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MEDICINA NUCLEAR

Produção de radiofármacos é afetada por crise orçamentária

Falta de verba pode provocar fechamento do principal fabricante de radiofármacos do país. Com isso, 6 mil pacientes por dia serão afetados

Produção de radiofármacos é afetada por crise orçamentária
O Ipen é responsável pela produção de 95% de todos os radiofármacos no Brasil (Foto: Wikipedia)

O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), responsável pela produção de 95% de todos os radiofármacos no Brasil, poderá fechar por conta da crise orçamentária que afeta o setor de ciência do país. Dessa forma, a produção desse tipo de medicamento está ameaçada pela falta de verba.

O instituto tem dinheiro para operar somente até o mês de agosto e, caso não receba uma injeção emergencial de recursos, a fábrica paralisará a produção de radiofármacos. Com isso, cerca de 6 mil pacientes que diariamente usam os medicamentos do Ipen serão afetados. “Vai parar tudo, literalmente”, afirmou o superintendente do instituto, José Carlos Bressiani. “A situação é muito crítica. Não teremos dinheiro nem para pagar a conta de luz”, destacou.

São fabricados 38 produtos no instituto, entre eles o tecnécio-99, fundamental para o diagnóstico de câncer e várias outras doenças, e o iodo-131, usado no tratamento de problemas da tireoide. Os medicamentos são fornecidos para 430 clínicas e hospitais em todo o país – cerca de um terço deles são destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que 1,5 milhão de pessoas por ano recebem os produtos do Ipen.

Bressiani diz que o orçamento do Ipen para 2016 está em torno de R$ 100 milhões, mas que são necessários pelo menos R$ 150 milhões para que a produção dos radiofármacos se mantenha até o fim do ano. De acordo com presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Renato Cotta, o orçamento original seria de R$ 216 milhões, mas foi reduzido para R$ 136 milhões. O Ipen, mesmo localizado na Universidade de São Paulo (USP) e vinculado ao governo do estado, é administrado e financiado pela Comissão, que faz parte do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Nos últimos dias, o ministério aprovou um recurso emergencial de R$ 15 milhões. No entanto, para Cotta, esse dinheiro precisa chegar ao instituto antes de agosto. Ainda assim, considera a quantia insuficiente e diz que será necessário um reforço de pelo menos R$ 60 milhões até o fim do ano.

Se o Ipen realmente fechar, não há como substituir os produtos por importados, pois a vida útil dos radiofármacos é bastante curta (por conta do decaimento natural dos elementos radioativos) e com isso perdem a eficácia rapidamente. Os medicamentos precisam ser fabricados próximos ao local onde serão utilizados.

Fontes:
Estado de S. Paulo-Falta de verba atinge medicina nuclear e pode prejudicar 6 mil pacientes/dia

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