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FIM DA PARCERIA

Cuba deixa o Mais Médicos após críticas de Bolsonaro

Ministério da Saúde de Cuba afirma que decisão foi tomada diante das declarações 'ameaçadoras e depreciativas' de Bolsonaro em relação aos médicos cubanos

Cuba deixa o Mais Médicos após críticas de Bolsonaro
O programa foi lançado em 2013, pelo governo de Dilma Rousseff (Foto: EBC)

O governo de Cuba anunciou nesta quarta-feira, 14, que vai se retirar do programa Mais Médicos. Em comunicado oficial, o Ministério da Saúde Pública da República de Cuba argumentou que a saída se dá por conta das declarações “ameaçadoras e depreciativas” feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

Em declarações recentes, Bolsonaro questionou a preparação dos profissionais cubanos e afirmou que a permanência deles no país será condicionada à revalidação do diploma. Ele também disse que a contratação passará a ser individual.

O comunicado cubano cita o trabalho dos profissionais do programa e afirma que ele permitiu que muitos brasileiros tivessem um médico pela primeira vez. “Nestes cinco anos de trabalho, cerca de 20 mil colaboradores cubanos atenderam 113,3 milhões de pacientes (113.359.000) em mais de 3.600 municípios, chegando a ser atingidos por eles um universo de 60 milhões de brasileiros, constituindo 80% de todos os médicos participantes do programa. Mais de 700 municípios tiveram um médico pela primeira vez na história”, diz o texto.

Porém, o comunicado afirma que as mudanças anunciadas por Bolsonaro “impõem condições inaceitáveis ​​e descumprem as garantias acordadas desde o início do programa”.  “O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, com referências diretas, depreciativas e ameaçando a presença de nossos médicos, disse e reiterou que vai modificar os termos e condições do Programa Mais Médicos, com desrespeito para a Organização Pan-Americana da Saúde e o que foi acordado por ela com Cuba, ao questionar a preparação de nossos médicos e condicionar sua permanência no programa à revalidação do título e como única forma a contratação individual. […] Essas condições inadmissíveis impossibilitam a manutenção da presença dos profissionais cubanos no Programa ”, diz o texto (confira aqui o comunicado na íntegra).

A nota afirma ainda que “não é aceitável questionar a dignidade, o profissionalismo e o altruísmo dos colaboradores cubanos que, com o apoio de suas famílias, prestam atualmente serviços em 67 países”.

Em sua conta no Twitter, Bolsonaro comentou a decisão do governo cubano. “Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou”, escreveu Bolsonaro.

O programa Mais Médicos foi lançado em 2013, pelo governo de Dilma Rousseff, e tinha como objetivo levar atendimento médico a cidades do interior, áreas remotas e periferias de grandes cidades, onde havia carência. As vagas ocupadas pelos médicos cubanos eram postos não cobertos por médicos brasileiros.

O programa era baseado em uma cooperação firmada entre Brasil, Cuba e Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). No acordo foi estabelecido que o Brasil pagaria diretamente os salários dos profissionais ao governo cubano, que repassaria cerca de 30% do valor aos profissionais. Atualmente, cada profissional cubano recebe quase R$ 3 mil, de um total de R$ 11,8 mil pago ao governo de Cuba. Os profissionais também recebiam uma ajuda de custo para moradia e despesas básicas e uma passagem anual de ida e volta para a Cuba.

Na época em que foi lançado, o programa foi alvo de críticas por associações médicas do Brasil, que negavam a falta de médicos no país, argumento que baseou o programa – o déficit de médicos estimado pelo Ministério da Saúde era de 54 mil profissionais. As associações afirmavam que não faltavam médicos, mas sim condições de trabalho, o que levava profissionais a evitar a ida para o interior.

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1 Opinião

  1. ACM disse:

    R$ 10 bi ate hoje para sustentar a ditadura comunista via trabalho escravo (como bem o disse Bolsonaro, oglobo.globo.com, 14/11/2018):
    .
    20.000 medicos cubanos x 70% x R$11.800 x 12 meses x 5 anos = R$9.9 bilhoes, para sustentar a falida Cuba, mais ajuda de custo mensal + ida/volta para Cuba todo ano.
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    ¿ Por que nao usar todo esse dinheiro para melhorar a saude no Brasil, dando condicoes de trabalho e usando medicos brasileiros nesses lugares sem medicos ?
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    Essa safadeza com o Brasil so poderia ser do PT, q felizmente foi chutado fora.

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