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RISCO DE APAGÕES

Crise energética na Venezuela afeta Roraima

Único estado do país que não é integrado ao Sistema Interligado Nacional, Roraima importa por mês 200 megawatts da Venezuela, que atravessa uma forte crise energética

Crise energética na Venezuela afeta Roraima
No dia 7 de março, a capital Boa Vista sofreu um apagão que durou horas (Foto: EBC)

A crise energética na Venezuela está afetando o fornecimento de energia em Roraima. Segundo fontes ouvidas pelo jornal Globo, o fornecimento de energia no estado piorou este ano.

O reflexo da crise venezuelana em Roraima se dá por conta de um acordo firmado em 2001 entre a Eletrobras Distribuição Roraima e a estatal venezuelana Corpoelec. O acordo prevê o envio de 200 megawatts (MW) por mês ao estado brasileiro até o ano de 2021.

A parceria foi firmada para suprir a demanda de energia de Roraima, o único estado brasileiro que não é interligado ao Sistema Interligado Nacional (SNI).

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Porém, nos últimos meses, apenas uma média de 110 MW foi enviada pelos cabos do Linhão de Guri, que traz a energia da Venezuela para Roraima e é responsável por abastecer a capital Boa Vista. A queda no fornecimento se deu por conta da crise energética na Venezuela, que este ano já reduziu jornadas de trabalho e dias úteis para economizar energia.

Prevendo possíveis cortes de energia por conta da crise no país vizinho, a Eletrobras Distribuidora Roraima construiu, em 2014, termelétricas para proteger o estado contra apagões. No entanto, segundo membros da distribuidora e da Eletronorte, as termelétricas sofrem com a falta de combustível para acioná-las.

No dia 7 de março, a cidade de Boa Vista sofreu um apagão que durou horas. Segundo executivos das distribuidoras, o apagão foi fruto do baixo fornecimento de energia pela Corpoelec, somado a falhas técnicas nos cabos de Linhão de Guri e ao baixo estoque de combustível para acionar as termelétricas.

Em uma reunião ocorrida no dia 9 de março, o Ministério Público do Estado de Roraima (MP-RR) e o Ministério Público Federal em Roraima (MPF-RR) cobraram providências da Eletrobras Distribuidora Roraima para assegurar que a população do estado não sofra com apagões.

No encontro, os procuradores criticaram a forma como as termelétricas foram construídas e a incompetência da distribuidora em garantir o fornecimento de energia. “As usinas termelétricas foram construídas às pressas, sem o licenciamento ambiental correto, tendo em vista o risco iminente de interrupções no fornecimento venezuelano. Desta forma, se esse foi o fundamento – estar pronta para suprir eventual corte no fornecimento do Linhão de Guri –, não fazia sentido a falha de funcionamento, por ausência de óleo diesel, durante o período em que o sistema venezuelano ficou fora do ar”, disse o procurador Fábio Brito Sanches.

Fontes:
O Globo-Crise energética na Venezuela afeta Roraima
Folha Web-Órgãos cobram providências da Eletrobras
Folha Web-Eletrobras diz que apagão ocorreu por falha e falta de combustível

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