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MARÉ RUIM

Crise naufraga conquistas do setor naval

Em 2011, o setor naval brasileiro seguia a pleno vapor. Hoje, o cenário é o oposto, com quase 45 mil trabalhadores demitidos

Crise naufraga conquistas do setor naval
Crise é fruto da queda no preço do petróleo e da crise na Petrobras (Foto: EBC)

Em 2011, o setor naval brasileiro seguia a pleno vapor. Naquele ano, o setor movimentou US$ 8,3 bilhões para a construção de embarcações e a implantação de oito novos estaleiros, além da expansão de outros já existentes. A maré otimista fez o setor atingir a marca de 59 mil empregos diretos.

Porém, cinco anos depois, o cenário é exatamente o oposto. O setor passa por uma grave crise gerada pela crise na Petrobras, pela queda nos preços do petróleo e pelo colapso da Sete Brasil, empresa criada em 2011 para gerir a exploração da camada de pré-sal.

O cenário negativo gerou uma onde de demissões. Desde o final de 2014 até fevereiro deste ano, o setor naval já demitiu quase 45 mil trabalhadores, o que representa uma redução de 54% na força de trabalho do setor. Nos 36 estaleiros em funcionamento no país, não há construções novas, apenas conclusão de projetos antigos.

Para completar, há o temor de mais demissões, caso o processo de recuperação judicial da Sete Brasil fracasse. Se isso ocorrer, serão ceifados 20 mil postos de trabalho da cadeia de fornecedores, e os novos estaleiros criados para a fabricação de sondas serão fechados de vez.

Henrique Gomes, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, culpa a Operação Lava-Jato pela falta de continuidade e a paralisia gerada no setor. “Não está sendo dada continuidade aos projetos por causa de Lava-Jato e da crise do petróleo. Muitas empresas que prestavam serviços ao setor naval foram fechando. Já são seis fechadas e duas em recuperação judicial”, disse Gomes, em entrevista ao Globo.

Alguns analistas, no entanto, têm uma visão mais otimista e afirmam que o setor precisa passar por um processo de reestruturação para sair da crise. Em entrevista ao Globo, Marcelo Gomes, chefe executivo da Alvarez & Marsal, que conduz o processo de recuperação da Sete Brasil, citou como exemplo o Estaleiro São Miguel, no Rio de Janeiro, que voltou a operar após uma reestruturação.

“O setor naval passa por forte momento de reestruturação por causa da crise da Petrobras e do novo patamar do preço do petróleo. As empresas precisam se reestruturar operacional e financeiramente para se adaptar à realidade. Ainda existem oportunidades no setor naval”, disse Gomes.

Fontes:
O Globo-Setor naval afunda

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