de alguns programas de grande relevância no instituto. Tenho sérias dúvidas se vamos conseguir renovar essa colaboração com a China”, disse Galvão, em referência ao CBERS.

O orçamento aprovado pelo governo para o projeto do CBERS este ano foi de R$ 70 milhões. Porém, em meio a cortes e contingenciamento, o total recebido pelo Inpe foi a metade do previsto, R$ 31,5 milhões.

Outro projeto ameaçado é o Amazônia 1, o primeiro satélite 100% nacional criado para observação da Terra. O projeto está em construção no Inpe e a meta inicial para conclusão era janeiro de 2019. Porém, os contratos e licitações, que devem ser feitos com antecedência, estão caindo em atraso, o que compromete o projeto. Além disso, dos R$ 58 milhões previstos para este ano, o projeto só recebeu R$ 15 milhões.

Tanto o CBERS quanto o Amazônia 1 são considerados cruciais para que o Brasil deixe de depender de satélites estrangeiros para monitorar seu território. Por ano, o Inpe gasta quase R$ 800 mil para comprar imagens dos satélites Landsat (EUA) e Resourcesat (Índia) para monitorar o desmatamento da Amazônia.

Fontes:
Estado de S. Paulo-Corte no orçamento do Inpe ameaça satélites e monitoramento da Amazônia

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