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Crise na Petrobras pode afetar investimentos nos Jogos Olímpicos

Governo também estuda rever modelo do regime de partilha do pré-sal, que atualmente exige que a estatal seja operadora única dos campos

Crise na Petrobras pode afetar investimentos nos Jogos Olímpicos
Estatal perde um terço do seu valor em menos de um mês (Reprodução/Internet)

Na última semana, sete empresas americanas entraram com uma ação conjunta contra a Petrobras. A estatal perdeu um terço do seu valor em menos de um mês. Mas não é só a Petrobras que está em perigo, o futuro de seus fornecedores, com cerca de 220 mil funcionários, também está. Até os bancos estatais estão relutantes em emprestar dinheiro para a empresa. Com tantas empreiteiras no banco dos réus, o destino de R$ 871 bilhões de reais destinados a projetos de infraestrutura, o que inclui os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, é incerto.

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Em reportagem publicada no último domingo, 14, a revista Economist sugere que o ideal seria que a presidente Dilma Rousseff seguisse o conselho do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, de substituir a atual presidente da Petrobras, Graça Foster, por outra pessoa. Entretanto, a presidente Dilma já deixou claro que acha a Petrobras muito valiosa para colocá-la nas mãos do setor privado, do qual desconfia.

“Ao invés de um barril sem fundo de petróleo, a Petrobras tornou-se um barril de pólvora. Em seu segundo mandato, que terá início 1º de janeiro, Dilma terá de investir boa parte de sua energia na prevenção de uma poderosa explosão”, diz a revista.

Modelo de partilha do pré-sal pode ser revisto

O governo agora estuda rever o modelo de exploração do pré-sal, por conta das dificuldades financeiras da estatal e da redução de mais de 40% no preço do petróleo no mercado internacional neste ano. De acordo com dados divulgados nesta segunda-feira, 15, no Globo, a ideia é repensar o modelo de partilha atual, que exige que a Petrobras seja a operadora única dos campos do pré-sal com, no mínimo, participação de 30%.

Diante de um panorama de queda de credibilidade e valor de mercado, a própria empresa já admitiu que terá de reduzir investimentos. “O regime de partilha terá que ser repensado. Essa reflexão vai acontecer. Se vai mudar ou não é outra coisa, pois a mudança no regime precisa passar pelo Congresso. A rentabilidade dos projetos do pré-sal está diminuindo com a queda no preço do petróleo. O bolo está virando uma empadinha”, disse uma fonte do governo ao Globo.

Empresários do setor pretendem voltar a pressionar a presidente Dilma Rousseff por mudanças no regime de partilha. Para o ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, a situação da estatal exigirá uma discussão sobre o modelo de divisão. Segundo ele, uma alternativa seria a companhia se tornar operadora preferencial, ao invés de única. Entretanto, Lima lembra que a queda no preço do petróleo afeta as demais empresas do setor.

Desde o início do ano, o preço do barril de petróleo caiu de US$ 105 para os atuais US$ 62, num recuo de mais de 40%. As incertezas em torno do preço futuro da commodity já preocupam as petroleiras mundiais, que começam a rever seus projetos e a traçar planos de demissões.

Fontes:
The Economist- Coming down with a bump
O Globo-Governo estuda rever modelo de exploração do pré-sal

1 Opinião

  1. Joma Bastos disse:

    Se esse todo esse dinheiro fosse investido no saneamento básico e nas infraestruturas logísticas, com toda a certeza que o Brasil daria um passo muito largo rumo ao desenvolvimento.

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