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falta de disciplina

Crise no Brasil é culpa do próprio governo, diz ‘FT’

Editorial do 'Financial Times' diz que, embora culpe fatores externos, o governo é o principal causador do pior desempenho econômico do país desde 1931

Crise no Brasil é culpa do próprio governo, diz ‘FT’
Segundo o 'FT', a grande questão é saber por quanto tempo as instituições do país irão aguentar (Reprodução/AFP)

Um artigo publicado no último domingo, 22, no jornal Financial Times, chama atenção para a trajetória do topo ao fundo do poço econômico percorrida pelo Brasil. Intitulado “Brasil cai em desgraça por culpa própria”, o editorial diz que o país registrou o pior desempenho econômico desde 1931, e “a situação pode ficar ainda pior”.

“O Brasil está em crise. Este mês, 1 milhão de pessoas foram às ruas expressar seu descontentamento. A taxa de aprovação do governo Dilma Rousseff caiu para 13% e a economia vai registrar retração neste e no próximo ano. A grande questão é saber por quanto tempo as instituições do país irão aguentar”, diz o editorial.

Segundo o texto, há muito pouco tempo o Brasil festejava sua posição como a “boa novidade do momento”. Desde então, a queda foi espetacular. E a culpa é do próprio país. “Durante grande parte dos anos 2000, o Brasil gozou de um boom sem precedentes das commodities, que estimulou o comércio e o crédito na economia doméstica. Em 2010, as ações da Petrobras somaram um recorde de U$ 70 bilhões, a maior de sua história. Porém, essa boa fase foi aproveitada sem disciplina. Agora o processo entrou em marcha ré”, diz o jornal.

O texto diz que o real entrou em colapso, perdendo, em apenas seis meses, quase um terço de seu valor frente ao dólar. Já a taxa de câmbio ponderada pelo comércio, que ajusta a inflação, chegou ao patamar mais alto dos últimos 20 anos.

“O atual governo, há 12 anos no poder, culpa fatores externos pela crise. Mas a confusão é, em grande, parte de sua própria autoria. Basta ver que países vizinhos como Chile, Peru e Colômbia aproveitaram um similar boom das commodities sem a mesma ressaca do Brasil”, diz o jornal, listando escândalos de corrupção como o da Petrobras e o mensalão.

O editorial finaliza afirmando que, apesar dos problemas políticos e econômicos, ainda há esperança para o Brasil. “O país está longe de retornar à hiperinflação. E as instituições estão aguentando firme, especialmente o judiciário. Parlamentares de alto escalão estão sendo condenados por corrupção, o que antes era impensável. A crise no Brasil é ruim, e ainda vai piorar antes de melhorar. Mas, acima de tudo, o Brasil ainda tem um futuro”.

Fontes:
Financial Times-Brazil’s fall from grace of its own making

5 Opiniões

  1. kleberson disse:

    a crise pode acabar com o governo diminuindo os imposros das empresas

  2. André Luiz D. Queiroz disse:

    O governo de FHC não foi nenhuma maravilha — pelo contrário, o que não falta são críticas e acusações, como as comentário anterior (vide o artigo na coluna do Rodrigo Constantino http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/historia/sobre-hienas-e-lobos-ou-o-legado-de-fhc-foi-mesmo-neoliberal/), mas teve seus méritos, assim como o governo de Lula (o primeiro mandato) também acertou aqui e ali, e errou em um monte de outras coisas. O pior desses erros de Lula tem nome e sobrenome: chama-se ‘Dilma Rousseff’ !!

    Sobre a privatização da Vale, sempre vem essa mesma ‘lenga-lenga’ de que o preço da Vale deveria ser de não sei quantos bilhões de reais, e que foi vendida muito barato! Ora bolas, um empresa vale (sem trocadilho…) para o mercado o que ela é capaz de gerar de lucro!, e não o quanto ela tem de ativos (com os quais vêm um monte de passivos também!). A intenção declarada do governo não era apenas fazer caixa, mas sim de desfazer do ônus que é tocar um negócio daqueles. Para a Vale e, principalmente, para os acionistas da Vale — todos eles! — a melhor coisa que poderia ter acontecido à empresa foi a privatização! Quanto seria seu ‘valor de mercado’ hoje se a Vale tivesse continuado como empresa estatal, como ainda querem/sonham/deliram os esquerdistas mais aloprados? Continuaria na casa dos R$92 bilhões estimados em 1997 pelos ‘auditorias internacionais independentes’ (quais?!…)? Privatizada, hoje ela ‘vale’ (com trocadilho!) R$ 156,656 bilhões (Ago/2014) em viés de alta, com lucro de R$ 954 milhões (2014) também em alta (http://pt.wikipedia.org/wiki/Vale_S.A.), gerando mais riqueza para o país e recolhendo mais impostos! E até o momento não surgiu nenhum escândalo na mídia a ser conhecido como ‘Valão'(!) arrastando seus altos executivos junto com figurões da política…!

  3. Beraldo Dabés Filho disse:

    Algumas realizações de FHC (O Capo):

    1) Promoveu a histórica propinoprivataria que, redundou, por exemplo na entrega da Vale à iniciativa privada por míseros R$ 3,3 bilhões, quando o seu preço era de R$ 92 bilhões, segundo auditorias internacionais independentes. Espertalhão, sub-faturou ao invés de super-faturar.

    2) Comprou o instituto da reeleição, “propinando” parlamentares com R$ 500 mil por voto. Cabalmente comprovado o crime, inclusive com declarações de deputados federais sobre o valor que tinham recebido.nem mesmo o PGM-Partido do Golpe Midiático, pôde deixar de publicá-lo através da Veja. O seu “Engavetador Geral da República”, Geraldo Brindeiro (sugestivo o sobrenome) tratou de arquivar o caso, impedindo que fosse parar no STJ. Em outras palavras, tão simples quanto as demais acima: O Capo promoveu o impeachment do seu próprio impeachment.(olha a palavrinha aí…e em dose dupla).

    3) Estava com o caixa no vermelho ao final do seu segundo mandato sem dinheiro sequer para pagar o mês de Dezembro/2002 aos servidores públicos federais. Por este motivo, sua última canetada, já em Dezembro/2002 foi um pedido de US$ 30 bilhões ao FMI.
    A propósito, deixou uma inflação anual de 12,53%.

    4) Criou o famigerado “fator previdenciário”, o maior assalto que se tem notícia no Planeta, aos aposentados celetistas por tempo de serviço. Em resposta às manifestações dos assaltados, em rede nacional de rádio e TV, simplesmente chamou-os de vagabundos.

    5) O seu PSDB perdeu as eleições em 2002, pelo seu desastroso segundo mandato, pondo fim precoce ao “Projeto de de Poder de 20 Anos”, tão decantado pelo seu Ministro das Comunicações, Sérgio Motta, o famoso e já falecido Serjão.

  4. André Luiz D. Queiroz disse:

    O FT se “redimiu” do quê? De dizer a verdade? Não há nenhuma contradição entre o conteúdo do último parágrafo e o dito anteriormente: “O editorial finaliza afirmando que, apesar dos problemas políticos e econômicos, ainda há esperança para o Brasil. “O país está longe de retornar à hiperinflação. E as instituições estão aguentando firme, especialmente o judiciário. Parlamentares de alto escalão estão sendo condenados por corrupção, o que antes era impensável. A crise no Brasil é ruim, e ainda vai piorar antes de melhorar. Mas, acima de tudo, o Brasil ainda tem um futuro” — um processo de hiperinflação (índices inflacionários de dois dígitos ao mês, como aconteceu no governo Sarney!) está, por ora, afastado, porque os fundamentos econômicos implantados com o Plano Real trouxeram estabilidade à economia brasileira que plano “heterodoxo” nenhum antes trouxe! E, no fundo, isso só foi possível porque o governo FHC adotou medidas de austeridade fiscal: impopulares (principalmente quando congelaram salários, claro), mas necessárias. O primeiro governo Lula surfou “em cima” dessa estabilidade, manteve as políticas econômicas do governo anterior, e deu certo! Depois, retomou o populismo, a demagogia, e a responsabilidade fiscal, importante pilar do Plano Real, passou a não ser levada tão a sério. Aí, veio Dilma Rousseff com seu ranço ideológico, seu teimoso e obtuso ‘desenvolvimentismo’, e sua frouxidão, seu “dois pesos e duas medidas” na hora de lidar com os “maus feitos” dentro da “base aliada”! E lá se foi o Projeto de Nação, abandonado por por um ‘Projeto de Poder” (20 anos de PT!….)
    O futuro, possível, para nosso país, é o fortalecimento das instituições republicanas e o aumento da consciência política da sociedade brasileira, que afastem da vida pública os maus políticos: corruptos, fisiológicos e incompetentes — de qualquer filiação partidária!

  5. Beraldo Dabés Filho disse:

    O FT repetiu o pessimismo artificial que vem sendo produzido pela oposição, mas se redimiu no último parágrafo, colocando em dúvida tudo que afirmou antes. Matéria vazia de cunho apenas político-ideológico.

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