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MACHISMO

Crise entre líderes da América Latina é uma questão de gênero?

Dilma Rousseff, Cristina Kirchner e Michele Bachelet parecem concentrar toda a raiva contra a corrupção, incluindo a praticada por homens

Crise entre líderes da América Latina é uma questão de gênero?
Em meio a tantos envolvidos em casos de corrupção, as mulheres concentram as críticas mais ferozes (Foto: Youtube)

Há cinco anos, a América Latina parecia viver uma era de consolidação das mulheres na política. Em 2011, Dilma Rousseff havia acabado de se tornar a primeira mulher presidente do Brasil. Na Argentina, Cristina Kirchner foi reeleita em primeiro turno com uma ampla margem de vantagem. No Chile, Michelle Bachelet havia acabado de deixar a presidência com um índice de aprovação de 80%.

Hoje, Dilma enfrenta um processo de impeachment e seu ministério foi substituído por outro composto apenas por homens. Cristina foi indiciada por prejuízo aos cofres públicos e a popularidade de Bachelet está em declínio. A crise enfrentada pelas três líderes levanta a pergunta: o que aconteceu com as mulheres poderosas da América Latina?

Analistas apontam que os problemas enfrentados pelas três líderes não são fruto de questões de gênero, mas sinalizam a persistência da cultura machista no continente sul-americano, especialmente na esfera política.

Isso explica por que em meio a tantos envolvidos em casos de corrupção, são as mulheres que concentram as críticas mais ferozes. Na Argentina, por exemplo, vários parlamentares, incluindo o ex-vice-presidente Amado Boudou, foram citados em casos de corrupção, mas Cristina foi o alvo mais atacado.

No Brasil, Dilma foi afastada mesmo não sendo um dos nomes investigados no esquema de corrupção que gerou revolta no país. No Chile, acusações de corrupção afetam vários políticos do país, mas a causa da queda de popularidade de Bachelet é fruto de um escândalo de crime tributário envolvendo sua nora, Natalia Compagnon.

“É como se as mulheres fossem o alvo de toda a revolta contra a corrupção dos homens. Seria uma surpresa descobrir que não há um fator de gênero por trás”, disse, ao New York Times, Farida Jalalzai, professora de política de gênero da Oklahoma State University, EUA.

Ao mesmo tempo, as primeiras-damas e mulheres de políticos da região passaram a ter um perfil tido como “modelo de feminilidade”. Um delas é Marcela Temer, recentemente envolvida na polêmica por ser retratada como uma mulher bela, recatada e do lar. “É uma manifestação dos resquícios de atitudes machistas”, diz Sergio Berensztein, um proeminente comentarista político da Argentina.

Fontes:
The New York Times-South America’s Powerful Women Are Embattled. Is Gender a Factor?

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1 Opinião

  1. Ludwig Von Drake disse:

    Querer atribuir outros rótulos à coisas que são bem conhecidas é um engôdo. Essas mulheres estão em dificuldades não por serem mulheres, mas porque erraram; e dizer que os homens também erram não as redime. A Coréia do Sul é considerada um país machista e tem uma mulher muito bem sucedida na presidência.

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