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11ª CÚPULA

Cúpula dos Brics chega ao fim nesta quinta-feira

Brasil conseguiu estreitar relações com a China, que se firmou como a protagonista da Cúpula. Rússia e China se uniram em críticas aos EUA

Cúpula dos Brics chega ao fim nesta quinta-feira
Principal tema do segundo dia deve girar em torno do Banco do Brics (Foto: Marcos Corrêa/PR)

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A 11ª Cúpula dos Brics chega ao fim nesta quinta-feira, 14. Reunindo os líderes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, as reuniões giram em torno do estreitamento dos laços comerciais entre os países.

As reuniões tiveram início na última quarta-feira, 13. Até o momento, apesar do Brasil estar na presidência rotativa do bloco, o protagonismo ficou com a China, liderada por Xi Jinping. Além de estreitar laços com o Brasil, os chineses se uniram à Rússia para dirigir críticas diretas às políticas de Donald Trump, dos EUA, aliado do presidente Jair Bolsonaro.

Além dos encontros bilaterais entre os líderes, já comuns nas cúpulas, o principal assunto do segundo e último dia deve girar em torno da expansão do Novo Banco de Desenvolvimento, também conhecido como Banco dos Brics. Ademais, também devem ser abordados assuntos nas áreas de infraestrutura, saúde, tecnologia, ciência, combate à corrupção, entre outras.

Líderes empresariais devem apresentar uma lista com 23 recomendações em diferentes pontos, entre eles o fortalecimento do Banco dos Brics, com investimento em energia limpa e expansão para países fronteiriços. Ademais, também estarão presentes orientações para a facilitação do comércio entre os países e acordos de cooperação em dez setores.

Atualmente, o Banco dos Brics tem sede em Xangai, na China. A entidade foi fundada com US$ 10 bilhões de cada um dos cinco membros do bloco, tendo como objetivo construir uma alternativa ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Mundial. O Banco dos Brics pode receber países de fora do bloco, mas apenas como sócios.

Fora da cúpula envolvendo os cinco líderes, o presidente Jair Bolsonaro se encontrou separadamente, na última quarta-feira, com o presidente da China, Xi Jinping, e com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa. Já nesta quinta-feira, no fim da tarde, o chefe de Estado brasileiro deve se reunir com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e, em seguida, com o primeiro-ministro da Índia, Nahendra Modi.

Protagonismo chinês

Conforme apontado de antemão por diferentes analistas e economistas internacionais, a China assumiu o protagonismo durante a 11ª Cúpula dos Brics. Principal parceira comercial internacional do Brasil, com um fluxo comercial de US$ 98,9 bilhões, a China teve sua importância apontada por Bolsonaro durante as reuniões, afirmando que a nação asiática faz parte do “futuro do Brasil”.

Nas conversas bilaterais entre os países, ambos tiveram êxito em suas negociações. Bolsonaro, que no último mês de outubro já tinha visitado o país asiático, conseguiu estreitar ainda mais a relação Brasil-China, assinando acordos de cooperação em diferentes setores – como Justiça, Cultura, Transportes, entre outros -, inclusive de exportação e importação de frutas. O ministro da Economia, Paulo Guedes, revelou ainda que também está sendo negociada uma área de livre-comércio entre os países.

Xi Jinping, por sua vez, garantiu uma presença ainda maior no Brasil, abrindo espaço para a expansão dos laços com outros países da América Latina. Analistas apontam para a intenção da China de estender a iniciativa “Um Cinturão, Uma Rota”, considerada a nova Rota da Seda, para a América Latina.

“A amizade e cooperação sino-brasileira têm um futuro promissor e proeminente, com confiança ainda maior. Vamos trabalhar juntos para garantir que o navio da amizade China-Brasil avance na direção correta, supere todas as dificuldades e chegue com passos firmes a um futuro mais brilhante”, afirmou Xi Jinping, destacando que uma aproximação dos Brics com países latino-americanos, tendo o Brasil como plataforma, será “benéfica para todos”.

Fora dos acordos comerciais, a China também chamou o protagonismo em relação a críticas aos Estados Unidos, dividindo o palco com a Rússia, de Vladimir Putin. Pequim e Washington estão envolvidos em uma intensa guerra comercial desde o primeiro semestre de 2018. Por isso, os líderes chineses e russos criticaram o protecionismo americano.

“Com a nova rodada de transformações industriais e tecnológicas, os motores de desenvolvimento estão nos ajudando a aumentar a produtividade e avançar nas áreas sociais e econômicas. No entanto, o crescente protecionismo e as ameaças no mundo estão ameaçando o comércio internacional e o investimento internacional”, apontou Xi Jinping.

Putin, por sua vez, apoiou Xi Jinping. Sem citar diretamente os EUA, o presidente russo criticou as medidas protecionistas e destacou a importância dos Brics para enfrentar essas ações. “Os países dos Brics têm que se esforçar para não se deixar abater por essas coisas. Temos que manter o nível de vida de nossas populações e até aumentá-los”.

Bolsonaro, por sua vez, não abordou temas que poderiam gerar atritos com os outros líderes dos Brics, como o caso do protecionismo americano e a situação da Venezuela – o presidente Nicolás Maduro é apoiado por Putin e Xi Jinping, enquanto Bolsonaro apoia o autoproclamado presidente venezuelano, Juan Guaidó.

Sendo o último a falar ao público, após as críticas de Putin e Xi Jinping aos EUA, o chefe de Estado optou por destacar a abertura do mercado brasileiro para o mundo. Ademais, Bolsonaro também citou a isenção dos vistos para visitas, que foi prometida à China e Índia, também integrantes dos Brics.

Fontes:
DW-Brasil estreita laços com a China
O Globo-Na cúpula do Brics, Rússia e China criticam protecionismo americano
G1-Líderes do Brics chegam ao Itamaraty para reunião de cúpula do bloco
Agência Brasil-Ampliação de banco será destaque no segundo dia de encontro do Brics

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