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Combate à corrupção

Delações premiadas podem se tornar o maior legado do governo Dilma

Sucesso das delações como arma de combate à corrupção no país pode se tornar o maior legado positivo do governo da presidente

Delações premiadas podem se tornar o maior legado do governo Dilma
A postura de Dilma em relação à corrupção é diferente da dos governos anteriores (Foto: ABr)

Em sua recente viagem aos Estados Unidos, a presidente Dilma Rousseff afirmou que não respeita delatores. A declaração foi dada em resposta a jornalistas que questionaram a presidente sobre a denúncia feita pelo delator Ricardo Pessoa, que disse ter doado dinheiro de propina para a campanha de reeleição de Dilma.

A grande ironia em relação à declaração da presidente é que justamente as delações premiadas podem vir a ser o maior legado positivo de seu conturbado governo. A reforma política feita em seu mandato ampliou o poder dos procuradores de usar delações premiadas para combater a corrupção e quebraram uma tradição que mantinha impunes figuras poderosas do país.

Caso a delação premiada se confirme como um dos mecanismos que mais auxiliaram na imposição da lei, a conquista pode elevar a gestão de Dilma à de Lula, que reduziu drasticamente a pobreza, e a de Fernando Henrique Cardoso, que livrou o país da inflação desenfreada.

A postura de Dilma em relação à corrupção endêmica do Brasil tem sido diferente da dos governos anteriores. Logo no início de seu mandato, ela iniciou uma massiva troca de ministros suspeito de corrupção, que ficou conhecida como “faxina”. A presidente também se recusou a defendê-los das acusações.

Em 2013, Dilma não interferiu quando políticos de seu partido, o PT, foram condenados no julgamento do mensalão. Depois ela instituiu uma lei de combate à corrupção que ampliou os poderes dos procuradores e o uso dos acordos de delação premiada em troca de sentenças menores. A medida provou ser uma “arma de destruição em massa” no combate a esquemas de corrupção. Desde o ano passado, já foram mais de 125 acusações e 30 condenações. E a expectativa é que esses números aumentem ainda mais.

Durante as investigações, Dilma expressou revolta contra seus aliados envolvidos em esquemas ilícitos, e tem se esforçado para revindicar para o seu governo o crédito da guerra à corrupção.

Diferentemente de outros parlamentares do país, Dilma não está sendo acusada de envolvimento direto em casos de corrupção. Logo, apoiar as investigações se tornou uma grande estratégia de sobrevivência da presidente.

Fontes:
Financial Times-Brazil corruption clampdown may yet prove to be Rousseff's legacy

3 Opiniões

  1. Marcelo disse:

    Nem o próprio PT teria capacidade de escrever algo tão canalha e favorável como a matéria acima.

    Só pode ser brincadeira. O maior legado foi a mistura de excesso de corrução, como nunca antes na história deste país, com excesso de competência da única instituição ainda livre, a Polícia Federal.

    Uma criança de 10 anos saberia fazer a análise dos fatos.

  2. Carlos U Pozzobon disse:

    Reportagem muito estranha. As delações premiadas já não existiam antes de 2003? E se Dilma soubesse que daria na revelação de uma quantidade de falcatruas ainda não totalizada, teria assinado a lei de 2013 atribuindo maiores poderes aos procuradores? Certamente que não. Se ela teve algum papel, certamente que errou no cálculo. Prefiro acreditar que seu legado será a maior destruição da poupança nacional de todas as crises que o país viveu desde sua descoberta.

  3. Ludwig Von Drake disse:

    Como diria José Ortega y Gasset, “Eu sou eu e minha circunstância, e se não salvo a ela, não me salvo a mim”. Esse legado não é da Dilma, porque nada aconteceria se o Roberto Jeferson e o empresário Hermes Magnus não tivessem aberto o bico. Dona Dillma age surpreendida e açoitada pelas circunstâncias.

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