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Cyberbullying: uma questão real do mundo virtual

Com a internet, a velocidade e o alcance da informação aumentaram, piorando a questão das ofensas virtuais

Cyberbullying: uma questão real do mundo virtual
Este tipo de ofensa virtual não acontece apenas no mundo dos famosos e das figuras públicas (Foto: Flickr/J_O_I_D)

Ofensas raciais, comentários sexistas, divulgação de fotos sem autorização. Apesar de todas as funcionalidades da internet, a ferramenta piora a questão do cyberbullying por conta da velocidade e do alcance da informação.

Segundo a Folha de S. Paulo, quase um terço dos jovens do estado de São Paulo já sofreu ofensas públicas na internet. De acordo com uma pesquisa do Datafolha feita em junho, 28% dos jovens de 16 a 24 anos dizem que já foram ofendidos por alguém na internet. Esse número é maior ainda entre o público de 12 e 15 anos (38%). O levantamento, que foi feito em 175 municípios, ouviu 1036 jovens nessa faixa etária.

De acordo com um estudo da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), publicado pelo IBGE em abril, metade dos brasileiros está conectada à internet. Além disso, um em cada dez residências brasileiras com conexão à internet acessa a rede apenas por meio de celular ou tablet.

Caso Maju

No início deste mês, a página oficial do Jornal Nacional, da TV Globo, recebeu comentários ofensivos num post no Facebook, que continha a foto da jornalista Maria Júlia Coutinho com a previsão do tempo para o dia seguinte. Os comentários tinham relação à cor da pele da repórter, que é conhecida como Maju. O caso ganhou repercussão e fez com que várias pessoas saíssem em defesa da jornalista na campanha #somostodosmaju.

Este tipo de ofensa virtual não acontece apenas no mundo dos famosos e das figuras públicas. Em agosto do ano passado, um caso em Muriaé, na Zona da Mata, também chamou a atenção pelos mesmos motivos. Uma jovem negra de 20 anos recebeu comentários pejorativos em uma foto com seu namorado branco de 18 anos. Os comentários foram classificados como injúria racial e perguntavam coisas do tipo: “onde comprou essa escrava?” e “seu dono?”.

A doutora em psicologia escolar, Luciene Regina Tognetta, explicou à Folha de S. Paulo que há uma diferença que faz com que as ofensas virtuais sejam mais danosas do que as reais. “O bullying é caracterizado pela repetição. Mas na internet ele se espalha imediatamente, nem é preciso acontecer mais de uma vez”. A explicação se aplica aos diversos casos, independente da idade de quem pratica e de quem sofre. Apesar de o cyberbullying acontecer numa esfera virtual, ele reflete preconceitos muito reais.

Fontes:
Folha de S. Paulo-A geração conectada
Estado de S. Paulo-Polícia localiza suspeito de ter feito comentário racista a Maju
G1-Comentários na web contra casal viram caso de polícia por injúria racial
BBC Brasil-IBGE: Metade dos brasileiros estão conectados à internet; Norte lidera em acesso por celular

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