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Cúpula dos Brics inicia com quatro dos cinco países do bloco em crise

Economias de Brasil, Rússia, China e África do Sul atravessam momentos turbulentos, enquanto a Índia tem previsão positiva do FMI

Cúpula dos Brics inicia com quatro dos cinco países do bloco em crise
Economias de Brasil, Rússia, China e África do Sul atravessam momento turbulentos (Foto: Wikipedia)

A sétima Cúpula dos Brics, iniciada na noite da última quarta-feira, 8, na cidade de Ufa, Rússia, reúne países que, com exceção da Índia, enfrentam graves crises financeiras. O bloco de emergentes representa um quinto da economia mundial e 40% da população do planeta.

As economias de Brasil, Rússia, China e África do Sul atravessam momento turbulentos, sendo os dois primeiros os que se encontram em situação mais crítica. No Brasil, a queda de confiança dos investidores, a retração do crescimento do país, a alta da inflação, do desemprego e os escândalos de corrupção que prejudicam a imagem do governo geraram uma crise econômica e um ajuste fiscal sem prazo para terminar.

Na Rússia, a moeda local, o rublo, enfrenta uma desvalorização que a fez cair 50% em relação ao dólar e ao euro. A economia do país foi fortemente abalada pelos acontecimentos do ano passado, que envolveram o conflito com a Ucrânia, a deterioração das relações com o Ocidente e as sanções aplicadas pelos Estados Unidos e pela Europa aos setores de energia, armamentista e financeiro do país.

A China, por sua vez, luta contra a queda da Bolsa de Xangai, causada pela perda de valor das ações vendidas no país. A tendência de queda começou em junho e atingiu o auge na última quarta-feira, quando a Bolsa de Xangai fechou em queda de 5,9%. O “terremoto” na bolsa causou perdas a investidores estimadas em US$ 3,2 trilhões.

As causas da queda no valor das ações estão sendo investigadas pelo governo chinês. Uma das principais suspeitas é o aperto da fiscalização do governo ao chamado empréstimo especulativo, ato de emprestar a investidores para eles comprarem ações. A medida causou a venda em massa de ações, que fez o preço dos papéis despencarem. Somado a isso está o fato de cerca de 80% dos investidores chineses serem cidadãos, muitos sem experiência e influenciáveis pelas reviravoltas repentinas do mercado. Para conter a queda, o governo limitou a venda de ações, o que fez a bolsa registrar uma alta de 5% nesta quinta-feira, 9. Porém, ainda não se sabe se a medida terá efeito a longo prazo.

A economia da África do Sul também atravessa momentos difíceis, devido à crise de energia que afeta o país desde 2008. A crise é efeito dos problemas financeiros enfrentados pela Eskom Holdings, empresa de energia que tem o monopólio da produção elétrica do país. Com o caixa no vermelho, a empresa não consegue atender à demanda de energia e apagões se tornaram frequentes no país.

Para dar suporte financeiro a Eskom, no início deste mês o governo sul-africano vendeu todas as suas ações na empresa de telefonia móvel Vodafone, o que permitirá injetar US$ 2,4 mil milhões na Eskom. No entanto, ainda há dúvidas se a medida conseguirá sanar os problemas financeiros na empresa. Um relatório recente da OCDE estima que este ano a economia do país continuará sendo afetada pela crise energética.

O único país dos Brics que se encontra em uma posição favorável é a Índia. Segundo o FMI, o país deve superar a China como a economia de maior crescimento do mundo ainda este ano. A diretora do órgão, Christine Lagarde, estima que a economia indiana crescerá 7,2% em 2015, enquanto a economia chinesa crescerá 7%. Um dos fatores que contribuirá para isso é o crescimento populacional da Índia, que em 2028 deve superar o da China, controlado pela política do filho único. O crescimento fará com que, até 2015, mais 13 milhões de pessoas passem a integrar a força de trabalho indiana. Se o governo indiano conseguir dar educação a esses trabalhadores e transformá-los em consumidores ativos, pode gerar uma reviravolta no cenário geopolítico internacional.

Fontes:
Estadão-Dilma chega à Rússia para participar de cúpula dos Brics
The Guradian-Russia’s rouble crisis poses threat to nine countries relying on remittances
Valor-Alta de mais de 5% na bolsa de Xangai impulsiona mercados na Ásia
Financial Times-Beijing’s barrage of support stems China rout
Fortune-India claims it will surpass China as the fastest-growing large economy in 2015
Bloomberg-South Africa Raises About $2 Billion for Eskom From Vodacom

2 Opiniões

  1. Marluizo Pires Cruz disse:

    O eterno subdesenvolvimento social do Brasil pode estar caracterizado nas mazelas das atuações administrativas públicas, nas luxurias dos gastos com dinheiro público despesas e salários desproporcionais pagos com recursos públicos.
    Em síntese a força de trabalho convertido para atendimento social não suporta a falta de austeridade dos gestores dos recursos públicos.
    Porquanto o país Brasil estará fadado a permanecer no subdesenvolvimento social. Enquanto não houver uma determinação de gestão eficiente dos recursos bens e dinheiro público em todos os governos.
    As Pessoas trabalhadoras e austeras não estão suportando mais sustentar a luxuria os desmandos e a falta de austeridade dos maus gestores deste país Brasil.

    Onde parecendo coincidência, os Presidentes estão sempre viajando para o exterior nos momentos de queda de confiança dos investidores, a retração do crescimento do país, a alta da inflação, do desemprego e os escândalos de corrupção que prejudicam a imagem do governo geraram uma crise econômica e um ajuste fiscal sem prazo para terminar.

  2. Roberto1776 disse:

    Socialistas do mundo, erguei-vos. Nada tendes a perder, exceto vossa vergonha na cara!
    Carlos Marcus.
    A Índia pode ficar sentada.

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