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Ministro da Justiça

‘Delação premiada não é sentença condenatória’, diz Cardozo

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, negou sofrer pressão do PT para intervir na Operação Lava-Jato e disse que delatores podem estar mentindo em acusações

‘Delação premiada não é sentença condenatória’, diz Cardozo
O ministro disse ainda que não há indícios do envolvimento de Lula no escândalo (Foto: Flickr)

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, admitiu na última quinta-feira, 2, que é leal a Dilma Rousseff e que pretende continuar no cargo enquanto puder contribuir para o projeto de governo da presidente.

A declaração foi dada na última quinta-feira, 2, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. “No período democrático, sou o ministro que ficou mais tempo no cargo. O que eu posso afirmar é que, dentre meus muitos defeitos, a lealdade é uma qualidade. Sou leal à presidente Dilma e ao projeto que ela representa. Enquanto eu servir a esse projeto e ela achar que eu sirvo, ficarei. Se eu achar que não contribuo mais para o projeto e não servir mais à presidente, sairei”, disse Cardozo.

Na entrevista, o ministro negou que esteja sofrendo pressões do PT para intervir nas investigações da Operação Lava-Jato, embora admita a existência de opiniões divergentes dentro do partido. “É evidente que há divergências. Eu mesmo pertenço a uma corrente (Mensagem ao Partido) que por vezes expressa posições diferentes. É legítimo que pessoas me aplaudam ou vaiem”, disse o ministro.

Sobre a possibilidade de Lula ser alvo da Lava-Jato, Cardozo disse que não vê indícios da participação do ex-presidente “em atos lesivos ao patrimônio ou ilícitos”. “Não vejo como ele possa ser alvo da investigação”, disse Cardozo.

O ministro classificou a viagem aos EUA de Dilma como “muito exitosa” e falou sobre a recente declaração de Dilma, que disse que condenar pessoas com base em delações premiadas é “um tanto quanto Idade Média”.

“O que ela fez foi um juízo de apreciação sobre o papel das delações premiadas. É uma peça de investigação, não é sentença condenatória. Um delator pode falar a verdade, mentir, dizer ‘meias-verdades’”. Disse o ministro, acrescentando que não é possível saber “se há relação entre o que sai na imprensa e o que foi dito na delação”.

Ao final da entrevista o ministro lamentou a votação na Câmara que aprovou a PEC que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crime hediondo. “Essa proposta é trágica e desastrosa por todas as consequências que gera. É inconstitucional, porque fere cláusula pétrea e contraria todos os estudos de especialistas que recomendam que jovens nunca sejam tratados como adultos”, disse Cardozo.

Fontes:
Estadão-'Se achar que não contribuo mais, sairei', diz Cardozo

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